Goodreads helps you follow your favorite authors. Be the first to learn about new releases!
Start by following Ingrid Gerolimich.

Ingrid Gerolimich Ingrid Gerolimich > Quotes

 

 (?)
Quotes are added by the Goodreads community and are not verified by Goodreads. (Learn more)
Showing 1-9 of 9
“Sim, nos apaixonamos por noites incríveis, por um filme, uma música, um cobertor macio, pela risada de alguém que nunca mais veremos, pelo som do avião decolando rumo à viagem tão esperada. E isso nos mostra que a vida acontece em toda a sua grandeza nos pequenos momentos, aqueles aos quais não damos tanta importância, pois talvez estejamos ocupadas demais sonhando com a utopia do “e foram felizes para sempre”.
Portanto, é essencial que façamos nascer uma outra cultura amorosa, para além do amor conjugal. É essencial pensar o presente e o futuro a partir de novas produções de sentido capazes dar significado à vida para além das imposições sociais que limitam a existência feminina a um par amoroso.
Descobrir e honrar o encantamento que existe em tantas outras coisas fará com que atravessemos o luto pelo amor romântico rumo a uma nova e mais plena forma de amar. Pois amar é jornada, não o destino.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“O mito da feminilidade como instrumento de controle dos afetos e corpos femininos veio, aos poucos, realizando o trabalho de apagamento da mulher como protagonista da história para revivê-la como uma personagem frágil, passiva, desprovida de capacidade intelectual — tudo isso porque, na verdade, o poder da mulher sempre foi uma ameaça ao patriarcado. Para tanto, não bastava ter o controle das mulheres pela via da força física, era necessário criar um corpo psíquico para abrigar essa nova personalidade que estava sendo tecida como tentativa de fazer da mulher uma colcha de retalhos humana costurada por linhas que bordam sua docilização e passividade, ainda que diante de um mundo hostil à sua presença, que deveria gerar revolta no lugar de resignação.
Um exemplo disso é como a raiva, que sempre foi sinônimo de virilidade e força no homem, passou a ser um sentimento negado à mulher. Eu mesma, desde criança, ouvia que ninguém gosta de menina que sente raiva e, como alguém que sempre teve a intensidade de um vulcão em erupção, cresci acreditando que dificilmente seria amada, já que não conseguia extirpar a raiva que carregava no peito, por mais que tentasse.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Para conhecermos o amor, primeiro precisamos aprender a responder às nossas necessidades emocionais”, diz bell hooks (2006, p. 6). Muito foi ensinado às mulheres sobre o amor, muito é exigido das mulheres em relação ao amor, a diferença entre nós e os homens nesse quesito é que, enquanto os homens foram ensinados desde cedo a amarem a si, as mulheres desde sempre foram ensinadas a amar os homens no lugar de si mesmas.
Neste sentido, ter amigas faz parte do cuidado de si, pois assegura à mulher, através do processo de fala e escuta, traçar os caminhos de construção da sua subjetividade, o que lhe permitirá ressignificar a realidade à sua volta e a própria ideia que tem de si mesma. Disse Espinosa (2008) que “o corpo humano pode ser afetado de muitas maneiras, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, enquanto outras não tornam sua potência de agir nem maior nem menor”. A amizade torna maior a nossa potência de agir.
Não é por acaso que uma das primeiras coisas que um abusador faz em um relacionamento abusivo é tentar afastar a mulher de suas amigas. O abusador sabe que, na maior parte das vezes, é através delas que a mulher poderá tomar consciência não só do abuso, mas de seu valor, já que muitas mulheres se mantêm em uma relação abusiva em função de uma construção psíquica que historicamente lhe coloca na posição de objeto do sadismo alheio.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“A amizade foi, por muito tempo, uma virtude moral, uma das maiores. Isso só mudou com o nascimento da sociedade capitalista e, com ela, do individualismo e da competição. “A sociedade capitalista considerava a amizade como manifestação de ‘sentimentalismo’; portanto, como uma fraqueza de espírito completamente inútil e até nociva para a realização das tarefas de classe burguesas”, diz Kollontai (1982) em seu texto.
O capitalismo e o patriarcado atribuíram ao amor o mesmo princípio de propriedade que regula o modo de vida em nossa sociedade até hoje. Amar, então, tornou-se sinônimo de posse: é preciso possuir o coração do ser amado. O amor nessa configuração perde sua amplitude e passa a ficar restrito às relações conjugais e familiares.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“A demonização da mulher é um projeto político de poder que nasce com a cultura viriarcal e segue acontecendo de diferentes maneiras ao longo dos tempos, gerando consequências psíquicas para as gerações de mulheres que nascem depois. São séculos sendo retratadas da forma mais aviltante, carregando uma culpa apenas por existir sem que tenhamos compreendido como se instalou e que nos ronda como um fantasma, pois permitimos que esteja ali pela sensação de que nos é familiar. A culpa por dores e sofrimentos que não fomos nós quem criamos. Isso é o que se chama de violência simbólica.
Portanto, um dos nossos maiores desafios enquanto mulheres é nos livrarmos desta carga psíquica que nos oprime a partir de narrativas mitológicas que tentaram nos fazer prisioneiras de culpas estrategicamente inventadas para nós.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Assim como as mercadorias, o amor foi fetichizado pelo capitalismo. A cultura produz e molda desejos, incentivando as pessoas a buscarem e consumirem formas específicas de amor. O capitalismo criou aquilo que Karl Marx (1988) chamou de fetiche da mercadoria. A palavra “fetiche” vem do termo “feitiço” e é usada por Marx para descrever o processo pelo qual as mercadorias ganham uma aparência de autonomia e poder que obscurece as verdadeiras relações sociais e laborais que as produziram, para que as pessoas passem a comprar um produto não mais somente pela sua utilidade, mas pelo que é capaz de despertar em termos emocionais no comprador. Uma bolsa, por exemplo, não serve só para carregar coisas, ela é símbolo de status dependendo da marca que a produz.
E, assim como a fetichização da mercadoria, a fetichização do amor conjugal tornou-se uma estratégia fundamental de produção subjetiva capaz de atuar como dispositivo de controle e sujeição dos corpos, principalmente os das mulheres, às narrativas construídas pelo capital com o objetivo de aumentar a produção e consumo. A fetichização do amor conjugal ocorre quando as relações amorosas e afetivas são transformadas em mercadorias ou produtos. Isso significa que o amor é comercializado e moldado de acordo com as necessidades do mercado, desvirtuando seu valor intrínseco e transformando-o em um meio de lucro e controle social. A estrutura familiar tradicional é, muitas vezes, promovida como um pilar da estabilidade social. No entanto, essa prática também serve aos interesses do capitalismo ao criar unidades de consumo previsíveis e controláveis.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Um deus macho cria o mundo sozinho.” Até o caráter sagrado relativo ao poder de trazer vida ao mundo foi retirado das mulheres. No mito de Adão e Eva, a mulher foi criada da costela do homem. Na mitologia grega, Atenas, a deusa da sabedoria, nasceu da cabeça de Zeus.
Mais adiante na história, temos a caça às bruxas, o período trevoso que ocorreu principalmente entre os séculos XV e XVIII. Este é um radical exemplo de como as mulheres foram caçadas, torturadas e mortas por não se conformarem com as imposições sociais de submissão e domesticidade, o que refletia e reforçava a dominação patriarcal da sociedade na qual o poder masculino era central e qualquer forma de ameaçar esse poder deveria ser impedida. As mulheres que exerciam autonomia ou desafiavam as normas estabelecidas eram frequentemente vistas como uma ameaça e eram alvo de atroz perseguição.
As acusações de bruxaria também estavam muito ligadas à sexualidade das mulheres. A caça às bruxas foi usada como uma forma de controlar e reprimir a sexualidade feminina, particularmente aquela que estava fora dos limites do casamento e da procriação. Mulheres solteiras ou viúvas que eram sexualmente ativas podiam ser acusadas de bruxaria como uma forma de puni-las e controlá-las.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Por outro lado, a psicanalista Karen Horney chegou a afirmar que os homens sentiriam mais inveja das mulheres, caso contrário, não precisariam depreciá-las tanto. Winnicott (1989) reforça essa ideia e afirma que não só há uma inveja do homem sobre a mulher, pela onipotência da geração e nutrição da vida — “todo homem e toda mulher vieram de uma mulher” —, como há, em suas palavras, uma desmedida “enfatização” masculina em apontar a suposta castração feminina como forma de negar a importância da mulher e, assim, mantê-la sob controle.
Agora, digamos que o pensamento de Abraham estivesse certo e os movimentos feministas tenham se dado em função de uma pretensa inveja do falo. Sabemos que tais movimentos sempre se basearam na luta por igualdade no tratamento da sociedade às mulheres, de forma a promover justiça social não importando o gênero. Então, esses mesmos movimentos foram negativos ou positivos à sociedade de maneira geral?
Até onde podemos ver, o feminismo não é responsável pela morte de um único homem, o feminismo não resultou na perda de nenhum direito masculino, não persegue, não oprime, não ameaça a existência dos homens.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Então, se me perguntam se a amizade feminina é o novo amor romântico, digo que não. A amizade feminina não é uma substituta do amor romântico, ela é aquela que nos revela que o amor é muito mais do que este que sempre foi vendido para nós como o único caminho possível para a felicidade — até porque a realidade tem se mostrado bem diferente, casamento e felicidade nem sempre tem sido uma união tão estável assim para muitas mulheres.
A amizade feminina é caminho para que nos libertemos deste modo de relacionamento criado para atar a mulher aos interesses políticos e econômicos da cultura capitalista e patriarcal. É a amizade feminina quem nos ensina sobre o amor, um amor que é revolucionário, pois nos convoca a nos amarmos antes de estarmos dispostas a amar o outro. É através da amizade com outras mulheres que reconhecemos a nós mesmas e o mundo à nossa volta. E, através da costura desses afetos, vamos também criando o mundo em que queremos viver.”
Ingrid Gerolimich, Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres

All Quotes | Add A Quote