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“Todas as casas onde há livros e quadros e discos são bonitas. E são feias todas as casas, por mais luxuosas, onde faltem essas coisas."
―Eugénio de Andrade”
―
―Eugénio de Andrade”
―
“Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.”
―
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.”
―
“We’ve worn our words to death,
when now I say: my love,
nothing happens, absolutely nothing.
And yet, before the words were spent,
I’m certain
that everything trembled
at the mere murmur of your name
in the silence of my heart.
Now we have nothing to give.
There is nothing within you
that asks me for water.
The past is useless as a rag.
And I’ve told you already: the words are spent.
Good-bye.”
― Forbidden Words: Selected Poetry
when now I say: my love,
nothing happens, absolutely nothing.
And yet, before the words were spent,
I’m certain
that everything trembled
at the mere murmur of your name
in the silence of my heart.
Now we have nothing to give.
There is nothing within you
that asks me for water.
The past is useless as a rag.
And I’ve told you already: the words are spent.
Good-bye.”
― Forbidden Words: Selected Poetry
“Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.”
―
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.”
―
“It's urgent-love.
It's urgent- a boat upon the sea.
It's urgent to destroy certain words,
hate, solitude, and cruelty,
some mornings,
many swords.
It's urgent to invent a joyfulness,
multiply kisses and cornfields,
discover roses and rivers
and glistening mornings- it's urgent.
Silence and an impure light fall upon our shoulders till they ache.
It's urgent- love, it's urgent
to endure.”
― Forbidden Words: Selected Poetry
It's urgent- a boat upon the sea.
It's urgent to destroy certain words,
hate, solitude, and cruelty,
some mornings,
many swords.
It's urgent to invent a joyfulness,
multiply kisses and cornfields,
discover roses and rivers
and glistening mornings- it's urgent.
Silence and an impure light fall upon our shoulders till they ache.
It's urgent- love, it's urgent
to endure.”
― Forbidden Words: Selected Poetry
“As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.”
― As Palavras Interditas / Até Amanhã
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.”
― As Palavras Interditas / Até Amanhã
“Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.”
―
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.”
―
“Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.”
― Rosto Precário
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.”
― Rosto Precário
“A Solidão não é forçosamente Negativa, pelo contrário, até me parece um Privilégio.
Talvez a minha Solidão seja Excessiva, mas eu Detestei sempre as coisas Mundanas.
Estar com as Pessoas apenas para gastar as Horas é-me Insuportável…”
― Rosto Precário
Talvez a minha Solidão seja Excessiva, mas eu Detestei sempre as coisas Mundanas.
Estar com as Pessoas apenas para gastar as Horas é-me Insuportável…”
― Rosto Precário
“Também eu já me sentei algumas vezes às portas do crepúsculo, mas quero dizer-te que o meu comércio não é o da alma, há igrejas de sobra e ninguém te impede de entrar. Morre se quiseres por um deus ou pela pátria, isso é contigo; pode até acontecer que morras por qualquer coisa que te pertença, pois sempre pátrias e deuses foram propriedade apenas de alguns, mas não me peças a mim, que só conheço os caminhos da sede, que te mostre a direcção das nascentes.”
― Memória Doutro Rio
― Memória Doutro Rio
“Receding Surf
― Forbidden Words: Selected Poetry
The cool violence of wine;”
the furrows of receding surf; the morning whistle
of the shepherd, more propitious for art
than all the music of the spheres;
this pride at having in one’s heart the spilled milk of the stars.
― Forbidden Words: Selected Poetry
“No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.”
― Os Amantes Sem Dinheiro: Poemas
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.”
― Os Amantes Sem Dinheiro: Poemas
“A FORMIGA
Sete palmos, sete metros,
anda a formiga por dia
(sete palmos a correr,
sete metros devagar),
só para lamber o mel
que lentamente escorria
quer da boca quer do pão
quer dos dedos do Miguel.”
― Aquela Nuvem E Outras
Sete palmos, sete metros,
anda a formiga por dia
(sete palmos a correr,
sete metros devagar),
só para lamber o mel
que lentamente escorria
quer da boca quer do pão
quer dos dedos do Miguel.”
― Aquela Nuvem E Outras
“Às vezes sinto-me tão desesperado que me sento a escrever como quem chora”.
Eugénio de Andrade”
― Poemas
Eugénio de Andrade”
― Poemas
“Era Setembro, era onde a sombra rói os ramos. Os corpos são mais jovens nestas dunas, e só os jovens nos podem ensinar. Por isso os procuramos; e a pergunta é sempre a mesma - como se morre? Envelhecer não é assim tão simples, por mais que o digam. Quantos dias de sol o declínio nos reserva? Por quanto tempo poderemos amá-los, a esses jovens, sem os ofender? Esta alegria de noutros corpos sermos ainda alguma juventude, como guardá-la, sem a degradar?”
―
―
“I Do Not Sing Because I Dream
― Forbidden Words: Selected Poetry
I do not sing because I dream.”
I simply sing because you’re real.
I sing your ripened gaze,
your purest smile,
your animal grace.
I sing because I am a man.
And if I didn’t sing I’d be
just a brute, bursting with health, blind
drunk and dizzy with delight
there in your vineyard without wine.
I sing because love wishes it.
Because hay ripens
in your arms, glistening wet.
Because my body tightens
facing them, bare and bathed in sweat.
― Forbidden Words: Selected Poetry
“Passo e amo e ardo
Água? Brisa? Luz?
Não sei. E tenho pressa;
Levo comigo uma criança
que nunca viu o mar.”
― Coração do Dia / Mar de Setembro
Água? Brisa? Luz?
Não sei. E tenho pressa;
Levo comigo uma criança
que nunca viu o mar.”
― Coração do Dia / Mar de Setembro
“Life has only one expression, the one where the rooster crows, the one where you listen to it, moved, knowing that the night cannot contain it.”
― Vertentes do Olhar
― Vertentes do Olhar
“Pela noite adiante, com a morte na algibeira,
cada homem procura um rio para dormir,
e com os pés na lua ou num grão de areia
enrola-se no sono que lhe quer fugir.
Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
Dez-réis de amor foram gastos a esperar.
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.”
― Os Amantes Sem Dinheiro: Poemas
cada homem procura um rio para dormir,
e com os pés na lua ou num grão de areia
enrola-se no sono que lhe quer fugir.
Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
Dez-réis de amor foram gastos a esperar.
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.”
― Os Amantes Sem Dinheiro: Poemas
“Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.”
― Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.”
― Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro
“Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás nas mãos de quem te espera.”
― Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás nas mãos de quem te espera.”
― Primeiros Poemas / As Mãos e Os Frutos / Os Amantes Sem Dinheiro




