Jaime Azevedo's Blog
May 20, 2020
Poe quarentener
Li com Cecília "O Baile da morte vermelha" na edição da Darksidebooks - boa pedida em tempos de pandemia e um espelho interessante da nossa realidade. Ela quis trocar o nome do príncipe pelo de um político 😶
Escrever... A velha questão
Um dia desses, conversando com uma dupla de amigos escritores, surgiu o tópico tão clichê quanto inevitável. Um escrevia para ser lido; não exatamente pela fama, mas por uma certa notoriedade, buscava o reconhecimento intelectual dos pares ou do leitor comum mesmo. O segundo, marxista roxo (não, vermelho), queria utilizar a literatura como um método de politização das pessoas e, em último caso, de doutrinação.
Aí lá fui eu... Quero fama, dinheiro, conforto, reconhecimento, quero ir no Faustão e no Canal Arte+, viajar de graça pelo Brasil e pelo mundo e ao menos impedir que o povo vote em candidatos claramente desqualificados, mas não é por isso que eu escrevo. Essas coisas são consequências, mas não a causa; mesmo sem leitores (porque sem fama, dinheiro e amplo reconhecimento eu já tô, né) eu ainda escreveria.
Escrevo porque é bom, dá prazer. E indo ainda mais fundo nas raízes dessa satisfação talvez o que realmente me mova é esse sentimento de ter criado algo que não existia antes, olhar para uma coisa e, vaidosamente, se sentir foda. Dura só alguns segundos, depois você se arrepende e só acha erros e inconsistências - mas antes da Síndrome do Impostor bater rola um sério rush de dopamina, endorfina, algum desses neurotransmissores da moda.
Abri o coração, revirei as tripas e fui chamado de hipócrita e Poliana na discussão. Os dois indignados e chocados ao encarar esse lado menos pragmático da minha persona geralmente (definida a partir de comentários externos) ácida, irônica e niilista. Mas é, escrevo por isso mesmo.
Aí lá fui eu... Quero fama, dinheiro, conforto, reconhecimento, quero ir no Faustão e no Canal Arte+, viajar de graça pelo Brasil e pelo mundo e ao menos impedir que o povo vote em candidatos claramente desqualificados, mas não é por isso que eu escrevo. Essas coisas são consequências, mas não a causa; mesmo sem leitores (porque sem fama, dinheiro e amplo reconhecimento eu já tô, né) eu ainda escreveria.
Escrevo porque é bom, dá prazer. E indo ainda mais fundo nas raízes dessa satisfação talvez o que realmente me mova é esse sentimento de ter criado algo que não existia antes, olhar para uma coisa e, vaidosamente, se sentir foda. Dura só alguns segundos, depois você se arrepende e só acha erros e inconsistências - mas antes da Síndrome do Impostor bater rola um sério rush de dopamina, endorfina, algum desses neurotransmissores da moda.
Abri o coração, revirei as tripas e fui chamado de hipócrita e Poliana na discussão. Os dois indignados e chocados ao encarar esse lado menos pragmático da minha persona geralmente (definida a partir de comentários externos) ácida, irônica e niilista. Mas é, escrevo por isso mesmo.
February 21, 2020
Caderno de memórias coloniais - Resenha
Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo, é um relato sobre sua infância em Moçambique sendo filha de colonos portugueses; uma situação confusa de busca de identidade que só se agrava quando ela precisa deixar o país rumo a Portugal.
O texto emocional examina a sombra do colonialismo, do racismo e do machismo que se insinua mesmo quando reconhecida e renegada, quase aspectos formadores de colonizados e colonizadores, nódoas perseguidoras.
Isabela utiliza o pai como a maior metáfora dos afetos e aversões: vivaz e racista, humano e terrível. Escrita com ritmo e lirismo, a edição vem ainda com um posfácio da autora sobre sua relação com o Brasil.
Estive adiando a leitura do livro emprestado por um amigo mas acabei lendo na hora certa: tem tudo a ver com o que ando escrevendo...
O texto emocional examina a sombra do colonialismo, do racismo e do machismo que se insinua mesmo quando reconhecida e renegada, quase aspectos formadores de colonizados e colonizadores, nódoas perseguidoras.
Isabela utiliza o pai como a maior metáfora dos afetos e aversões: vivaz e racista, humano e terrível. Escrita com ritmo e lirismo, a edição vem ainda com um posfácio da autora sobre sua relação com o Brasil.
Estive adiando a leitura do livro emprestado por um amigo mas acabei lendo na hora certa: tem tudo a ver com o que ando escrevendo...
Published on February 21, 2020 03:37
January 23, 2019
Design editorial
O Blog sobrecapas parece estar morto, mas tem posts sensacionais sobre projetos gráficos de livros nacionais com análises e entrevistas.
Esta entrevista com Luciana Facchini, designer responsável por um dos melhores projetos que já vi na vida, a edição de Moby Dick da Cosac & Naif, é leitura obrigatória para quem se interessa pelo livro como peça gráfica também:
Moby Dick no sobrecapas
Esta entrevista com Luciana Facchini, designer responsável por um dos melhores projetos que já vi na vida, a edição de Moby Dick da Cosac & Naif, é leitura obrigatória para quem se interessa pelo livro como peça gráfica também:
Moby Dick no sobrecapas
Published on January 23, 2019 05:01
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