Marques Rebelo
Born
Rio de Janeiro, Brazil
|
A estrela sobe
—
published
1939
—
8 editions
|
|
|
O Trapicheiro
—
published
1959
—
2 editions
|
|
|
Correio europeu
|
|
|
Marafa
—
published
1935
—
5 editions
|
|
|
Oscarina
—
published
1973
—
2 editions
|
|
|
Cenas da vida brasileira
—
published
1951
|
|
|
O simples coronel Madureira
—
published
1967
—
2 editions
|
|
|
A Mudança
—
published
1984
—
3 editions
|
|
|
O Melhor do Conto Brasileiro
by |
|
|
A odisséia de Homero
by |
|
“24 de dezembro
A estrela da tarde está subindo no céu com o seu brilho mais puro. Um momento de tréguas na crueza de nossas vidas!”
― O Trapicheiro
A estrela da tarde está subindo no céu com o seu brilho mais puro. Um momento de tréguas na crueza de nossas vidas!”
― O Trapicheiro
“9 de fevereiro [1941]
Cavalete ao ombro, grande baú pintado no cocuruto da cabeça pixaim, com uma folha de laranjeira contra os lábios, o doceiro emitia esperadíssimos sons anunciando-se à freguesia. Cocada brancas e pretas, quindins, bons-bocados, papos-de-anjo, pastéis de nata, bolinhos de cará, beijus, balas de ovo, de leite de coco, de guaco – ótimas para a tosse! Um universo de açúcar.
Era velho o preto, chamava mamãe de Iaiá, tinha sempre uma bala de quebra para Cristinha. Sua hora era pelo meio do dia, quando o sol ia a pino. Três vezes passava o padeiro empurrando a barulhenta carrocinha aprovisonadora. Deixava-se entregue à vigilância de um moleque e lá ia, peludo e bigodudo, de casa em casa, a cesta coberta com um pano braço que já fora saco de farinha. Pão francês, pão alemão, pão italiano (um pouco massudo), pão-de-provença, de milho, de forma, de ovo, pão trançado, pão-cacete e periquitos – a três por um tostão, obrigatórios nas merendas escolares – e roscas de barão, rosquinhas de manteiga, caramujos, tarecos, cavacos, joelhinhos, bolachas de água e sal. Tudo quente, cheiroso, estalando – a vida abundante, solícita, módica, vida provinciana para sempre extinta.”
― A Mudança
Cavalete ao ombro, grande baú pintado no cocuruto da cabeça pixaim, com uma folha de laranjeira contra os lábios, o doceiro emitia esperadíssimos sons anunciando-se à freguesia. Cocada brancas e pretas, quindins, bons-bocados, papos-de-anjo, pastéis de nata, bolinhos de cará, beijus, balas de ovo, de leite de coco, de guaco – ótimas para a tosse! Um universo de açúcar.
Era velho o preto, chamava mamãe de Iaiá, tinha sempre uma bala de quebra para Cristinha. Sua hora era pelo meio do dia, quando o sol ia a pino. Três vezes passava o padeiro empurrando a barulhenta carrocinha aprovisonadora. Deixava-se entregue à vigilância de um moleque e lá ia, peludo e bigodudo, de casa em casa, a cesta coberta com um pano braço que já fora saco de farinha. Pão francês, pão alemão, pão italiano (um pouco massudo), pão-de-provença, de milho, de forma, de ovo, pão trançado, pão-cacete e periquitos – a três por um tostão, obrigatórios nas merendas escolares – e roscas de barão, rosquinhas de manteiga, caramujos, tarecos, cavacos, joelhinhos, bolachas de água e sal. Tudo quente, cheiroso, estalando – a vida abundante, solícita, módica, vida provinciana para sempre extinta.”
― A Mudança
Is this you? Let us know. If not, help out and invite Marques to Goodreads.









