Psicanalise Quotes
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“O outro não é apenas um duplo especular, ao modo de um espelho do Eu. Para começar, o outro tem dois olhos, não apenas um. Então em qual ponto de vista devemos nos colocar? Se os olhos piscam ao mesmo tempo, a imagem permanece ainda que não esteja em presença. Mas, se alternamos o piscar entre um olho e outro, o objeto começa a se movimentar, em função de um efeito de ilusão chamado paralaxe. Ou seja, o fato de nós termos uma visão binocular e supormos no outro um único ponto de vista corresponde a uma diferença estrutural entre o eu e o outro. Isso ocorre também porque há um ponto de ausência na visão, bem no centro do cone ótico, chamado mácula. Além disso, a visão, tomada nesse sentido geométrico, equivale à audição, não à escuta. Para escutar e não só ouvir, assim como olhar e não só ver, é preciso subtrair a representação antecipada que fazemos do outro, da imagem, e que não é uma ilusão ótica, mas uma ilusão cognitiva. Quando alguém começa a aprender a arte do desenho, uma das primeiras lições, e talvez a mais importante, no sentido inaugural, é que você deve se ater ao que objetivamente está vendo, não ao que se “sabe” sobre o formato de uma maçã ou das arestas de um cubo.
Isso significa que, para que os dois olhos colaborem na apreensão de uma única imagem, é preciso pensar a partir do quadro, colocar-se no lugar do outro, mas também supor o que o quadro “ignora” sobre sua própria composição. Por exemplo, o tamanho, a disposição e a distribuição dos volumes impõem involuntariamente ao observador que se coloque no ponto exato em que o quadro forma uma boa imagem. Se nos colocamos a menos de um palmo ou a mais de cem metros da Mona Lisa, sua experiência estética simplesmente será outra. Ocorre que, nesse ponto, ao qual nos ajustamos automaticamente – como ajustamos a distância exata à qual um bebê é capaz de formar seu foco visual, sem que ninguém tenha nos ensinado isso –, emerge outro fenômeno: nos vemos sendo vistos. Nossa percepção é a de que fazemos parte da tela e estamos imersos no espaço do museu. Ou seja, recebemos nossa própria imagem, que nos enxerga ali onde não nos vemos. É assim também com a escuta. Reconhecemos o que o outro não escuta, o que ele mesmo diz, e não adianta simplesmente dizer isso, gritar ou se exasperar, porque ele não escuta. E isso acontece porque, no fundo, “não pode escutar”, pois aquilo foi feito para ficar nessa zona cinzenta do não escutado.
Não obstante, há restos – penumbras, zonas de transição, rastros daquilo que não se escuta perfeitamente –, mas que se denunciam como ruídos, particularmente em distorções, exageros, inibições e excepcionalidades da sua expressividade. O senso comum tenta eliminar tais ruídos entendendo que atrapalham a funcionalidade das relações. A psicanálise dá atenção a essas bobagens e imperfeições comunicativas, pois presume que nelas falta o que não pode ser realmente escutado e que de fato está determinando impasses relacionais.”
― A arte de amar
Isso significa que, para que os dois olhos colaborem na apreensão de uma única imagem, é preciso pensar a partir do quadro, colocar-se no lugar do outro, mas também supor o que o quadro “ignora” sobre sua própria composição. Por exemplo, o tamanho, a disposição e a distribuição dos volumes impõem involuntariamente ao observador que se coloque no ponto exato em que o quadro forma uma boa imagem. Se nos colocamos a menos de um palmo ou a mais de cem metros da Mona Lisa, sua experiência estética simplesmente será outra. Ocorre que, nesse ponto, ao qual nos ajustamos automaticamente – como ajustamos a distância exata à qual um bebê é capaz de formar seu foco visual, sem que ninguém tenha nos ensinado isso –, emerge outro fenômeno: nos vemos sendo vistos. Nossa percepção é a de que fazemos parte da tela e estamos imersos no espaço do museu. Ou seja, recebemos nossa própria imagem, que nos enxerga ali onde não nos vemos. É assim também com a escuta. Reconhecemos o que o outro não escuta, o que ele mesmo diz, e não adianta simplesmente dizer isso, gritar ou se exasperar, porque ele não escuta. E isso acontece porque, no fundo, “não pode escutar”, pois aquilo foi feito para ficar nessa zona cinzenta do não escutado.
Não obstante, há restos – penumbras, zonas de transição, rastros daquilo que não se escuta perfeitamente –, mas que se denunciam como ruídos, particularmente em distorções, exageros, inibições e excepcionalidades da sua expressividade. O senso comum tenta eliminar tais ruídos entendendo que atrapalham a funcionalidade das relações. A psicanálise dá atenção a essas bobagens e imperfeições comunicativas, pois presume que nelas falta o que não pode ser realmente escutado e que de fato está determinando impasses relacionais.”
― A arte de amar
“O mito da feminilidade como instrumento de controle dos afetos e corpos femininos veio, aos poucos, realizando o trabalho de apagamento da mulher como protagonista da história para revivê-la como uma personagem frágil, passiva, desprovida de capacidade intelectual — tudo isso porque, na verdade, o poder da mulher sempre foi uma ameaça ao patriarcado. Para tanto, não bastava ter o controle das mulheres pela via da força física, era necessário criar um corpo psíquico para abrigar essa nova personalidade que estava sendo tecida como tentativa de fazer da mulher uma colcha de retalhos humana costurada por linhas que bordam sua docilização e passividade, ainda que diante de um mundo hostil à sua presença, que deveria gerar revolta no lugar de resignação.
Um exemplo disso é como a raiva, que sempre foi sinônimo de virilidade e força no homem, passou a ser um sentimento negado à mulher. Eu mesma, desde criança, ouvia que ninguém gosta de menina que sente raiva e, como alguém que sempre teve a intensidade de um vulcão em erupção, cresci acreditando que dificilmente seria amada, já que não conseguia extirpar a raiva que carregava no peito, por mais que tentasse.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
Um exemplo disso é como a raiva, que sempre foi sinônimo de virilidade e força no homem, passou a ser um sentimento negado à mulher. Eu mesma, desde criança, ouvia que ninguém gosta de menina que sente raiva e, como alguém que sempre teve a intensidade de um vulcão em erupção, cresci acreditando que dificilmente seria amada, já que não conseguia extirpar a raiva que carregava no peito, por mais que tentasse.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Um deus macho cria o mundo sozinho.” Até o caráter sagrado relativo ao poder de trazer vida ao mundo foi retirado das mulheres. No mito de Adão e Eva, a mulher foi criada da costela do homem. Na mitologia grega, Atenas, a deusa da sabedoria, nasceu da cabeça de Zeus.
Mais adiante na história, temos a caça às bruxas, o período trevoso que ocorreu principalmente entre os séculos XV e XVIII. Este é um radical exemplo de como as mulheres foram caçadas, torturadas e mortas por não se conformarem com as imposições sociais de submissão e domesticidade, o que refletia e reforçava a dominação patriarcal da sociedade na qual o poder masculino era central e qualquer forma de ameaçar esse poder deveria ser impedida. As mulheres que exerciam autonomia ou desafiavam as normas estabelecidas eram frequentemente vistas como uma ameaça e eram alvo de atroz perseguição.
As acusações de bruxaria também estavam muito ligadas à sexualidade das mulheres. A caça às bruxas foi usada como uma forma de controlar e reprimir a sexualidade feminina, particularmente aquela que estava fora dos limites do casamento e da procriação. Mulheres solteiras ou viúvas que eram sexualmente ativas podiam ser acusadas de bruxaria como uma forma de puni-las e controlá-las.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
Mais adiante na história, temos a caça às bruxas, o período trevoso que ocorreu principalmente entre os séculos XV e XVIII. Este é um radical exemplo de como as mulheres foram caçadas, torturadas e mortas por não se conformarem com as imposições sociais de submissão e domesticidade, o que refletia e reforçava a dominação patriarcal da sociedade na qual o poder masculino era central e qualquer forma de ameaçar esse poder deveria ser impedida. As mulheres que exerciam autonomia ou desafiavam as normas estabelecidas eram frequentemente vistas como uma ameaça e eram alvo de atroz perseguição.
As acusações de bruxaria também estavam muito ligadas à sexualidade das mulheres. A caça às bruxas foi usada como uma forma de controlar e reprimir a sexualidade feminina, particularmente aquela que estava fora dos limites do casamento e da procriação. Mulheres solteiras ou viúvas que eram sexualmente ativas podiam ser acusadas de bruxaria como uma forma de puni-las e controlá-las.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“A demonização da mulher é um projeto político de poder que nasce com a cultura viriarcal e segue acontecendo de diferentes maneiras ao longo dos tempos, gerando consequências psíquicas para as gerações de mulheres que nascem depois. São séculos sendo retratadas da forma mais aviltante, carregando uma culpa apenas por existir sem que tenhamos compreendido como se instalou e que nos ronda como um fantasma, pois permitimos que esteja ali pela sensação de que nos é familiar. A culpa por dores e sofrimentos que não fomos nós quem criamos. Isso é o que se chama de violência simbólica.
Portanto, um dos nossos maiores desafios enquanto mulheres é nos livrarmos desta carga psíquica que nos oprime a partir de narrativas mitológicas que tentaram nos fazer prisioneiras de culpas estrategicamente inventadas para nós.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
Portanto, um dos nossos maiores desafios enquanto mulheres é nos livrarmos desta carga psíquica que nos oprime a partir de narrativas mitológicas que tentaram nos fazer prisioneiras de culpas estrategicamente inventadas para nós.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“Por outro lado, a psicanalista Karen Horney chegou a afirmar que os homens sentiriam mais inveja das mulheres, caso contrário, não precisariam depreciá-las tanto. Winnicott (1989) reforça essa ideia e afirma que não só há uma inveja do homem sobre a mulher, pela onipotência da geração e nutrição da vida — “todo homem e toda mulher vieram de uma mulher” —, como há, em suas palavras, uma desmedida “enfatização” masculina em apontar a suposta castração feminina como forma de negar a importância da mulher e, assim, mantê-la sob controle.
Agora, digamos que o pensamento de Abraham estivesse certo e os movimentos feministas tenham se dado em função de uma pretensa inveja do falo. Sabemos que tais movimentos sempre se basearam na luta por igualdade no tratamento da sociedade às mulheres, de forma a promover justiça social não importando o gênero. Então, esses mesmos movimentos foram negativos ou positivos à sociedade de maneira geral?
Até onde podemos ver, o feminismo não é responsável pela morte de um único homem, o feminismo não resultou na perda de nenhum direito masculino, não persegue, não oprime, não ameaça a existência dos homens.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
Agora, digamos que o pensamento de Abraham estivesse certo e os movimentos feministas tenham se dado em função de uma pretensa inveja do falo. Sabemos que tais movimentos sempre se basearam na luta por igualdade no tratamento da sociedade às mulheres, de forma a promover justiça social não importando o gênero. Então, esses mesmos movimentos foram negativos ou positivos à sociedade de maneira geral?
Até onde podemos ver, o feminismo não é responsável pela morte de um único homem, o feminismo não resultou na perda de nenhum direito masculino, não persegue, não oprime, não ameaça a existência dos homens.”
― Para revolucionar o amor: A crise do amor romântico e o poder da amizade entre mulheres
“As entrevistas iniciais — sempre mais de uma, pois também se trata de avaliar os efeitos que cada entrevista tem sobre a seguinte — servem para tornar claro que o paciente só poderá ser tomado em análise na medida em que se colocar em questão. “Por que eu?” “Por que eu perdi um filho, um olho, um casamento, um emprego, anos da minha vida?” Não se trata de uma pergunta retórica.
As respostas que damos para as insondáveis causas dos acontecimentos em nossa vida são de nossa responsabilidade e nos orientam. É por isso que, é terrível, por mais que a sua vida tenha sido um show de horrores, o analista quer saber qual a sua parte nesse latifúndio.”
― Análise
As respostas que damos para as insondáveis causas dos acontecimentos em nossa vida são de nossa responsabilidade e nos orientam. É por isso que, é terrível, por mais que a sua vida tenha sido um show de horrores, o analista quer saber qual a sua parte nesse latifúndio.”
― Análise
“A escuta é uma experiência diferente de se meramente ouvir. Não é uma recepção passiva do que o outro diz, muito menos a aceitação incondicional do que o outro quer dizer. Escutar é a arte de suspender nosso exercício de poder sobre o outro e sobre nós mesmos. Como abordei no livro que escrevi com o palhaço Cláudio Thebas, escutar implica passar por quatro estações:
1. Abrir-se em hospitalidade para a língua e da estrangeiridade de outrem.
2. Mergulhar em um exercício investigativo e curioso sobre as causas do sofrimento do outro.
3. Colocar-se no lugar do outro até o ponto em que o Outro que o habita convoca nossa loucura mais íntima.
4. Formular, a partir dessa loucura, um novo fragmento compartilhado de saber, por meio do qual a conversa continua e retorna à primeira de nossas quatro estações, mas agora em uma língua, uma cultura e uma relação diferente da primeira.”
― A arte de amar
1. Abrir-se em hospitalidade para a língua e da estrangeiridade de outrem.
2. Mergulhar em um exercício investigativo e curioso sobre as causas do sofrimento do outro.
3. Colocar-se no lugar do outro até o ponto em que o Outro que o habita convoca nossa loucura mais íntima.
4. Formular, a partir dessa loucura, um novo fragmento compartilhado de saber, por meio do qual a conversa continua e retorna à primeira de nossas quatro estações, mas agora em uma língua, uma cultura e uma relação diferente da primeira.”
― A arte de amar
“Com Clarice Lispector acontece o contrário. A intimidade leva ao sexo, assim como o sexo leva à intimidade. Isso acontece porque Lory não sabe muito bem o que sente por Ulisses, ela precisa passar por um processo de aprendizagem dos prazeres. Ela hesita entre tomar o desejo como seu ou como o desejo do desejo do outro. Parte dessa hesitação a leva ao desconhecimento da fronteira entre amor e desejo. O sexo aparece aqui como uma espécie de ponto de convergência, mas também de agudização do conflito vivido.”
― A arte de amar
― A arte de amar
“No entanto, há quem viva essa solidão como desamparo, com imenso mal-estar, e que assim recue dela, não podendo vivê-la bem. Por consequência, essas pessoas tendem a excluir o outro, a não ficar na paixão e muito menos no amor, na tentativa de se defender do encontro com a solidão que advém do amor.
No isolamento, então, o sujeito manda o outro embora. Às vezes de modo mais sutil, às vezes de modo mais escrachado, às vezes montando fileiras intermináveis de pessoas que manda embora, ainda que possa não reconhecer que faz isso. Uma pessoa pode se tornar insuportável sem perceber e depois se queixar que o outro nunca fica, sempre vai embora. Essa pessoa se faz ficar sozinha. Outros não se envolvem, ou, quando percebem que estão se envolvendo, dão no pé. Talvez muito do que se tem chamado de ghosting (quando um casal começa a se formar e de repente um deles desaparece completamente, sem nenhuma briga, mal-estar compartilhado ou explicação sobre o sumiço) nos dias de hoje tenha relação com esses isolamentos. Com frequência, um dos integrantes do par, diante do enigma do sumiço do outro, ou mesmo do afastamento do outro ali onde se pensava que as coisas estavam indo muito bem para o laço se estreitar, acha que o que viveu não tocou o possível parceiro, quando foi o contrário: podemos fugir justamente de onde nos sentimos tocados em demasia. Amar é um exercício trabalhoso, nem todos estão dispostos a isso.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
No isolamento, então, o sujeito manda o outro embora. Às vezes de modo mais sutil, às vezes de modo mais escrachado, às vezes montando fileiras intermináveis de pessoas que manda embora, ainda que possa não reconhecer que faz isso. Uma pessoa pode se tornar insuportável sem perceber e depois se queixar que o outro nunca fica, sempre vai embora. Essa pessoa se faz ficar sozinha. Outros não se envolvem, ou, quando percebem que estão se envolvendo, dão no pé. Talvez muito do que se tem chamado de ghosting (quando um casal começa a se formar e de repente um deles desaparece completamente, sem nenhuma briga, mal-estar compartilhado ou explicação sobre o sumiço) nos dias de hoje tenha relação com esses isolamentos. Com frequência, um dos integrantes do par, diante do enigma do sumiço do outro, ou mesmo do afastamento do outro ali onde se pensava que as coisas estavam indo muito bem para o laço se estreitar, acha que o que viveu não tocou o possível parceiro, quando foi o contrário: podemos fugir justamente de onde nos sentimos tocados em demasia. Amar é um exercício trabalhoso, nem todos estão dispostos a isso.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Porque o nosso serviço, o nosso anúncio, o nosso pagamento, pode ser feito integralmente on-line. Aí eu anuncio que sou psicanalista, botânico, zoólogo e faço também massagem astral. Tudo bem, e tá valendo. Daí a pessoa me contacta pelo Instagram, onde eu faço postagens turbulentas e adocicadas. E daí ela faz o tratamento comigo, ela me paga on-line e nunca me viu, posso até usar um nome falso. Cara, isso não é tão comum assim. Quais profissões conseguem ser inteiramente assimiladas em quase todo o seu processo? Nem medicina dá, porque daí o cara tem que ir ao hospital, tem que comprar o remédio, tem que ter uma fórmula. Um engenheiro tem que entregar uma ponte, o cara que trabalha com marketing tem que entregar um negócio, mas o negócio vai para várias mídias e você tem que fazer contratos que garantam a licitude pública… E a gente não tem que fazer nada disso. Eu acho que regulamentar a psicanálise é fria, deixar desse jeito também é fria, quem vai resolver isso?”
― Eu só existo no olhar do outro?
― Eu só existo no olhar do outro?
“Se nossas tentativas de "entender" nos levam a reduzir inevitavelmente o que outra pessoa está falando àquilo que pensamos já saber (de fato, isso poderia servir como uma definição bastante exata de entendimento de modo geral), um dos primeiros passos que devemos dar é parar de tentar compreender tão rapidamente.
Não é mostrando ao paciente que entendemos o que ele está dizendo que construiremos uma aliança com ele - especialmente pelo fato de que na tentativa de mostrar a ele que o entendemos, muitas vezes isso falha e demonstramos exatamente o oposto -, mas, sem dúvida, ouvindo o paciente como ele nunca antes foi ouvido. Tendo em vista que "o próprio fundamento do discurso inter-humano é o mal-entendido" (Lacan, 1993, p. 184), não podemos contar com o entendimento para estabelecer um relacionamento sólido com o paciente. Em vez disso, devemos "apresentar um sério interesse por ele" (Freud, 1913/1958, p. 139) através de uma escuta que mostre a ele que estamos prestando atenção naquilo que ele diz, de uma forma até então desconhecida por ele.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Não é mostrando ao paciente que entendemos o que ele está dizendo que construiremos uma aliança com ele - especialmente pelo fato de que na tentativa de mostrar a ele que o entendemos, muitas vezes isso falha e demonstramos exatamente o oposto -, mas, sem dúvida, ouvindo o paciente como ele nunca antes foi ouvido. Tendo em vista que "o próprio fundamento do discurso inter-humano é o mal-entendido" (Lacan, 1993, p. 184), não podemos contar com o entendimento para estabelecer um relacionamento sólido com o paciente. Em vez disso, devemos "apresentar um sério interesse por ele" (Freud, 1913/1958, p. 139) através de uma escuta que mostre a ele que estamos prestando atenção naquilo que ele diz, de uma forma até então desconhecida por ele.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“A visão de Lacan aqui é que quando a analista se torna obcecada em compreender o significado do que o paciente tenta conscien temente transmitir, seguindo todas as complexidades da história que ele está contando, ela sempre deixa de ouvir o modo como ele transmite o que diz - as palavras e expressões que ele usa e seus lapsos e sons indistintos. É melhor tapar o ouvido que escuta apenas o significado, ele sugere, do que submeter o ouvido que ouve discursos supérfluos adicionando um terceiro. Quando, por exemplo, o paciente começa a sentença com "por um lado': pode mos ter certeza de que ele tem outro "lado" em mente; toda via, no momento em que o primeiro "lado" for apresentado, ele provavelmente terá esquecido o segundo "lado", e nesse caso ele provavelmente dirá, "Bom, sei lá", e pensará alegremente em ou tra coisa. A analista não deve, porém, deixar assim tão leve: o que, realmente, era o outro lado? Sua importância está naquilo que está pelo menos momentaneamente esquecido.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Uma vez que a analista saiba se sintonizar nos lapsos e deslizes, poderá percebê-los em si mesma e nos amigos e colegas; porém pode ainda levar algum tempo antes dela conseguir ouvi-los nas sessões com os pacientes, porque ela estará muito mais focalizada no significado da situação analítica do que em qualquer outra coisa.
Para aperfeiçoar nossa capacidade de aplicar a atenção flutuante naquilo que o paciente realmente fala, precisamos sempre, nas palavras da professora de música, "praticar, praticar, praticar".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Para aperfeiçoar nossa capacidade de aplicar a atenção flutuante naquilo que o paciente realmente fala, precisamos sempre, nas palavras da professora de música, "praticar, praticar, praticar".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Contudo, é muito importante que o analista faça com que a paciente discuta acontecimentos particulares - e as formações in conscientes como os sonhos, devaneios e fantasias - com bastante detalhe, e assegure que os detalhes que a paciente esteja mais inclinada a omitir sejam levantados, em algum momento. Uma vez que o analista esteja atento aos tipos de estratégias retóricas usadas pelos pacientes para contornarem o assunto e evitar o que consi deram detalhes desagradáveis ou repreensivos, ele deve se empe nhar bastante para assegurar que tais detalhes não sejam sempre contornados e nem evitados por tempo indeterminado. Ainda que o analista não force a paciente a revelar coisas que ela ainda não es teja pronta para enfrentar, ele não deve se intimidar em encorajá-la a falar sobre assuntos dolorosos ou difíceis.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“De forma similar, nossa melhor aposta no trabalho analítico é fazer perguntas abertas ao invés de perguntar, "Aquilo fez você rir ou chorar?" (a resposta comum seria, "Nenhum dos dois, fiquei ruim do estômago!"). Ao invés de propor se A ou B, ou mesmo escolher entre A, B, ou C, geralmente é melhor evitar colocar palavras na boca da paciente. Ao invés de tentar adivinhar a provável reação da paciente em uma situação, é sempre bem melhor dizer simplesmente, "E?" ou "Como assim?" ou "Como você reagiu?" (já mencionei anteriormente uma regra geral, em que perguntas mais precisas são melhores). Isso facilita para a paciente responder o que ela quiser.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Lacan (2006, p. 251) coloca que isso é uma questão, e só pode mos ter certeza de que a paciente tem um interesse subjetivo na análise quando ela formula uma questão (ou mais de uma) dela própria. É o investimento que ela faz nessa questão - seja por estar muito brava, porque desenvolveu determinada orientação sexual, por não conseguir se desenvolver na área de seu interesse ou ocupar-se com coisas que ela queira - que a motivará a buscar respostas nos sonhos, devaneios, fantasias, e em todos os segmentos de sua vida. É isso que a faz continuar a análise mesmo quando esta se torna difícil ou dolorosa.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“A repetição, pelo analista, da pergunta por quê? vem associada, em alguns casos, a um desejo de saber o porquê. Lacan (1998a, p. 1) sugeriu que nossa atitude em geral na vida é um desejo de não saber: não saber o que nos aflige, não saber por que fazemos o que fazemos, não saber o que secretamente nos dá prazer, não saber por que nos divertimos, o que nos diverte, e assim por diante.
Um forte motivo, um considerável investimento, é necessário para que superemos a vontade de não saber e uma das mais complexas tarefas para o analista é achar o caminho para despertar em seus pacientes tais investimentos. Talvez seja a vontade do analista de saber, pelo menos em parte, conforme demonstrado em suas frequentes perguntas, que inspira o desejo que seus pacientes se conheçam; é a persistência em fazer perguntas que lhe permite ser a causa do querer saber dos pacientes, a causa do desejo da paciente conhecer o porquê.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Um forte motivo, um considerável investimento, é necessário para que superemos a vontade de não saber e uma das mais complexas tarefas para o analista é achar o caminho para despertar em seus pacientes tais investimentos. Talvez seja a vontade do analista de saber, pelo menos em parte, conforme demonstrado em suas frequentes perguntas, que inspira o desejo que seus pacientes se conheçam; é a persistência em fazer perguntas que lhe permite ser a causa do querer saber dos pacientes, a causa do desejo da paciente conhecer o porquê.”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Embora os analistas pontuem as sessões de um jeito ou de outro (obviamente, eles não aplicam as mesmas técnicas de pontuação), e embora eu nunca tenha ouvido qualquer analista discordar das noções de pontuação de Lacan, muitos têm sérias questões com a escansão. Enquanto a maioria deles recorre à importância do "enquadre terapêutico", ao qual voltarei em breve, muitos têm expressado preocupação de que eles próprios poderiam encerrar as sessões quando entediados, cansados, irritados, ou apenas queren do fazer qualquer outra coisa, o que me leva a desconfiar de seus próprios motivos quando intervêm em suas formas, quaisquer que sejam elas, nas análises que conduzem. Falam da sessão de tempo fixo como se ficar de mãos amarradas fosse salutar, como se sentis sem que não são confiáveis para controlar uma pontuação daquela magnitude, e como se seus pacientes precisassem ser protegidos por um comum acordo vinculado às suas próprias descrenças. Per gunto sobre sua fé na própria capacidade de pontuar partes po tencialmente importantes da fala do paciente, se existe tão pouca confiança em sua habilidade de encerrar sessões, nos momentos que seriam melhores para o progresso da análise.
Suspeito que a falta de confiança deles na habilidade de pon tuar efetivamente, em maior ou menor grau, esteja relacionada a uma mudança radical na opinião dos analistas contemporâneos, de como e por que a análise é curativa: ao invés de enfatizar o preenchimento de lacunas da história e autoconhecimento do paciente, conforme Freud (1916-1917/1963, p. 282), ou enfatizar que apenas a dimensão simbólica é o que cura, conforme Lacan, os analistas contemporâneos endossam, com frequência, a ideia de que é o relacionamento em si, do paciente com o analista, que é curativo (o relacionamento, muitas vezes, está incluído sob o tópico de "fatores inespecíficos" ou "fatores comuns"), não algo em particular que o analista diz ou leve a paciente a falar. A atenção, dessa forma, é afastada do trabalho de simbolização na terapia, e o que é considerado de genuína importância é um relacionamento seguro, bem estruturado e protetor. Essa abordagem foi adotada na França dos anos 1950: Lacan citou um de seus colegas como tendo dito que "o analista cura não tanto pelo que ele diz e sim pelo que ele é". É a ênfase colocada na personalidade do analista e em seu relacionamento - ao contrário do trabalho feito pela paciente e analista para articular a história e desejo da paciente - que levou à crescente importância conferida pelos profissionais, no final do século XX e começo do século XXI, ao "enquadre terapêutico".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
Suspeito que a falta de confiança deles na habilidade de pon tuar efetivamente, em maior ou menor grau, esteja relacionada a uma mudança radical na opinião dos analistas contemporâneos, de como e por que a análise é curativa: ao invés de enfatizar o preenchimento de lacunas da história e autoconhecimento do paciente, conforme Freud (1916-1917/1963, p. 282), ou enfatizar que apenas a dimensão simbólica é o que cura, conforme Lacan, os analistas contemporâneos endossam, com frequência, a ideia de que é o relacionamento em si, do paciente com o analista, que é curativo (o relacionamento, muitas vezes, está incluído sob o tópico de "fatores inespecíficos" ou "fatores comuns"), não algo em particular que o analista diz ou leve a paciente a falar. A atenção, dessa forma, é afastada do trabalho de simbolização na terapia, e o que é considerado de genuína importância é um relacionamento seguro, bem estruturado e protetor. Essa abordagem foi adotada na França dos anos 1950: Lacan citou um de seus colegas como tendo dito que "o analista cura não tanto pelo que ele diz e sim pelo que ele é". É a ênfase colocada na personalidade do analista e em seu relacionamento - ao contrário do trabalho feito pela paciente e analista para articular a história e desejo da paciente - que levou à crescente importância conferida pelos profissionais, no final do século XX e começo do século XXI, ao "enquadre terapêutico".”
― Fundamentals of Psychoanalytic Technique: A Lacanian Approach for Practitioners
“Comecei minha primeira análise porque meu irmão havia morrido quatro anos antes, meu pai era alcoólatra, minha mãe era submissa a ele e havíamos sido despejados. Não. Comecei porque precisava conversar com algum adulto que fosse confiável, nem que precisasse pagar para isso. Não. Comecei porque esse irmão estudou psicologia e morreu no ano em que se formaria, e fazer terapia era uma forma de me aproximar dele. Não. Porque eu tinha uma profunda identificação com essa mãe, de quem sempre tive pena sem entender sua participação ativa no drama de sua vida, e de quem temia me separar para bancar meu desejo. Não. Porque foi indicação da ex-namorada do meu irmão, a quem o luto transformou em melhor amiga. Comecei porque era nos Jardins, eu morava no centro da cidade e dava para ir a pé. Comecei minha análise porque eram treze horas do dia 20 de novembro de 1982 e eu havia marcado uma entrevista com uma analista.”
― Análise
― Análise
“Para a psicanálise, nossos corpos são colonizados pela linguagem. A expressão “língua materna” é sugestiva daquilo que nos insere no simbólico e que se dá a partir de um cuidado carregado de afeto e paixão. Os cuidadores principais — muito frequentemente a mãe, mas não só — introduzem a linguagem a partir de olhares, toques, cheiros e sons, nos marcando com o sabor afetivo da língua, através da qual entramos no campo do humano. Recuperamos isso na poesia, que nos faz vibrar, e na qual o sentido corriqueiro das palavras é subvertido em favor do prazer.”
― Análise
― Análise
“Afinal, nestes tempos que estamos atravessando, meio de banda como Aero Willys em lodaçal, quem tem dinheiro pra pagar uma análise devia se envergonhar de procurar um analista. É claro que a psicanálise não tem culpa de ser uma coisa de elite, uma espécie de pólo mental. Não foi ela que fez o mundo assim, arrevesado barbaridade. Mas quando dá razão a quem diz que tudo tem que ser resolvido lá dentro de cada um, e não aqui fora no social, ela até que é cúmplice. Como dizia o meu pai, o velho Adão: gengiva não morde mas segura os dente.”
― Todas as Histórias do Analista de Bagé
― Todas as Histórias do Analista de Bagé
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