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Fernando Namora Fernando Namora > Quotes

 

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“Os dias eram iguais, iguais os silêncios e as pessoas - o hábito, um certo desamor por si próprios, soterrara-os na indiferença.”
Fernando Namora
“- Estamos num mundo de mortos, Vasco. Mortos a que se deu corda e fingem de vivos até que a corda pare. Mas esvaziados,secos, decompostos por dentro. Que ao menos a carne viva. Será por isso que tantos procuram a festa dos sentidos?”
Fernando Namora, Os Clandestinos
“Se

Se eu pudesse
escrever só
para ti
(que é
um modo de dizer:
como a brisa passa
porque é brisa
como as aguas
correm porque
são agua
como a planta respira
e a fera mata)
se eu pudesse
escrever
sem endereços
sem sobrescritos
sem o medo
de ser lido
de ser escrito
seria a verdade
dos rios
seria a praia nocturna
a sós com o mar
seria o hálito
da boca desnuda
seria montanha
seria rio
seria mar
seria asa.
Seria
eu.”
Fernando Namora, Marketing
tags: poesia
“Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência.”
Fernando Namora
“Todas as vezes que olho para a estrada percorrida, onde já ficou muito do sangue, suor e lágrimas que a vida nos reserva, recordo um certo trecho de um romance de Erico Veríssimo: um rapaz e uma rapariga transpõem a cerca da Universidade; acabam de lhes entregar o diploma de médicos e, com ele, um futuro de imprevistos e de abismos. Cá fora, no largo, onde a sombra altiva de uma estátua se levanta, no céu estrelado, Olívia espalha pelo chão o ramo de flores que lhe haviam oferecido, enrola o diploma e por ele espreita, irreverente, os astros enigmáticos- um óculo mágico a desvendar o amanhã. O companheiro, com essa melancolia desiludida que vem depois das esperanças realizadas, espreme as mãos vazias, a vida abre-se de súbito a seus pés, inesperada, pavorosa como um fosso. Ele tem atrás de si durezas e humilhações e pressente que não pode haver outra coisa a aguardar-lo.”
Fernando Namora, Retalhos da Vida de um Médico
“A literatura é um processo de libertação e, por conseguinte, aspira à liberdade. Quer dizer que o seu ponto de partida é uma recusa aos constrangimentos. Quer dizer, ainda, que os constrangimentos estão na sua génese ou no desencadear da sua explosão, como tem sido proclamado por tantos criadores.”
Fernando Namora, Jornal Sem Data
“Esfalfado, chegou ao cimo da lomba o autocarroda madrugada, anunciando o burburinho da rua, os pregões, o frenesi do tráfego que estremecia na ossatura das casas, o despertar fatigado das pessoas, que iam renovar a vida com azedume (renovar, não: repetir um quotidiano robotizado), como se a vida fosse o pesado cumprimento de um dever.”
Fernando Namora, Os Clandestinos
“Todas as vezes que olho para a estrada percorrida, onde já ficou muito sangue, suor e lágrimas que a vida nos reserva, recordo certo trecho de um romance de Erico Veríssimo: um rapaz e uma rapariga transpõe a cerca da Universidade; acabam de lhes entregar o diploma de médicos, e com ele, um futuro de surpresas e euforias. Cá fora, no largo, onde a sombra altiva de uma estátua se levanta no céu estrelado, Olívia espalha pelo chão o ramo de flores que lhe haviam oferecido, enrola o diploma e por ele espreita, irreverente, os astros enigmáticos - um óculo mágico a desvendar o amanhã. O companheiro, com essa melancolia desiludida que vem depois das esperanças realizadas, espreme as mãos vazias; a vida abre-se de súbito a seus pés, inesperada, insondável como um abismo. Ele tem atrás de si durezas e humilhações e pressente que não pode haver outra coisa a aguardá-lo. Olívia, por seu lado, atende o futuro apenas com uma maravilhosa interrogação: o seu alvoroço tem o sabor salgado e excitante da luta; o que virá, será bom e terrível - mas sempre qualquer coisa imprevisível que vale a pena ser vivida.”
Fernando Namora, Retalhos Da Vida De Um Médico
“Vem, Cacilda, olhar a madrugada que rompe.
Vem e sentirás mais vasta a tua dor e a tua esperança.
Vem de manso, cautelosa,
antes que os pastores acordem em suas frautas
e perturbem a manhã.
Talvez sintas no rumorejar das aves madrugadoras
aquelas asas sem limites,
para além do campanário, para além dos montes
que teu olhar nunca soube ultrapassar.
Vem, Cacilda! Serás mais um astro branco
que a manhã serena coroou.”
Fernando Namora
“Em toda a parte a vida é esforço e coragem - em toda a parte merece ser vivida.”
Fernando Namora, Retalhos da Vida de um Médico - 1ª Série
“Eis, neste diálogo reservado, o camponês alentejano perante o homem do Norte, irmão dos que vieram comer os saramagos da planície, aferrolhando o dinheiro que faria crescer as terras. Eis o Alentejo, onde a atmosfera e a vida têm uma cálida moleza; onde às vezes chega um estrangeiro apressado, tentando acelerar os homens e o tempo, como pedra que vem perturbar a placidez de um lago, e acaba de braços caídos, enquanto os alentejanos lhe preparam uma agonia ritualizada.”
Fernando Namora, Retalhos Da Vida De Um Médico

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