Goodreads helps you follow your favorite authors. Be the first to learn about new releases!
Start by following Alexandre Herculano.
Showing 1-7 of 7
“Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.”
―
―
“Aceitamos a designação de municipalista; aceitamo-la da boca da democracia.
Toca-nos provar que o municipalismo, instituição tão antiga, tão permanente como as sociedades, embora enfraquecida e até anulada em várias épocas pelos diversos despotismos, vale infinitamente
mais do que as aspirações democráticas; que ele nos oferece o único meio possível de mantermos a nacionalidade, ao passo que seria o mais poderoso instrumento de uma liberdade verdadeira, convertendo o Governo representativo, de uma imensa decepção, numa realidade prática.”
―
Toca-nos provar que o municipalismo, instituição tão antiga, tão permanente como as sociedades, embora enfraquecida e até anulada em várias épocas pelos diversos despotismos, vale infinitamente
mais do que as aspirações democráticas; que ele nos oferece o único meio possível de mantermos a nacionalidade, ao passo que seria o mais poderoso instrumento de uma liberdade verdadeira, convertendo o Governo representativo, de uma imensa decepção, numa realidade prática.”
―
“…porque somos como elles; porque, bem como elles, nos persuadimos de que, varrendo todos os vestigios do Portugal antigo, poderemos esconder aos estranhos a nossa decadencia actual; porque, além disso, cremos que para ser deste seculo, é preciso renegar dos antepassados.
Todavia, ainda ha quem deplore a destruição das memorias venerandas de melhores tempos; ainda ha quem lucte contra a torrente de barbaria que alaga este paiz tão rico de recordações, recordações que tantos animos envilecidos pretendem fazer esquecer.”
―
Todavia, ainda ha quem deplore a destruição das memorias venerandas de melhores tempos; ainda ha quem lucte contra a torrente de barbaria que alaga este paiz tão rico de recordações, recordações que tantos animos envilecidos pretendem fazer esquecer.”
―
“Autores de comédias, apressai-vos! Antes que se perca o tipo, levai o incrédulo ostentoso à cena. Dai-nos algumas noites de rir doido e inextinguível.”
― O Pároco da Aldeia
― O Pároco da Aldeia
“Que fora a vida se nela não houvera lágrimas? O Senhor estende o seu braço pesado de maldições sobre um povo criminoso; o pai que perdoara mil vezes converte-se em juiz inexorável; mas, ainda assim, a Piedade não deixa de orar junto dos degraus do seu trono. Porque sua irmã é a Esperança, e a Esperança nunca morre nos céus. De lá ela desce ao seio dos maus antes que sejam precitos[45]. E os desgraçados na sua miséria conservam sempre olhos que saibam chorar. A dor mais tremenda do espírito quebrantam-na e entorpecem-na as lágrimas. O Sempiterno as criou quando nossa primeira mãe nos converteu em réprobos: elas servem, porventura, ainda de algum refrigério lá nas trevas exteriores, onde há o ranger dos dentes. Meu Deus, meu Deus! – Bendito seja o teu nome, porque nos deste o chorar.”
― Eurico, o Presbítero
― Eurico, o Presbítero
“Entre a filantropia humana e as agonias extremas dos pequenos e humildes a noite e a tempestade ergueram barreira quase insuperável: esta barreira desaparece, porém, diante da caridade que a todos nos ensina o Evangelho e que ao pároco impõem, como dever imprescritível, a sua missão sacerdotal e o seu caráter de pai dos pobres e afligidos. A esta mesma hora, em que o velho prior assim vagueava por sendas alpestres exposto às inclemências de noite invernosa, talvez em aposento bem resguardado, no fim de ceia opípara, entre as taças cheias de vinhos generosos, no meio de mulheres formosas e voluptuárias, embriagado em todos os deleites dos sentidos, algum famoso espírito forte cerzia remendos das páginas soporíferas de Holbach ou de Diderot e dissertava profundamente sobre a mandriice, egoísmo e cobiça do clero, ou carpia a superstição do povo, que, para ser completamente feliz, de nada mais precisa do que abandonar as crenças do cristianismo e de amaldiçoar as esperanças de Deus, o conforto único da sua vida de miséria, de trabalho e de amargura. E, naturalmente, os neófitos daquela triste filosofia extasiavam-se em redor do sábio filantropo, que, impando de iguarias delicadas, de vinhos custosos e de grossa ciência, só lamentava a ignorância daqueles a quem muitas vezes faltava então, falta hoje e faltará no futuro um bocado de pão negro para matar a fome; extasiavam-se ali diante da sensualidade e bruteza de um insensato vanglorioso, enquanto a virtude do velho clérigo, exercitada nos desvios dos montes e no silêncio da noite, não tinha por testemunhas senão um céu húmido e cerrado e o vulto impetuoso e bramidor da ventania, mas que, em vez das lisonjarias de parvos, tinha para o aplaudir a voz sincera, consoladora e santa da própria consciência.”
― O Pároco da Aldeia
― O Pároco da Aldeia
“Naquele dia a Tia Jerónima chegou a desconfiar de que o padre-prior tinha a bola desarranjada. Toda a manhã não fez senão cantarolar, ora um pedaço do Tantum ergo, logo um versículo do Te Deum Laudamus, e assim por diante. Até andou, por mais de meia hora, a brincar com o gato do presbitério. E, para resumir em poucas palavras a extravagância de que parecia possuído, basta dizer que, ao descalçar-se, arrumou os sapatos para um canto e, depois de ter lido um capítulo da crónica de Cister, pela primeira vez da sua vida meteu na estante essa espécie de Carlos Magno monástico, sem o pôr de pernas ao ar. Aquele coração sentia dilatar-se na santa paz do Senhor. E porque não cabia o bom do padre na pele? Porque tinha feito felizes duas criaturinhas, sacrificando-lhes as suas economias de quarenta anos. Achava isso coisa naturalíssima; mas a Providência dava-lhe parte da sua recompensa nessa alegria suave e íntima, que mal pode entrar nos palácios dos grandes e poderosos do mundo; porque é o prémio, não do benefício insolente da opulência, mas sim da abnegação caridosa da humanidade.”
― O Pároco da Aldeia
― O Pároco da Aldeia




