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Miguel Esteves Cardoso Miguel Esteves Cardoso > Quotes

 

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“As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si própria. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.”
― Miguel Esteves Cardoso
“O mundo inteiro é muitas vezes muito pouco, para quem não está à procura de nada.”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“O que custa mais não é tanto lembrar - é não esquecer. O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada para fazer”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.
É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.
Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“Porque é que conseguimos foder quem não amamos? Não haverá aqui qualquer coisa de errado? Pensamos que o amor fica resguardado mas a verdade é que se vai fodendo à medida que se fode.”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“Os homens querem fugir - e fazem mal. As mulheres querem confiar - e fazem mal. É nesse desequilíbrio, igualado pelo facto de ambos os sexos se darem mal, que se encontra a grande electricidade que nos junta e dá pica e desconjunta.
A maior parte dos homens - sobretudo os mulherengos - morre sem saber o que é receber o que uma mulher pode dar. Uma mulher inteira - alma e tudo - pesa mais do que dois homens.
É mais profunda e, ao mesmo tempo, mais volúvel. Não tem a obsessão pela escolha e pela definição que têm os homens. É volátil. Quer voar. Quer evaporar-se. Quer sair dali para fora e ser outra coisa.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
“As pessoas dizem time is money para apressar quem trabalha. A única maneira de comprar tempo é de precisar de menos dinheiro para viver, para poder passar menos tempo a ganhá-lo.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
tags: time
“O amor é fodido, mas foder também." (Página 21 da edição da Porto Editora)”
― Miguel Esteves Cardoso
“Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus
passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e
falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de
uma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro,
no dia frio. Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer
coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga
que andas aqui perto e chama sem parar por ti”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injeção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume”
― Miguel Esteves Cardoso
“Nunca houve nada como o amor para nos ajudar a ver o mal. O amor é o antídoto da cenoura.”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“Mas o amor é fodido. E gostei de fodê-lo contigo.”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“As coisas não são baratas nem caras conforme o preço que se paga, mas sim conforme as horas de trabalho necessárias para as comprar.”
― Miguel Esteves Cardoso, A Causa das Coisas
“família é quem deixa cada um ser como é, sem deixar de amar um só porque não corresponde ao que queríamos que fosse.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
“A vida parece uma montanha russa, só com subidas e decidas a pico, sem rectas nem planos, que se precipita de ilusão em desilusão, de amor em ódio, de alegria em tristeza, de paixão em tédio, sem descanso nem previsão. Ora se está a chorar ou a rir. Em qualquer dos casos, passa-se a vida aos soluços. Anda-se com o coração aos saltos dentro da boca.”
― Miguel Esteves Cardoso, Último Volume
“O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.”
― Miguel Esteves Cardoso
“Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.
Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.
Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera – e está – na massa do sangue: a excitação de contar coisas e partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.
Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público”
― Miguel Esteves Cardoso
“Os livros são escritos por quem não teve sorte na vida. Por quem odeia um bocadinho a vida tal como ela é. Inventar uma que não existe ou denunciar aquela que persiste acaba por ser a mesma coisa. Ou começa: depois, logo se vê. E vê.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
“Mesquinho é o caso de amor que pode ser amavelmente resolvido com proveito para ambas as partes. Quando homem e mulher ficam amigos é porque nunca foram outra coisa. O amor verdadeiro é um desespero constante. Os problemas mais espectaculares só se resolvem com mortes. Não há conselhos que lhes valham.”
― Miguel Esteves Cardoso, Último Volume
“À dor de saber que já não voltam mais, é sempre preciso contrapor a felicidade de não as ter esquecido e de poder relembrá-las as vezes que se quiser”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
“Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida.
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona.

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa”
― Miguel Esteves Cardoso, As Minhas Aventuras na República Portuguesa
“Mais um dia. Tudo correu mal, menos o amor. A vida é simples e fácil de perder. Mas o amor é fodido. E gostei de fodê-lo contigo.”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“Diz-se que as pessoas aprendem a perder o apego às coisas que sabem que vão perder. Ou que deveriam aprender. Mas eu acho que não se aprende nada. Apenas se deixa de querer aquele tempo - o agora ou o amanhã, não interessa - para se passar a querer outro.”
― Miguel Esteves Cardoso
“Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso.

A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais. Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre.

Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter.
A glória da amizade é ser apenas presente. É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português”
― Miguel Esteves Cardoso
“Os melhores sonhos de todos são aqueles que nos põem a pensar e a mexer. Os únicos sonhos de que vale a pena falar são os que não nos deixam dormir.”
― Miguel Esteves Cardoso, Último Volume
“Mas o amor é raro e vem quando vier. Não adianta procurá-lo ou resistir-lhe.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
tags: amor
“O meu mundo é o que eu quiser: a questão está em eu não conseguir querer mais do que aquilo que já tenho.”
― Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida
“Nos cartões de visitas, as pessoas continuam a pôr (provincianamente) as habilitações académicas, só para riscá-las quando dão um cartão a alguém. Como quem diz: «Eu sou o Professor Doutor Laurindo Gomes, licenciado em História pela Universidade de Coimbra, mas, para si, sou só Laurindo Gomes. Está a ver como você é privilegiado?».”
― Miguel Esteves Cardoso, Os Meus Problemas
“E como vão as crianças? Já têm pelos nas pernas? Já têm cancro?”
― Miguel Esteves Cardoso, O amor é fodido
“O amor não é um entretenimento. É muito difícil distrairmo-nos quando estamos apaixonados de amor. Mas o amor é raro e vem quando vier. Não adianta procurá-lo ou resistir-lhe. É isto que muitas mulheres não percebem: não há um entretanto, entre a vida e o arrebatamento, em que o mais que uma pessoa pode fazer é entreter-se.”
― Miguel Esteves Cardoso
tags: life, love

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