Carim Vali
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Contos dos subúrbios
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“Ou talvez aquela ilha leve à loucura quem a tenta governar,
como uma coroa maldita criada pelo Diabo. Os libertadores,
os pais fundadores, os vários presidentes que se declaravam
imperadores, os generais que torturavam papagaios. Todos
loucos. Uma ilha feita de fios elétricos descarnados, telha-
dos de chapa enferrujada e sacos de plástico azuis a bailar ao
vento quente; risos profundos a brotar de peitos dançantes,
o cheiro a alho, malaguetas e lima, máscaras de Carnaval em
papier-mâché escarlate de cabeças de galos e touros que nos
observam surpreendidos e petrificados nas esquinas.”
― Contos dos subúrbios
como uma coroa maldita criada pelo Diabo. Os libertadores,
os pais fundadores, os vários presidentes que se declaravam
imperadores, os generais que torturavam papagaios. Todos
loucos. Uma ilha feita de fios elétricos descarnados, telha-
dos de chapa enferrujada e sacos de plástico azuis a bailar ao
vento quente; risos profundos a brotar de peitos dançantes,
o cheiro a alho, malaguetas e lima, máscaras de Carnaval em
papier-mâché escarlate de cabeças de galos e touros que nos
observam surpreendidos e petrificados nas esquinas.”
― Contos dos subúrbios
“Zeus assentiu com a sua majestosa cabeça e, nesse momento, as moiras debruçaram-se sobre os fios da vida dos condenados e, como braços robóticos numa mesa de opera-
ções, iniciaram os seus delicados trabalhos de mutilação — os dois fios divinos prateados, luminosos, infinitos e ininterruptos, que se estendiam pela eternidade, mais longos que um comboio constituído por todos os átomos do Universo, foram cortados em dois pontos, o nascimento e a morte e tornaram-se baços e frágeis como teias de aranha antigas.
E assim foi determinado. Ares e Afrodite reencarnaram em corpos humanos, algures na Margem Sul do Tejo, República Portuguesa, no início do século XXI.”
― Contos dos subúrbios
ções, iniciaram os seus delicados trabalhos de mutilação — os dois fios divinos prateados, luminosos, infinitos e ininterruptos, que se estendiam pela eternidade, mais longos que um comboio constituído por todos os átomos do Universo, foram cortados em dois pontos, o nascimento e a morte e tornaram-se baços e frágeis como teias de aranha antigas.
E assim foi determinado. Ares e Afrodite reencarnaram em corpos humanos, algures na Margem Sul do Tejo, República Portuguesa, no início do século XXI.”
― Contos dos subúrbios
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