Nerds & Encrenqueiros discussion
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Herland
Fantasy and SciFi Challenge
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Herland Outubro/2015
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Lauren
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Oct 07, 2015 07:41AM
Eu e o Thiago já estamos dentro, falta decidir pra quando.
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Oba! Eu estou dentro! Prefiro ano que vem, aliás. Mas se vocês quiserem começar agora eu alcanço vocês depois!
Thaís, muuito obrigada pelo audiobook! Amo audiobooks, tô até um pouco viciada ultimamente...
Thaís, muuito obrigada pelo audiobook! Amo audiobooks, tô até um pouco viciada ultimamente...
Putz, é super curtinho mesmo! Acho acho que consigo começar quando terminar The Island of Dr. Moreau (que também é super curtinho, mas daria tido para ter em audiobook porque não estou conseguindo me engajar na leitura...)
@Raquel, eu tmb estou viciada em audiobooks. É ótimo para aprender pronúncias. Ultimamente só tenho pego leitura com áudio.O lado ruim é que eu não consigo mais ler nada em português. Sério, isso é um problema, acho que já deve ter uns 3 anos que não leio em português.
Então, a nossa ideia é ler cada livro desse curso com o espaço de 2 meses, para ver tudo com calma. Então pode ficar tranquila, pq Herland só vai "fechar" em novembro/dezembro :)
Thaís wrote: "@Raquel, eu tmb estou viciada em audiobooks. É ótimo para aprender pronúncias. Ultimamente só tenho pego leitura com áudio.
O lado ruim é que eu não consigo mais ler nada em português. Sério, isso..."
Eu também não consigo mais ler em português, Thaís! As traduções me irritam, por mais bem feitas que sejam (e eu fico me sentindo a mais esnobe, rs). Maravilha essa idéia de 2 em 2 meses! Amei!
O lado ruim é que eu não consigo mais ler nada em português. Sério, isso..."
Eu também não consigo mais ler em português, Thaís! As traduções me irritam, por mais bem feitas que sejam (e eu fico me sentindo a mais esnobe, rs). Maravilha essa idéia de 2 em 2 meses! Amei!
A ironia é que eu estou estudando para ser tradutora rsQueria muito ser tradutora literária, mas falam que é super difícil entrar nessa área.
Gente, estou quase na metade do Herland. Demorou um pouquinho pra que eu engatasse de vez na leitura mas agora estou gostando bastante. Já aproveito pra avisar que me identifico como feminista :)
O narrador é um homem, acompanhado em sua expedição por outros dois homens, então a narrativa meio que funciona para iluminar a lógica machista da mentalidade do período.
3 coisas chamaram minha atenção por enquanto, e aqui vai o (view spoiler)
Não dá pra ignorar (ou não admirar) a carga política do texto. Eu estou lendo mais como uma parábola (encaixa em parábola, Thaís?), sem esperar muita profundidade das personagens.
Fico tentando imaginar a vida de uma mulher escrevendo fantasia feminista no ano de 1915. Incrível.
Foi mal, estou com a cabeça meio cheia esses dias, não tenho lido muito.
Estou ainda no chap 4, estou gostando. Já tinha lido o The Yellow Wallpaper (que adorei) e já tinha lido sobre o Herland e sobre a Charlotte Perkins Gilman (what an awesome human being). Acho que essa é uma abra incrivelmente importante, um verdadeiro marco feminista do fantástico.
(view spoiler)
Estou ainda no chap 4, estou gostando. Já tinha lido o The Yellow Wallpaper (que adorei) e já tinha lido sobre o Herland e sobre a Charlotte Perkins Gilman (what an awesome human being). Acho que essa é uma abra incrivelmente importante, um verdadeiro marco feminista do fantástico.
(view spoiler)
Aprender a lidar com comentários machistas também é outro processo. Geralmente me tira do sério, infelizmente. É porque é muito injusto, muito ignorante. Só que é sempre muito desgastante aí fica a questão de saber quais batalhas lutar. Vou dizer que é a mesma sensação ao ouvir comentários homofóbicos ou racistas, parece que não falar nada é ser conivente como o estado de coisas. Algo que eu vou ter que aprender a lidar na terapia, acho hehe
Me lembra Mad Men (que terminei de ver todinho esse mês).Como as personagens mulheres sofriam assédio, ouviam piadas que as inferiorizavam e elas... nada. Silêncio, um sorrisinho desconfortável, porque elas sabiam que não adiantava.
Enfim, ainda estou aprendendo como lidar.
Putz, fui editar e apaguei tudo sem querer, affff :(
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a sociedade da época ainda se aplicam hoje em dia. Essa Charllote é muito fodona mesmo.
Quanto a ficar puto com comentário machista, ficar puto é desgastante, mas esse é um bom motivo para ficar puto né? Ainda bem que vc fica, eu tb fico, provavelmente não com a mesma intensidade, acho que indignação é uma resposta perfeitamente adequada para opressão.
Enfim, gostando do livro, gostando até mais do que achei que ia gostar. Gostaria que ele fosse mais divulgado por aqui, vc sabe se existe alguma tradução?
Ahhhh, falando em gatos e da nossa relação com cachorros tem um texto muito engraçado do Lovecraft, ele estava meio que brincando... Ele e um amigo estavam discutindo a respeito de gatos e cachorros, esse foi a resposta do Lovecraft:
Cats and Dogs By H. P. Lovecraft
É até meio herético postar algo do Lovecraft num thread sobre Herland, ele era um cara super preconceituoso, então tomem cuidado, é bem capaz de ter um ou outro “disgusting remark” no texto, espero que não... Por outro Lado, eu descobri aCharlotte Perkins Gilman graças ao Supernatural Horror in Literature, ele menciona o The Yellow Wallpaper no capitulo sobre "Weird Fiction in America":
"Charlotte Perkins Gilman, in “The Yellow Wall Paper,” rises to a classic level in subtly delineating the madness which crawls over a woman dwelling in the hideously papered room where a madwoman was once confined."
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a sociedade da época ainda se aplicam hoje em dia. Essa Charllote é muito fodona mesmo.
Quanto a ficar puto com comentário machista, ficar puto é desgastante, mas esse é um bom motivo para ficar puto né? Ainda bem que vc fica, eu tb fico, provavelmente não com a mesma intensidade, acho que indignação é uma resposta perfeitamente adequada para opressão.
Enfim, gostando do livro, gostando até mais do que achei que ia gostar. Gostaria que ele fosse mais divulgado por aqui, vc sabe se existe alguma tradução?
Ahhhh, falando em gatos e da nossa relação com cachorros tem um texto muito engraçado do Lovecraft, ele estava meio que brincando... Ele e um amigo estavam discutindo a respeito de gatos e cachorros, esse foi a resposta do Lovecraft:
Cats and Dogs By H. P. Lovecraft
É até meio herético postar algo do Lovecraft num thread sobre Herland, ele era um cara super preconceituoso, então tomem cuidado, é bem capaz de ter um ou outro “disgusting remark” no texto, espero que não... Por outro Lado, eu descobri aCharlotte Perkins Gilman graças ao Supernatural Horror in Literature, ele menciona o The Yellow Wallpaper no capitulo sobre "Weird Fiction in America":
"Charlotte Perkins Gilman, in “The Yellow Wall Paper,” rises to a classic level in subtly delineating the madness which crawls over a woman dwelling in the hideously papered room where a madwoman was once confined."
Então, fiquei com vontade de encarar o The Yellow Wall-Paper. Vai ter que esperar porque a fila tá grande..Vou dar uma olhada nessa do H.P. Lovecraft, valeu a dica, Thiago.
Bom, terminei o Herland, pessoal. Os últimos capítulos me chamaram atenção pela forma com que sexo é visto/tratado pela autora. Sexo como forma de prazer como algo não-natural, um prazer masculino. Pobre Charlotte Perkins Gilman hein. A vida não deve ter sido fácil pra ela mesmo.
Não gostei de como o livro acabou (e, nossa, o Terry é uma pessoa horrível demais... mal-escrito acho).
Gostei da leitura, achei interessantíssimo como fonte histórica, mas tem suas falhas fortes como literatura. Estou encarando o livro mais como texto político, e nesse caso, para o contexto da época, é algo incrível e com certeza vou procurar ler mais sobre a autora.
Thiago wrote: "Putz, fui editar e apaguei tudo sem querer, affff :(
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a sociedade da épo..."
Que pena que tu apagou o comentário, Thiago! Tinha sido tão profundo e legal que eu tive dificuldade de responder na hora. Acho incrivelmente corajoso quando um homem fala de feminismo de maneira honesta e autêntica. Eu me sinto muito vulnerável quando falo sobre coisas que nunca poderei experienciar na pele, mesmo quando são coisas positivas.
Queria dizer que eu queria muito ter vontade de ler certos livros de Ficção só pela sua importância histórica, mas não tenho. Leio bastante livros técnicos (de psicologia principalmente, claro), mas eu gosto da minha leitura divertida! Quando ela inclui comentário social e importância histórica, então, melhor ainda. Mas pra mim ela precisa ser gostosa de ler, sabe? E se isso faz de mim uma pessoa menos politizada (eu penso isso ás vezes, mesmo tendo outras fontes de comentário político), então "Oh, well"...
(Isso tudo pra dizer que eu acho que não vou ler Herland, ou pelo menos não agora... Acho que para o curso ano que vem sim, porque daí eu vou ter um bom pretexto, sabe?)
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a sociedade da épo..."
Que pena que tu apagou o comentário, Thiago! Tinha sido tão profundo e legal que eu tive dificuldade de responder na hora. Acho incrivelmente corajoso quando um homem fala de feminismo de maneira honesta e autêntica. Eu me sinto muito vulnerável quando falo sobre coisas que nunca poderei experienciar na pele, mesmo quando são coisas positivas.
Queria dizer que eu queria muito ter vontade de ler certos livros de Ficção só pela sua importância histórica, mas não tenho. Leio bastante livros técnicos (de psicologia principalmente, claro), mas eu gosto da minha leitura divertida! Quando ela inclui comentário social e importância histórica, então, melhor ainda. Mas pra mim ela precisa ser gostosa de ler, sabe? E se isso faz de mim uma pessoa menos politizada (eu penso isso ás vezes, mesmo tendo outras fontes de comentário político), então "Oh, well"...
(Isso tudo pra dizer que eu acho que não vou ler Herland, ou pelo menos não agora... Acho que para o curso ano que vem sim, porque daí eu vou ter um bom pretexto, sabe?)
@Raquel, estou com você. Também não curto muito ler as coisas pela importância história (tive que fazer muito isso na faculdade), precisa ser uma leitura divertida.Por isso, achei Herland um pouco chato (blasfêmia) hehe
Claro que ele é muito importante, levantou questões muito atuais, até mesmo de religião, mas tinha partes da leitura em que eu 'voava' e não prestava muita atenção.
Como eu gosto muito do conto do The Yellow Wallpaper and Other Stories, achei que seria mais legal/divertido.
Se ainda existisse orkut, criaria uma comunidade "Morte ao babaca do Terry!" ou "Eu odeio o Terry", ô cara babaca! Vontade de estapear a cara dele.
Pois é, acho que ao ler esse livro acabei vestindo o chapéu de historiadora mesmo, de forma bem natural. Foi longe de ser uma leitura daquelas em que você se perde no mundo criado, ansioso por entender as personagens ou adivinhar o que iria acontecer. Como é um período da história com que estou bem familiarizada (início do séc. XX) e um tema que adoro (gênero), o que me fascinou foi exatamente a audácia da proposta política da Charlotte Gilman. Consegui me imaginar uma leitora da época.
Estranhamente, eu não consegui essa leitura-como-fonte-histórica na caso do Dracula. Talvez porque o mérito dele não esteja relacionado ao contexto histórico? Desculpa insistir no Drácula (acho que preciso mesmo de uma leitura com vcs), mas é que foi um livro que eu achei tão chato e imagino que ele deve ter mil méritos que eu não noto.
Com o Herland, esse mérito fica claro (e porque a autora estava à frente do seu tempo, se o discurso fosse conservador não estaríamos discutindo ele né).
Raquel wrote: "Thiago wrote: "Putz, fui editar e apaguei tudo sem querer, affff :(
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a s..."
Pô, vlw Raquel :) Mas é, eu tb fico um pouco apreensivo. Acho que o importante é ter a cabeça aberta e estar sempre disposto a ouvir né. Enfim, acho que livros ajudam bastante, livros ensinam empatia, são janelas para a experiência do "outro", e ai o "outro" deixa de ser o "outro".
Agora, o livro. Achei bem legal, divertido, leitura fácil, divertida. Eu não sou fã de ler por obrigação tb, se não tivesse gostado tinha largado. Mas concordo com a Lauren, como peça literária tem suas falhas, mas como texto político é incrível. E mais, acho esta última é a razão de ser da história, servir como crítica à sociedade da época. Herland foi serializado em 10 partes (uma para cada capitulo) em “The Forerunner” uma revista escrita e editada pela própria Gilman que, mais do que uma escritora, uma mulher singular que se sustentava escrevendo no século 19 e atingiu grande fama na época, era uma humanista, sociologista, socialista, e ativista de marca maior. Sobre a revista Gilman escreveu:
“Then This: It strives in prose and verse, Thought, fancy, fact and fun, To tell the things we ought to know, To point the way we ought to go, So audibly to bless and curse, That he who reads may run.”
Ou seja, a motivação da revista, assim como de Herland, era informar, educar, questionar, servir de motor de mudanças.
É claro, ao menos para mim, as utopias sempre acabam tendo também um sabor distópico, mas isso é normal, segundo o pensamento de Foucault, na minha interpretação, nós não sabemos como será a utopia, mas isso não torna menos importante questionarmos (e desmantelarmos) as estruturas de poder que nos oprimem (e não é essa a vocação humana?).
No caso de Herland, sem contar outros problemas graves com eugenia e o claro preconceito contra certos povos “those amazonian savages” (ou algo assim, se bem que não tenho certeza se isso aparece como uma opinião da autora ou especificamente dos 3 caras), tem o fato de que 'Herland', como a Lauren apontou, carece de uma parte importante da experiência humana, o sexo enquanto forma de prazer. Agora, não acho que Gilman era cega para esse ponto, eu acho que tem ali no meio uma crítica tb a própria sociedade utópica que ela criou. Tanto ela, quanto as mulheres de Herland sabiam que faltava alguma coisa lá, que aquela sociedade estava de alguma forma incompleta. Não estou dizendo que girava tudo em torna da questão do sexo, meu ponto é, na verdade, que a Gilman sabia que, mesmo com todos os méritos que tinha, Herland não era perfeita. Eu acho que de certa forma o personagem de Ellador, em sua insistência de vir para “Ourland” com Van, mesmo tendo uma boa ideia de todas as nossas mazelas, bate um pouco nessa tecla. Não é à toa que o livro é bem mais forte não quando nos diz “em Herland fazemos assim e assim”, mas quando nos pergunta “e vocês, como fazem aí? ”. Ainda a favor disso, me parece que ela bate tb em outra tecla, a de que a humanidade que temos em comum é mais importante que nossas diferenças de gênero. We are all humans damnit! (except for those damn savages :P).
Notem que eu estou usando o termo “sociedade da época” e “nossa sociedade” indistintamente. Estou fazendo isso de propósito, pois acho que quase a totalidade das críticas feitas a sociedade da época se aplicam também a nossa. Sempre que observava aqueles três homens embaraçados, omitindo fatos, se evadindo de perguntas, mentindo, eu pensava “nossa, como eu responderia? ”. Imagine que vc tivesse que explicar nossa sociedade global para um extraterrestre, tivesse que falar da fome, da miséria, das guerras, do preconceito, do desperdício, da desigualdade, como você explicaria tudo isso? O que ele acharia no final? Uma das conclusões mais benévolas que ele poderia ter é a de que estamos ativamente tentando nos destruir a nós mesmos, e se a ele for dado detrair intenção de resultado (e eu acho perfeitamente just que seja), outras tantas ainda piores.
Anyway, achei interessante também ela questionar a maneira como tratamos os animais, não apenas os de estimação, mas outros mamíferos. Gostei muito, especificamente por causa do comentário sobre a Industria do leite depois de me informar sobre a indústria do leite parei de consumir, é muito horrível!). Nesse ponto lembrei do H.G. Wellsque, acho, faz uma crítica ácida a maneira como tratamos os animais em The Island of Dr. Moreau (no caso do Wells, mais voltado para questão da vivissecção), mas ambos, de maneiras diferentes, batem na mesma tecla “aren’t we all animals?”. Meio fora do ponto, mas é que a primeira vez que comecei a considerar me tornar vegetariano foi depois de ter lido “The Island of Dr. Moreau“.... Vou ser sincero, ainda estou falhando miseravelmente:( Parei de beber leite, mas ainda como queijo, e quanto a carne, basicamente o que consegui foi parar de consumir mamíferos, exceto que volta e meia, quando como fora, ainda consumo:( Enfim, estou tentando, é difícil, mas ser carnívoro é algo que não consigo mais justificar intelectualmente para mim mesmo, “eu faço porque eu posso” não é justificativa para nada, but, as always, I digress!
O Terry. Lauren, sei lá, não sei se achei ele mal feito, tipo, como personagem ele é sim, todos eles meio que são, mas é que acho que ele funciona mais como um “stand in” para uma parte da humanidade, ou do comportamento humano, do que como um personagem como esperaríamos em uma obra mais literária. Não sei se falei direito, escrever não é meu forte.
Ultima coisa que esse texto já tá enorme. Pessoal, mesmo aqueles que por ventura não tiverem gostado de Herland, não deixem de ler Yellow WallPaper, como peça literária é muito mais legal, é uma weird tale super creepy, mais creepy ainda pelo fato de ser largamente autobiográfica, vale muito! E o próprio Herland, mesmo considerado exclusivamente como literatura tb não é ruim, é bem legalzinho.
Ah, uma coisa legal que achei, meio nada a ver com o livro mas tem a ver com feminismo. Uma carta que a Ursula K. Le Guinescreveu em 1978 para um editor que pediu para ela escrever um blurb para esse livro aqui: Synergy: New Science Fiction, Volume 1

She is so very witty! :D
Putz, fazer um edit aqui só pq acabei de me deparar com isso na parte de "my quotes":
“The imagination is truly the enemy of bigotry and dogma.”
― Ursula K. Le Guin
https://www.goodreads.com/quotes/6874...
Anyway, ia falar do cáp 5, foi o que mais gostei até agora. É impressionante como basicamente todas as críticas que ela faz a s..."
Pô, vlw Raquel :) Mas é, eu tb fico um pouco apreensivo. Acho que o importante é ter a cabeça aberta e estar sempre disposto a ouvir né. Enfim, acho que livros ajudam bastante, livros ensinam empatia, são janelas para a experiência do "outro", e ai o "outro" deixa de ser o "outro".
Agora, o livro. Achei bem legal, divertido, leitura fácil, divertida. Eu não sou fã de ler por obrigação tb, se não tivesse gostado tinha largado. Mas concordo com a Lauren, como peça literária tem suas falhas, mas como texto político é incrível. E mais, acho esta última é a razão de ser da história, servir como crítica à sociedade da época. Herland foi serializado em 10 partes (uma para cada capitulo) em “The Forerunner” uma revista escrita e editada pela própria Gilman que, mais do que uma escritora, uma mulher singular que se sustentava escrevendo no século 19 e atingiu grande fama na época, era uma humanista, sociologista, socialista, e ativista de marca maior. Sobre a revista Gilman escreveu:
“Then This: It strives in prose and verse, Thought, fancy, fact and fun, To tell the things we ought to know, To point the way we ought to go, So audibly to bless and curse, That he who reads may run.”
Ou seja, a motivação da revista, assim como de Herland, era informar, educar, questionar, servir de motor de mudanças.
É claro, ao menos para mim, as utopias sempre acabam tendo também um sabor distópico, mas isso é normal, segundo o pensamento de Foucault, na minha interpretação, nós não sabemos como será a utopia, mas isso não torna menos importante questionarmos (e desmantelarmos) as estruturas de poder que nos oprimem (e não é essa a vocação humana?).
No caso de Herland, sem contar outros problemas graves com eugenia e o claro preconceito contra certos povos “those amazonian savages” (ou algo assim, se bem que não tenho certeza se isso aparece como uma opinião da autora ou especificamente dos 3 caras), tem o fato de que 'Herland', como a Lauren apontou, carece de uma parte importante da experiência humana, o sexo enquanto forma de prazer. Agora, não acho que Gilman era cega para esse ponto, eu acho que tem ali no meio uma crítica tb a própria sociedade utópica que ela criou. Tanto ela, quanto as mulheres de Herland sabiam que faltava alguma coisa lá, que aquela sociedade estava de alguma forma incompleta. Não estou dizendo que girava tudo em torna da questão do sexo, meu ponto é, na verdade, que a Gilman sabia que, mesmo com todos os méritos que tinha, Herland não era perfeita. Eu acho que de certa forma o personagem de Ellador, em sua insistência de vir para “Ourland” com Van, mesmo tendo uma boa ideia de todas as nossas mazelas, bate um pouco nessa tecla. Não é à toa que o livro é bem mais forte não quando nos diz “em Herland fazemos assim e assim”, mas quando nos pergunta “e vocês, como fazem aí? ”. Ainda a favor disso, me parece que ela bate tb em outra tecla, a de que a humanidade que temos em comum é mais importante que nossas diferenças de gênero. We are all humans damnit! (except for those damn savages :P).
Notem que eu estou usando o termo “sociedade da época” e “nossa sociedade” indistintamente. Estou fazendo isso de propósito, pois acho que quase a totalidade das críticas feitas a sociedade da época se aplicam também a nossa. Sempre que observava aqueles três homens embaraçados, omitindo fatos, se evadindo de perguntas, mentindo, eu pensava “nossa, como eu responderia? ”. Imagine que vc tivesse que explicar nossa sociedade global para um extraterrestre, tivesse que falar da fome, da miséria, das guerras, do preconceito, do desperdício, da desigualdade, como você explicaria tudo isso? O que ele acharia no final? Uma das conclusões mais benévolas que ele poderia ter é a de que estamos ativamente tentando nos destruir a nós mesmos, e se a ele for dado detrair intenção de resultado (e eu acho perfeitamente just que seja), outras tantas ainda piores.
Anyway, achei interessante também ela questionar a maneira como tratamos os animais, não apenas os de estimação, mas outros mamíferos. Gostei muito, especificamente por causa do comentário sobre a Industria do leite depois de me informar sobre a indústria do leite parei de consumir, é muito horrível!). Nesse ponto lembrei do H.G. Wellsque, acho, faz uma crítica ácida a maneira como tratamos os animais em The Island of Dr. Moreau (no caso do Wells, mais voltado para questão da vivissecção), mas ambos, de maneiras diferentes, batem na mesma tecla “aren’t we all animals?”. Meio fora do ponto, mas é que a primeira vez que comecei a considerar me tornar vegetariano foi depois de ter lido “The Island of Dr. Moreau“.... Vou ser sincero, ainda estou falhando miseravelmente:( Parei de beber leite, mas ainda como queijo, e quanto a carne, basicamente o que consegui foi parar de consumir mamíferos, exceto que volta e meia, quando como fora, ainda consumo:( Enfim, estou tentando, é difícil, mas ser carnívoro é algo que não consigo mais justificar intelectualmente para mim mesmo, “eu faço porque eu posso” não é justificativa para nada, but, as always, I digress!
O Terry. Lauren, sei lá, não sei se achei ele mal feito, tipo, como personagem ele é sim, todos eles meio que são, mas é que acho que ele funciona mais como um “stand in” para uma parte da humanidade, ou do comportamento humano, do que como um personagem como esperaríamos em uma obra mais literária. Não sei se falei direito, escrever não é meu forte.
Ultima coisa que esse texto já tá enorme. Pessoal, mesmo aqueles que por ventura não tiverem gostado de Herland, não deixem de ler Yellow WallPaper, como peça literária é muito mais legal, é uma weird tale super creepy, mais creepy ainda pelo fato de ser largamente autobiográfica, vale muito! E o próprio Herland, mesmo considerado exclusivamente como literatura tb não é ruim, é bem legalzinho.
Ah, uma coisa legal que achei, meio nada a ver com o livro mas tem a ver com feminismo. Uma carta que a Ursula K. Le Guinescreveu em 1978 para um editor que pediu para ela escrever um blurb para esse livro aqui: Synergy: New Science Fiction, Volume 1

She is so very witty! :D
Putz, fazer um edit aqui só pq acabei de me deparar com isso na parte de "my quotes":
“The imagination is truly the enemy of bigotry and dogma.”
― Ursula K. Le Guin
https://www.goodreads.com/quotes/6874...
Thiago wrote: "Raquel wrote: "Thiago wrote: "Putz, fui editar e apaguei tudo sem querer, affff :("Thiago, genial essa carta da Le Guin! Coisa linda de se ler. Muito obrigada por compartilhar.
Quero ler o The Yellow Wall-Paper, com certeza. E, de novo, obrigada pelas informações sobre a revista da Charlotte Perkins Gilman.
Sobre vegetarianismo: fui vegetariana por 12 anos, mas já fazem uns 5 anos que voltei a comer peixes e frutos do amor (não pretendo de maneira alguma voltar a comer as outras carnes). Concordo com você, desde a minha adolescência não consigo justificar o consumo de carne intelectualmente.
Voltei a comer peixe porque a vontade bateu forte e resolvi ouvir o recado do corpo, não me privar (afinal, já não comia há muito tempo). Até porque também não cozinho, o que faz com que meu consumo seja algo como 2 vezes por mês.
Estranho é que meu corpo realmente estava mandando um recado: descobri que estava com problemas sérios nos nervos finos - e provavelmente pelo consumo inadequado de proteína. Morei muito tempo na China e, ao contrário do que se imagina, tem poucas opções vegetarianas por lá. Acabei descuidando da alimentação e deu no que deu.
Estou bem agora, sem sintomas. Nunca cheguei perto de ser vegana, mas tenho vários amigos e me parece ser uma opção mais fácil na prática do que se pensa.
Acho que é uma questão de descobrirmos até onde podemos abrir mão do comodismo (e, pra alguns, do prazer) sem fazermos mal a nós mesmos no processo né. Eu apóio, Thiago!
Não sei se tem no Rio, mas experimenta culinária budista. É a melhor coisa que já comi na VIDA.
Opa, vou procurar por aqui (culinária budista) :) É, peixes e frutos do mar não vai rolar mesmo... Adoro japonês, adoro uma boa caldeirada, hmmm... Por enquanto vou parar de consumir mamíferos completamente mesmo e continuar tentando cortar aqueles derivados os quais considero os processos de obtenção especialmente cruéis, tipo leite q já não bebo... E derivados do leite né... queijo... Ainda consigo, 2016 sem derivados do leite! Vou indo :)
Ah é, e vegetais orgânicos que a Monsanto tá foda! :P
Ah é, e vegetais orgânicos que a Monsanto tá foda! :P
Então, eu também não consigo justificar o consumo de carne intelectualmente faz bastante tempo. Mas ao contrário de vocês, eu não tenho a força de vontade para parar completamente. O que eu faço, que achei uma solução possível para agora, é que eu só como animais criados soltos, tratados humanamente, normalmente criados localmente. A gente faz a maioria das nossas refeições em casa, por isso eu consigo controlar as fontes de proteína.
O que aconteceu contigo, Thiago, com relação à indústria do leite, aconteceu comigo em relação à industria das aves (frango em especial). É muita crueldade, e fico de estômago virado só de pensar!
Eu também não como carne em todas as refeições (só mais ou menos metade dos almoços e jantares), mas ainda acho muito.
Mas sempre que eu paro de comer carne, em especial vermelha, por mais de uma semana eu fico bem enfraquecida. O que é uma grande desculpa, porque tenho certeza que se eu fosse a uma nutricionista haveria uma maneira de contornar isso. Um dia eu chego lá...
O que aconteceu contigo, Thiago, com relação à indústria do leite, aconteceu comigo em relação à industria das aves (frango em especial). É muita crueldade, e fico de estômago virado só de pensar!
Eu também não como carne em todas as refeições (só mais ou menos metade dos almoços e jantares), mas ainda acho muito.
Mas sempre que eu paro de comer carne, em especial vermelha, por mais de uma semana eu fico bem enfraquecida. O que é uma grande desculpa, porque tenho certeza que se eu fosse a uma nutricionista haveria uma maneira de contornar isso. Um dia eu chego lá...
É, a industria das aves é horrível mesmo. Eu tento comer frango caipira, ao menos o feirante diz que é tudo criado solto. Temos que trocar dicas de onde comprar comida no rio, recentemente descobri o organomix e tb tem a Rafaela Schiavinatto que entrega comida vegana na Zona Sul (e é tudo muito bom). Btw, se alguém souber onde comprar comida Budhista no Rio conta aê, adorei a dica da Lauren.
Agora, parafraseando a Lauren, nós não temos como lutar todas as batalhas, seja por falta de tempo, de paciência, dinheiro, informação ou de quaisquer outros recursos. Diariamente temos que fazer escolhas, realizar condutas que, de uma maneira ou de outra, tem efeitos negativos, alguns óbvios e outros nem tanto.
Ir morar numa caverna não é uma opção razoável, então temos que viver no mundo em que vivemos, temos que guardar dinheiro no banco, usar fontes de energia para perseguir nossos fins, usar bens que muitas vezes tem trabalho escravo ou análogo na cadeia de produção, e tantas outras coisas, todas com um custo.
Porém, cada vez mais pessoas a se questionam sobre essas coisas, alguns se locomovem de bicicleta, outros reciclam, outros tentam consumir produtos sustentáveis, outros vão pras ruas e protestam, se tornam ativistas, pensadores, enfim, cada um faz o que pode e cada vez mais pessoas pensam, podem e fazem e esses pequenos atos de rebeldia vão se multiplicando. Acho que essa é a tendência da humanidade, aos poucos nós vamos questionando, dilapidando, desmantelando essas opressões, isso me anima :)
Btw:
https://www.youtube.com/watch?v=c9hyA...
Agora, parafraseando a Lauren, nós não temos como lutar todas as batalhas, seja por falta de tempo, de paciência, dinheiro, informação ou de quaisquer outros recursos. Diariamente temos que fazer escolhas, realizar condutas que, de uma maneira ou de outra, tem efeitos negativos, alguns óbvios e outros nem tanto.
Ir morar numa caverna não é uma opção razoável, então temos que viver no mundo em que vivemos, temos que guardar dinheiro no banco, usar fontes de energia para perseguir nossos fins, usar bens que muitas vezes tem trabalho escravo ou análogo na cadeia de produção, e tantas outras coisas, todas com um custo.
Porém, cada vez mais pessoas a se questionam sobre essas coisas, alguns se locomovem de bicicleta, outros reciclam, outros tentam consumir produtos sustentáveis, outros vão pras ruas e protestam, se tornam ativistas, pensadores, enfim, cada um faz o que pode e cada vez mais pessoas pensam, podem e fazem e esses pequenos atos de rebeldia vão se multiplicando. Acho que essa é a tendência da humanidade, aos poucos nós vamos questionando, dilapidando, desmantelando essas opressões, isso me anima :)
Btw:
https://www.youtube.com/watch?v=c9hyA...
Rquel, eu entendo a tua frustração, mas realmente não dá pra tentar salvar o mundo sozinha e se desgastar demais no processo. Fazemos o que podemos e cruzamos os dedos desejando que seja o suficiente. (Aliás, meio off topic mas lembrei disso por livre associação, vocês sabem aquele símbolo de "figa", que fazemos com a mão pra desejar boa sorte? Era um símbolo de fertilidade durante a era romana e representa a genital feminina. hehehe Eu acho isso o máximo, sempre comento com meus alunos).Obrigada pela dica do vídeo, Thiago! Vou tentar me informar mais sobre o assunto, mas ainda bem que não costumo comer chocolate já.
(Outra livre associação: sabiam que o cacau é originário do México? Os europeus só conheceram o chocolate depois de vir às Américas. Difícil imaginar, não? Da Vinci nunca experimentou, nem Aristóteles, nem Cleópatra, etc.. hehe). Meu lado professora super aflorando nesse post hein.
Quanto à comida busdita, vou te adicionar no facebook e mostrar meu álbum de comidas exóticas. Você vai curtir. Me passa teu sobrenome, Thiago! Se você tiver interesse também, Raquel, dá um berro :)
Obrigada pela força moral, gente! Vocês são muito queridos! E Sim! Estou te mandandando uma msg agora Lauren!
É, nem eu... Não sou muito fã de chocolate tb, já fui acusado até de ser uma pessoa ruim por causa disso :D (a pessoa tava brincando).
Não fazia ideia dessa história da figa, muito legal :) Do chocolate eu sabia, mas sabe o que me deixa ainda mais impressionado? Que provavelmente nenhum desses caras que vc mencionou bebeu café! Sério, como o mundo funcionava antes do café???
(view spoiler)
Não fazia ideia dessa história da figa, muito legal :) Do chocolate eu sabia, mas sabe o que me deixa ainda mais impressionado? Que provavelmente nenhum desses caras que vc mencionou bebeu café! Sério, como o mundo funcionava antes do café???
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Facebook é chatinho mesmo, meu medo de sair é perder contatos. Achei um Jack "Saucers", depois vê lá.
É, sei lá. Provavelmente perdi alguns contatos, mas pelo menos uns 300 deles não vão me fazer falta. E assim do alto da minha cabeça tem só duas pessoas que se eu quisesse contactar me daria um pouco mais de trabalho... As vezes faz falta, mas anyway, eu entro direito no próximo facebook... On a side note, eu entrei no twiteer uns tempos atrás, me faz me sentir um velho, I just don't get it...
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participando do tópico um pouco atrasada heheh (demorei pra terminar esse.)
fico imaginando como foi pra ela escrever esse tipo de texto em 1915. estamos em 2015 e várias coisas que ela discutiu ali ainda precisam de reflexão (sobre a educação das crianças, por exemplo). isso me lembra os vários casos de meninas que são impedidas de assistir aulas por conta do dress code, nos EUA, e aparentemente é OK dizer pras meninas não usarem roupas confortáveis pra ir à escola ao invés de ensinar os meninos a respeitá-las.
essa estrutura de texto me lembrou mto o Gulliver's Travels, em que ele usa vários países fictícios pra criticar a sociedade da época.
confesso que me incomodou o fato de não ter muitas partes empolgantes, achei que ela poderia ter explorado mais o ambiente. (view spoiler)
eu acho que, em algum momento, vou ler o With Her in Ourland: Sequel to Herland.
fico imaginando como foi pra ela escrever esse tipo de texto em 1915. estamos em 2015 e várias coisas que ela discutiu ali ainda precisam de reflexão (sobre a educação das crianças, por exemplo). isso me lembra os vários casos de meninas que são impedidas de assistir aulas por conta do dress code, nos EUA, e aparentemente é OK dizer pras meninas não usarem roupas confortáveis pra ir à escola ao invés de ensinar os meninos a respeitá-las.
essa estrutura de texto me lembrou mto o Gulliver's Travels, em que ele usa vários países fictícios pra criticar a sociedade da época.
confesso que me incomodou o fato de não ter muitas partes empolgantes, achei que ela poderia ter explorado mais o ambiente. (view spoiler)
eu acho que, em algum momento, vou ler o With Her in Ourland: Sequel to Herland.
Books mentioned in this topic
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