Francisco’s review of Meridiano de Sangue > Likes and Comments

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message 1: by Paulo (new)

Paulo Faria A capa que inventaram para a edição que figura na imagem é uma coisa absolutamente lamentável. Parece um livro rasca, uma obra de cordel. Enfim...


message 2: by Francisco (last edited Mar 30, 2026 03:32PM) (new)

Francisco Vaz Paulo wrote: "A capa que inventaram para a edição que figura na imagem é uma coisa absolutamente lamentável. Parece um livro rasca, uma obra de cordel. Enfim..."

Boa tarde Paulo. A capa é feia, sim. Mas desse ponto não és responsável.
Ando a ler a Casa Sombria, do Dickens, outro livro traduzido por ti. E isso leva-me para um outro livro dele, o Copperfield, que li a seguir ao Meridiano de Sangue.
Os dois formam um díptico interessante. No Meridiano assistimos ao fim da alma humana, à corrupção, falta de união entre as pessoas, sendo o Rapaz a esperança de uma individualidade que se destaca por fazer o Bem, por oposição ao juiz benquisto, que coleciona almas, objectos e memórias, um amigo íntimo do Diabo.
No Copperfield temos uma individualidade a ser desfeita, sendo amparada pela figura mais frágil, a Peggotty, começando aí o erigir da sua vida interior, tendo ele futuramente o foco nesse momento e na Agnes.
No Meridiano estamos no reino do maligno, com o Rapaz a mostrar a força da personalidade e deixando claro que sempre haverá oposição ao Mal, senão como oposição constante, pelo menos em momentos cruciais.
No Copperfield temos o mal no início, seguido da incapacidade do Copperfield se sustentar, erguendo-se mais tarde a união e o Bem a favor dele e contra o mal que o assola.


message 3: by Paulo (new)

Paulo Faria Francisco wrote: "Paulo wrote: "A capa que inventaram para a edição que figura na imagem é uma coisa absolutamente lamentável. Parece um livro rasca, uma obra de cordel. Enfim..."

Boa tarde Paulo. A capa é feia, si..."


Bom dia, Francisco, nunca li o «Copperfield», infelizmente. Talvez esteja na altura de lhe pegar. Muito interessante, o teu esforço para fazer a «ponte» entre Dickens e Cormac McCarthy. O ponto de partida de Dickens é sempre optimista, creio. O de Cormac McCarthy é de um pessimismo tranquilo, cósmico, em que o destino dos homens se confunde com o da paisagem. Continuo a achar que o juiz é uma das melhores personagens jamais criadas na literatura ocidental.


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