Goodreads helps you follow your favorite authors. Be the first to learn about new releases!
Start by following Isabela Figueiredo.

Isabela Figueiredo Isabela Figueiredo > Quotes

 

 (?)
Quotes are added by the Goodreads community and are not verified by Goodreads. (Learn more)
Showing 1-30 of 30
“Há pessoas que aparecem na nossa vida por uma porta que se abre, inesperada, e rapidamente desaparecem, engolidas por um alçapão escuro, sem que tenhamos tempo de perceber ao que vieram. Há sempre um motivo qualquer, que muitos anos depois conseguimos descortinar. Vieram satisfazer o nosso desejo de admiração alheia ou de beleza e entretenimento. Vieram possibilitar que conhecêssemos aluguem que também entrou e saiu, e foi importante, porque nos levou a um encontro especial, a um dia diferente, num lugar desconhecido, e nos proporcionou um passeio único, uma noite de beijos, riso e copos, ou uma amizade indestrutível, nesses minutos que a morte não consegue destruir. Ou alguém que ficou. Não há no mundo explicação para a entrada e saída de transeuntes e utentes pelas vidas uns dos outros.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Ainda não sou o que vim cá ser.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Do berço ao caixão precisamos de quem olhe por nós, nos guie e nos escute".”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Fiquei pensativa o resto do dia, com um entusiasmo triste, como nos dias em que de repente nos acontece o que mais desejamos: um filho, um curso concluído com distinção ou um texto aprovado para publicação, não existindo com quem partilhar a satisfação de um «viste?!». A vitória dos solitários não tem testemunhas e torna a solidão mais só. Ninguém nos olha com orgulho. Ninguém nos dirige uma palavra de apreço. Estamos sempre iguais na solidão, sempre os mesmos, e é por isso que ignoramos os sucessos e nos concentramos no telejornal, como se não houvesse louça para lavar na bancada. E depois lavamo-la. De manhã. Ou à tarde. Depois.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“oriento-me entre aquilo que sonho e o que o destino me autoriza.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Não terem acordado ao lado do objeto amado, não terem iniciado os gestos ou as palavras do amor não amputou a paixão. amaram na presença e na ausência. É assim que se faz. O amor não anda ao nosso lado, o amor anda à solta nos peitos, como um pássaro engaiolado. Adormece-nos. Desperta-nos. Faz-nos sair e voltar a casa. Chorar. Rir. E se isto não é viver, o que é a vida?”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“A culpa da morte de um amor impossível não haveria de ser pior do que a lucidez de o ter perdido.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Todos temos uma prisão, por vezes secreta. Aquilo que ainda não se realizou. Aquilo que nunca deveria ter acontecido. Prisões simbólicas que as nossas almas habitam no silêncio.”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Mas um matadouro, para mim, não é apenas desagradável: é o Inferno! Tenho de os ignorar para conseguir viver. Sabe que desvio os olhos das montras dos talhos, quando passo em frente? Tem noção do grau de insensibilidade a que tem de se chegar para trabalhar nesses sítios? Para onde vai o sangue que escorre de dentro desses cadáveres?
Para as entranhas da terra?”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Tirando a fantasia que nos arranca à escuridão parada dos dias sucedendo-se indistintamente, o que vale o tempo que nos foi dado ou que viemos procurar?”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Nessa ausência de luz precisava de lhe dizer a verdade pela primeira vez. Despejar o saco da frieza e do ressentimnto. Eu era uma miséria de mulher, um torpor, uma dor que já nem dói. Um farrapo de lã que já não aquece. Já não pretendia esconder-me do que tinha sido e fingir uma perfeição que não me assentava. Quebrava-me de novo fragmentos, com se quebra o vidro e as pessoas. E de cada vez que me quebrava não era possível voltar ao que tinha sido antes. E era asim há muito tempo.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“A compreensão é um castigo. Nunca mais se consegue ignorar a jaula nem o jugo.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Quando aqueles que amamos se vão embora sentimos que ninguém nos espera e que já não há por quem esperar. Há uma voz estúpida dentro de nós que acredita que alguém nos telefonará de algures, nos dirá que tem saudades, que nos ama e precisa de nós. Que importamos ainda, que tudo pode acontecer no tempo que nos resta. Digo estúpida porque o nosso tempo acabou. Estamos só. Digo estúpida porque tudo morre quando os que amamos se vão embora. O coração vazio é uma casa em ruínas. Uma casa que morre.”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Sonhei matá-lo, mas, em nome da sua paz, e do que para mim estava perdido, abdiquei do projeto. Não matamos. Aceitamos a derrota. Parece um filme reles, mas o amor é um filme de péssima qualidade.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Ganho assim o tempo necessário para o distanciamento e desapego, porque o que fica longe da vista se vai inexoravelmente afastando do coração.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“quanto tempo permanecerás sobre a cova onde o teu passado apodrece?”
Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
“Os animais são uma prioridade na minha vida. Não posso evitá-lo, tal como não posso evitar dormir ou lavar as mãos quando estão sujas.”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Quanto custava o amor?
O meu corpo, devagar, a minha terra. Materializei-me nela, e todos os dias voltava ao anoitecer à minha terra, e dela saía de manhã.”
Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
“Todos calam os seus segredos. O seu lixo. Na véspera da morte hão de valer menos do que o copo de vinho barato que já não conseguem beber. Falhámos todos. Alguém nos sustente. Nos ature. O Estado, os ricos, os misericordiosos. Uma alma piedosa, de uma piedade que nós perdemos.”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Aquele paraíso de interminável pôr-do-sol salmão e odor a caril e terra vermelha era um enorme campo de concentração de negros sem identidade, sem a propriedade do seu corpo, logo, sem existência.”
Isabela Figueiredo
“...afundo-me na terra de carne, sangue e fogo, até o cérebro sentir, ao fundo, cada vez mais perto, ao seu redor, uma emanação de dor opiácea, que se mostra e esconde, como o lume num isqueiro gasto que procuro acender. Sacolejando-me, procuro o ponto de ignição, vem coisa imaterial ao redor de mim, vem, e há um instante em que agarro essa névoa por um braço, perna, um farrapo, a agarro toda, a puxo com força, a seguro, tenho-a, prendo-a, e, mantendo-a, deixo-a rebentar no momento em que cruza inteira o tamanho do meu corpo, não sei em que direção, vai, não sei quem sou, não pertenço a lugar algum, sexo e cérebro são uma esfera de luz-prata na qual nos suspendemos por segundos, não mais, cegos, só dor luminosa no lugar do nada, ópio que não pode durar mais ou morremos, e está a ir, os restos tornam-se mais fracos, acaba, agora só a carne usada, dormente, deixando-nos moles, esgotados, humanos de novo, ofegantes, os dois corações pulsando um contra o outro, cada um em seu peito, ignorantes.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Não há limites numa revolução”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“As pessoas varrem sempre para debaixo do tapete aquilo que não querem ver ou para que não têm soluções.”
Isabela Figueiredo, Um Cão no Meio do Caminho
“Moçambique é essa imagem parada da menina ao sol, com as tranças louras impecavelmente penteadas, perante a criança negra empoeirada, quase nua, esfomeada, num silêncio em que nenhum sabe o que dizer, mirando-se do mesmo lado e dos lados opostos da justiça, do bem e do mal, da sobrevivência.”
Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
“um desterrado é também uma estátua de culpa. e a culpa, a culpa, a culpa que deixamos crescer e enrolar-se por dentro de nós como uma trepadeira incolor, ata-nos ao silêncio, à solidão, ao insolúvel desterro.”
Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
“Por vezes considero que perdi muito tempo, no passado, desgostando de mim, mas reformulo a ideia concluindo que o tempo perdido é tão verdadeiramente vivido na perdição como o que se pensa ter ganho na possessão.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Estou só como no dia anterior àquele em que nasci, ainda na barriga da mamã, mas sem a conhecer e ignorando absurdamente a jornada que me esperava. Eu, mistério de carne insatisfeito. Eu, tempestade sobre as quatro estações. Eu, forte e fraca de tudo. Já não me espera a obrigação de vencer, de voar acima da miséria, da desordem e da aparência. Nada me espera, mas lembro-me de que ainda estou na vida. Obrigo-me a comer a sopa de feijão-verde repetindo esta ideia: tens anos para cumprir. Aguenta-te. Isto ainda vai melhorar.
E agora? A mesma pergunta, ciclo após ciclo. E agora? O que me resta sem eles, sem nada por que esperar, a que obedecer, respeitar, cuidar?! Sem amarras, sem âncora, sem desejo de fuga? Como é que se vive?!”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Ele repetira-me demasiadas vezes a sua lenda preferida, a de São Martinho, o que reparte a capa. Portanto, tendo absorvido uma mensagem tão generosa, podia gastar o seu latim à vontade com a conversa dos pretos.”
Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
“A mamã ensinou-me a viver sozinha. Explicava-me, "nunca temos amigos. As pessoas estão de passagem, por interesses diversos. Quando o interesse acaba, desaparecem. Um dia precisarás mesmo de alguém, e perceberás que afinal não há uma alma disponível para te ajudar. A amizade não passa disto.”
Isabela Figueiredo, A Gorda
“Estou aqui de passagem, é para seguir em frente, sou de ferro e ninguém me dobra. Em silêncio, sou sempre eu e o que em mim se compõe e apruma.”
Isabela Figueiredo, A Gorda

All Quotes | Add A Quote
A Gorda A Gorda
5,587 ratings
Um Cão no Meio do Caminho Um Cão no Meio do Caminho
2,528 ratings
Open Preview