Goodreads helps you follow your favorite authors. Be the first to learn about new releases!
Start by following José Rodrigues dos Santos.
Showing 1-30 of 55
“Na vida, concluiria um dia, todos têm direito a um grande amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho, teimosos e abnegados, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. Outros estavam destinados a desconhecê-lo, a procurarem sem o descobrirem, a cruzarem-se numa esquina sem jamais se olharem, a ignorarem a sua perda até desaparecerem na neblina que pairava sobre o soliário trilho para onde a vida os conduzira. E havia aqueles fadados para a tragédia, os amores que se encontravam e cedo percebiam que o encontro era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão, a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia um outro percurso, uma outra existência, uma passagem alternativa que lhes fora para sempre vedada. Esses eram os infelizes, os dilacerados pela revolta até serem abatidos pela resignação, os que percorrem a estrada da vida vergados pela saudade do que podia ter sido, do futuro que não existiu, do trilho que nunca percorreriam a dois. Eram esses os que estavam indelevelmente marcados pela amarga e profunda nostalgia de um amor por viver.”
― A Filha do Capitão
― A Filha do Capitão
“Ama-me como se me perdesses amanhã”
― O Anjo Branco
― O Anjo Branco
“(...) pensou na impermanência da vida, na transitoriedade das coisas, na efemeridade do ser; diante dele, a existência fluía como um sopro, sempre em mutação, tudo muda a todo o instante e nada jamais volta a ser o mesmo. Não há finais felizes, reflectiu de si para si. Todos temos um sétimo selo para quebrar, um destino à nossa espera, um apocalipse no fim da linha. Por mais êxitos que somemos, por mais triunfos que alcancemos, por mais conquistas que façamos, para a última estação está-nos sempre reservada uma derrota. Se tivermos sorte e nos esforçarmos por isso, a vida até pode correr bem e ser uma incrível sucessão de momentos felizes, mas no fim, faça-se o que se fizer, tente-se o que se tentar, diga-se o que se disser, aguarda-nos sempre uma derrota, a mais final e absoluta de todas....”
― O Sétimo Selo
― O Sétimo Selo
“A vida foge-nos, escapasse-nos como água entre os dedos. Morremos a cada respiração, a cada palavra, a cada olhar, momento a momento encurta-se a distância que nos separa do nosso fim, nascemos e já estamos condenados à morte. A vida é breve, não passa de um instante fugaz de um brilho efémero nas trevas da eternidade”
― A Filha do Capitão
― A Filha do Capitão
“tratava-se de uma daquelas mulheres que não despertam uma imediata e animalesca volúpia sexual, mas uma terna e incurável paixão platónica.”
―
―
“A Beleza é a cor de que se pinta a Verdade”
― Um Milionário em Lisboa
― Um Milionário em Lisboa
“Embora não nos apercebamos disso, a Terra é um ser vivo constituído por biliões de seres vivos, as células, a Terra é um ser vivo constituído por biliões de seres vivos, a fauna e a flora. Por exemplo, se a temperatura mudar muito na Lua ou em Vénus, isso é indiferente para esses planetas, uma vez que estão ambos mortos, não passam de pedra e poeira. Tanto lhes faz que faça muito frio como muito calor, os planetas mortos são como esculturas de mármore. Mas as alterações térmicas não são indiferentes para a Terra, que se encontra viva e que, por isso, está constantemente a regular a sua temperatura e composição”
― O Sétimo Selo
― O Sétimo Selo
“His worst nightmare had become real; life was no more than a fragile breath, a fleeting instant od light in the eternal darkness of time”
― Codex 632
― Codex 632
“- Sabe o que acostumamos dicir en Galicia?
- O quê?
- Que un galego é un português que se rendeu.
- Ah sim? E um português, o que é?
- É un galego que non se rende.”
―
- O quê?
- Que un galego é un português que se rendeu.
- Ah sim? E um português, o que é?
- É un galego que non se rende.”
―
“A arte não é uma coisa que exista naturalmente no mundo, trata-se antes de uma criação humana. A arte é o produto da acção do homem quando ele tenta transcender a sua condição animal e passar de criatura a criador. A arte surge quando alguém transforma um acto animal num objecto cultural que se pode tornar sublime. Ao pintar uma cena na floresta, o homem torna- se Deus porque cria numa tela a natureza, ao contar uma história num romance o homem torna- se Deus porque cria no papel a vida de pessoas, mesmo que imaginárias.”
― O Homem de Constantinopla
― O Homem de Constantinopla
“aujourd’hui. Nous, les scientifiques, nous sommes très concentrés sur l’étude de l’encre et du papier dont est
fait l’univers. Mais cette étude nous révèle-t-elle vraiment ce qu’est l’univers ? Ne nous faudrait-il pas l’étudier aussi sur un plan sémantique ? Ne devrions nous pas écouter sa musique et saisir sa poésie ? Dans l’observation de l’univers, ne sommes-nous pas focalisés sur le hardware, ignorant une dimension aussi importante que celle du software ?”
― A Fórmula de Deus
fait l’univers. Mais cette étude nous révèle-t-elle vraiment ce qu’est l’univers ? Ne nous faudrait-il pas l’étudier aussi sur un plan sémantique ? Ne devrions nous pas écouter sa musique et saisir sa poésie ? Dans l’observation de l’univers, ne sommes-nous pas focalisés sur le hardware, ignorant une dimension aussi importante que celle du software ?”
― A Fórmula de Deus
“Não há dúvidas, pensou, são as pessoas que fazem os lugares.”
― A Filha do Capitão
― A Filha do Capitão
“...as notas soavam melífluas, como o pipilar meigo das andorinhas a acolherem a Primavera”
― O Sétimo Selo
― O Sétimo Selo
“O que diz um escritor quando lhe pomos um microfone diante da boca? A resposta é simples: coisas interessantes. Os escritores são pessoas que têm opiniões pensadas a propósito dos mais variados temas; podemos discordar do que dizem, mas é preciso reconhecer que exprimem geralmente considerações profundas sobre a escrita, o mundo e a vida.”
―
―
“Por exemplo, Picasso fez um quadro sobre umas prostitutas, que designou "Les Demoiselles d’Avignon", e desenhou o rosto de uma delas todo deformado. Isto porquê? Porque quis fazer o 'mimesis' da sua alma, não da sua face aparente. A prostituta pode ser bela por fora, mas está podre por dentro.”
―
―
“Sabes, as pessoas passam pela vida como sonâmbulas, preocupam-se com o que não é importante, querem ter dinheiro e notoriedade, invejam os outros e esmifram-se por coisas que não valem a pena. Levam vidas sem sentido.”
― A Fórmula de Deus
― A Fórmula de Deus
“As coincidências são formas subtis escolhidas pelo Criador para transmitir as suas mensagens.”
― Codex 632
― Codex 632
“Vivemos a vida como se ela fosse eterna, como se a morte fosse algo que só acontece aos outros e apenas nos está reservada ao fim de muito tempo, tanto tempo que nem merece a pena pensarmos nisso.”
― A Fórmula de Deus
― A Fórmula de Deus
“Las plantas y las Flores murmuraban frente a él como si el ritmo al que bailaban tuviese la meca de la eternidad, cuando al fin y al cabo eran tan efímeras como la brisa que las agitaba.”
―
―
“Bem lá no íntimo não fazia ideia de como quebrar o medo que lhe tolhia os movimentos nos instantes de puro terror. Tinha consciência de que uma coisa era falar e outra executar, sabia que, nos momentos de aflição, as suas reacções eram imprevisíveis e incontroláveis, a emoção toma conta da mente e a animalidade sobrepõe-se à humanidade. Quantos homens passavam a vida a falar de heroísmo e a preparar-se para o grande teste e fraquejavam quando o momento chegava, enquanto outros, tímidos e calados, na hora das dificuldades tudo pareciam superar? O que era afinal a temeridade senão fingimento? O que era o heroísmo senão um acto resultante do medo social que se sobrepõe ao medo animal? E o que era a bravura senão um momento de pura loucura, um gesto insano feito para benefício alheio e prejuízo nosso?”
― A Filha do Capitão
― A Filha do Capitão
“He raised his hands and, guided by a redeeming impulse of truth-like a conductor leading his orchestra in a grand symphony-finally set fingers to keyboard and let the melody of his story dance across the screen”
― Codex 632
― Codex 632
“É um predestinado, um homem tocado pelo destino que irá salvar a Alemanha e conduzi-la à vitória da luz sobre a treva. Repare só na maneira como Herr Hitler fala. Dá a sensação de estar em transe, de que é um medium e o espírito da Alemanha se revela pela sua voz. O Führer é a boca dos deuses, um instrumento da vontade divina, um clarividente guiado por uma força natural, um homem transcendente. Domina o poder mágico da palavra falada, é um magus a executar um encantamento, um arauto da salvação. Não é um político, é um profeta. Um profeta! O sumo sacerdote da nação! Ninguém exprime a alma da Alemanha como ele. É a voz que vem da noite dos tempos, a voz que nos traz Wotanm que nos traz Thor! Os seus discursos são feitiçaria em massa, um poema gótico transformado em ato político.”
― O Mágico de Auschwitz
― O Mágico de Auschwitz
“Mata um homem por dinheiro e és criminoso. Mata mil homens por uma ideia e és um grande génio.”
―
―
“ O som dos timorenses a rezar em coro Ave Maria em português, dentro de um cemitério e enquanto os indonésios os matavam, teve um efeito psique nacional.Não era já um povo distante, desconhecido e pouco familiar que os indonésios estavam a aniquilar. Era um povo que falava português, rezava como os portugueses aos domingos nas missas, parecia português. Eram portugueses sobretudo isso, eles eram portugueses. Os indonésios estavam a matar portugueses.”
― A Ilha das Trevas
― A Ilha das Trevas
“Изкуството не е естествено явление, то е дело на човешка ръка. Изкуството е продукт на човека, когато той се опитва да надмогне животинската си същност и от творение да се преобрази в творец. То възниква, когато първичен акт е претворен в предмет на изкуството, който може да се превърне в шедьовър. Като рисува природен пейзаж, човекът се превръща в бог, защото в картината създава природа; като разказва история в роман, човекът е бог, защото върху листа, той създава човешки животи, макар и въображаеми.”
― O Homem de Constantinopla
― O Homem de Constantinopla
“Mas há pessoas que acham que Deus não existe e mesmo assim são boas pessoas. Se nós vivemos uma vida boa não é porque temos medo de ir para o Inferno ou receamos o que os outros possam pensar de nós, mas porque essa é a maneira certa de viver.”
― O Anjo Branco
― O Anjo Branco
“Esta guerra foi demasiado terrível. O pesadelo das trincheiras, as grandes matanças em Ypres e Verdun, até o extermínio dos Arménios no Império Otomano, tudo isso pôs em causa o conceito de beleza. Os artistas começaram a achar que não faz sentido criar coisas belas num mundo que permite horrores destes. Foi por isso que a arte mudou. Muitos artistas deixaram de procurar o belo, preferem criar o feio porque o acham mais verdadeiro. Depois desta guerra, nada voltará a ser como dantes. Nem a arte.”
―
―
“Há mais de dois mil e quinhentos anos nasceu no Nepal um homem chamado Siddharta Gautama, um príncipe pertencente a uma casta nobre e que vivia num palácio. Ao constatar, porém, que para lá do palácio a vida era feita de sofrimento, Siddharta abandonou tudo e foi para a Índia viver numa floresta como um asceta, dilacerado por uma pergunta: 'para quê viver quando tudo é dor?' Durante sete anos deambulou pela floresta em busca da resposta a essa pergunta. Cinco ascetas convenceram-no a jejuar, por acreditarem que a renúncia às necessidades do corpo criaria a energia espiritual que os conduziria à iluminação. Siddharta jejuou tanto que ficou esquelético e o seu umbigo tocou-lhe na coluna vertebral. No final, constatou que o corpo necessita de energia para alimentar a mente na sua busca. Decidiu, por isso, abandonar os caminhos extremos. Para ele, o verdadeiro caminho não era o da luxúria dos dois extremos. escolheu antes o caminho do meio, o do equilíbrio.
Um dia, após banhar-se no rio e ao comer um arroz-doce, sentou-se em meditação debaixo de uma figueira, uma árvore da iluminação, a que chamam Bodhi, e jurou que não sairia dali enquanto não atingisse a iluminação. Após quarenta e nove dias de meditação, chegou a noite em que alcançou finalmente a clarificação final de todas as suas dúvidas. Ele despertou por completo. Siddharta tornou-se Buda, o Iluminado.”
― A Fórmula de Deus
Um dia, após banhar-se no rio e ao comer um arroz-doce, sentou-se em meditação debaixo de uma figueira, uma árvore da iluminação, a que chamam Bodhi, e jurou que não sairia dali enquanto não atingisse a iluminação. Após quarenta e nove dias de meditação, chegou a noite em que alcançou finalmente a clarificação final de todas as suas dúvidas. Ele despertou por completo. Siddharta tornou-se Buda, o Iluminado.”
― A Fórmula de Deus
“A arte é o produto da acção do homem, quando ele tenta transcender a sua condição animal e passar de criatura a criador. Ao pintar uma cena na floresta, o homem torna-se Deus porque cria numa tela a natureza, ao contar uma história num romance o homem torna-se Deus porque cria no papel a vida das pessoas. Deus é um artista, pelo que a arte é um acto divino.
... a arte tem sido sobretudo uma incessante busca pelo sentido da vida. A experiência da beleza é o que nos faz acreditar que o mundo tem um propósito, que as coisas desempenham uma função e ocupam um lugar próprio. Quando contemplamos a miríade de diamantes estrelares que mancham o céu nocturno, ou o pissitar melodioso do estorninho entre as folhas de um plátano... o espanto maravilhado que sentimos confirma-nos que o mundo é um lugar especial e que, enquanto elementos desse mundo, também nós somos especiais, abençoados pelo toque divino como se nós próprios fossemos divinos. O universo que abraça estas maravilhas também nos abraça a nós e nós fundimo-nos nele como se todos fôssemos um. A beleza confirma-nos subtilmente que a vida tem um sentido. Podemos não saber que sentido é esse mas intuímos pela tangibilidade da beleza que ele existe... Quando procuramos a beleza, estamos na verdade a procurar o propósito da nossa existência.”
― O Homem de Constantinopla
... a arte tem sido sobretudo uma incessante busca pelo sentido da vida. A experiência da beleza é o que nos faz acreditar que o mundo tem um propósito, que as coisas desempenham uma função e ocupam um lugar próprio. Quando contemplamos a miríade de diamantes estrelares que mancham o céu nocturno, ou o pissitar melodioso do estorninho entre as folhas de um plátano... o espanto maravilhado que sentimos confirma-nos que o mundo é um lugar especial e que, enquanto elementos desse mundo, também nós somos especiais, abençoados pelo toque divino como se nós próprios fossemos divinos. O universo que abraça estas maravilhas também nos abraça a nós e nós fundimo-nos nele como se todos fôssemos um. A beleza confirma-nos subtilmente que a vida tem um sentido. Podemos não saber que sentido é esse mas intuímos pela tangibilidade da beleza que ele existe... Quando procuramos a beleza, estamos na verdade a procurar o propósito da nossa existência.”
― O Homem de Constantinopla




