Milene Emídio's Blog

January 27, 2013

Ausência…

Ora bem meus caros / minhas caras,


É verdade que tenho andado desaparecida deste canto (e de outros); felizmente há trabalho (o que se tem tornado cada vez mais raro neste cantinho do mundo) e tempo para outras actividades não tem sido muito, nem a cabeça tem ajudado.


Novidades? Poucas…

No meio literário tenho-me dedicado à leitura apenas, sendo que o conto O Feitiço da Moura, continua por limar (após ter sido testado por alguns leitores), e o meu terceiro projecto continua em esquema e com alguma bonecada à mistura para tornar a identificação visual mais fácil de cada vez que pegar na história.


Na fotografia, tive umas novidades no flickr que ainda não coloquei no site a que chamo portfolio (wix), relativas à viagem a Espanha que decorreu entre finais de Dezembro de 2012 e Janeiro. Houve bastantes precalços com a máquina (não sei se o mal é dela ou da lente)… mas também não houve tempo após a viagem de tentar perceber o problema, visto que quando cheguei ela trabalhava lindamente…


E basicamente é tudo o que se passa na minha vida por agora… espero nas próximas férias ter um tempinho para voltar a escrever, tenho de mentalizar-me que disciplina é essencial para quem quer trabalho feito =)


Um grande abraço para tod@s vós.

Milene

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Published on January 27, 2013 04:38

July 10, 2011

Conversas Fantásticas – 2ª Edição

Car@s,


Mais uma novidade. Desta feita, um evento onde estarei presente assim como o conto recentemente reeditado.

Lá vos espero! =)



Os jovens escritores Fábio Ventura, Samuel Pimenta e Milene Emídio voltam a encontrar-se para mais uma edição do Conversas Fantásticas na FNAC Alfragide, dia 17 de Julho, pelas 16h.


Muitos dos fenómenos literários do género fantástico tiveram início com a adaptação de livros ao cinema e muitos dos sucessos do cinema só foram possíveis graças ao "boom" de algumas obras literárias. Harry Potter, Twilight e Senhor dos Anéis são só alguns exemplos.


Este ano, o Conversas Fantásticas II partirá dos sucessos do mundo do cinema, da literatura e dos videojogos para uma tertúlia sobre de que forma tudo isso influencia a escrita dos três jovens escritores portugueses convidados.




Abraços,

Milene Emídio

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Published on July 10, 2011 08:25

June 14, 2011

O Vestido (reedição) à venda!

Car@s,


É com um enorme gosto que partilho convosco esta informação. O conto O Vestido está oficialmente à venda na página da editora Eu Edito a partir de hoje. Próximo passo é contactar Fnac, Bertrand e afins para verificar a viabilidade de inclusão do livro nos catálogos/bases de dados das lojas (físicas e online).


Aqui fica o endereço para quem estiver interessado em ver/comprar =)



O Vestido na EuEdito


Abraço,

Milene Emídio

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Published on June 14, 2011 11:37

June 12, 2011

A Capa

Car@s,


Finalmente a tão esperada capa da reedição do meu primeiro trabalho, o conto O Vestido.


Espero que gostem.


Abraços,

Milene Emídio


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Published on June 12, 2011 05:07

May 23, 2011

O Vestido – nova sinopse

Car@s,


E já que a roupagem do conto é nova, nada melhor que reformular a sinopse.

Em primeira mão, aqui vos deixo a nova sinopse d'O Vestido =)



"Diz-me uma coisa filha, acreditas em magia?"


Um vestido, um espelho e uma cigana  surgem repentinamente na vida de Inês abrindo-lhe a porta a uma vida que até então desconhecia.


Nesta viagem sente-se atraída pelo bosque que a chama insistentemente, mas cedo percebe que o chamamento tem outra fonte bem mais obscura.


Mortes e segredos acabam por enredá-la levando-a a uma inevitável conlcusão: a salvação da Herdade está apenas e só nas suas mãos.


Resta-lhe descobrir como. Porém, não esperava conhecer Diogo…


***


Um abraço,
Milene Emídio
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Published on May 23, 2011 13:33

April 17, 2011

Novidades no horizonte

Car@s,


Após a convenção de Bookcrossing no passado dia 02 de Abril, em Torres Novas, que correu lindamente, tomei uma decisão deveras importante para mim e, creio, para os meus leitores.


Optei por avançar com a ideia de uma edição de autor para o conto O Vestido.

O destino d'O Feitiço da Moura ainda não está decidido. Poderá dar-se o caso de seguir o mesmo caminho do seu antecessor ou de, caso haja alguma proposta, seguir um rumo diferente sendo publicado por uma qualquer editora que se mostre interessada em fazê-lo.


O que é certo é que de uma forma ou de outra vocês terão acesso aos contos em formato papel, com direito a capas lindíssimas (pelo menos é esta a minha opinião) e que estarão disponíveis dentro em breve.


Se tudo correr como planeado, o livro será publicado pela EuEdito, que é uma editora print on demand, ou seja, é uma edição de autor com o apoio de uma editora que apenas coordena  os pormenores gráficos do processo, assim como alguma da distribuição através de venda no seu próprio site.

Assim que tiver detalhes (preço, datas, etc) partilho convosco.


Até lá deixo-vos algumas sugestões de "sítios" que podem visitar para tentarem adivinhar o que vos espera [image error]


otherw0rld Digital Art


Milene Emídio Flickr Gallery


Um Abraço,

Milene Emídio

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Published on April 17, 2011 08:09

March 25, 2011

3ª Convenção Nacional do BookCrossing | Localização

Car@s,


Aqui vos deixo o mapa de localização da Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, onde vai decorrer no próximo sábado, dia 02 de Abril, a 3ª Convenção Nacional de Bookcrossing.


Mapa


Espero que estas indicações vos sejam úteis e que possam, desta forma, comparecer para um dia animado, cheio de conversas e livros e ainda conhecerem diversos autores.


Um abraço,

Milene Emídio

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Published on March 25, 2011 13:40

March 19, 2011

3ª Convenção Nacional do BookCrossing

flyer bookcrossing-01
flyer bookcrossing-02

Car@s,


Venho por este meio convidar-vos a juntarem-se a nós neste evento, que tem lugar já no dia 02 de Abril (sábado), em Torres Novas, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes. Vamos ter várias temáticas abordadas, desde literatura infantil ao Romance, passando pelo mundo do Fantástico. Muitos autores a quem podem colocar questões, pedir autógrafos, tirar fotografias. Bastante convívio e boa disposição.


Lá vos espero =)


Um abraço,

Milene Emídio

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Published on March 19, 2011 06:37

March 6, 2011

O Amanhã

Boas =)


Mais um texto que já conta com alguns aninhos. Se a memória não me falha foi escrito em 2004/2005.

Espero que gostem e comentem.


Abraços,

Milene


***


Esperei-te…


Esperei-te em vão…


Pensei que acabasses por aparecer, mas nem tu, nem qualquer notícia tua.

Apenas o vazio me consome, consome o calor deste quarto. A dor aperta e tu não vens.


Esperei-te toda a noite, e o dia antes desta. Para ser franca já perdi a conta às horas, dias, quem sabe até mesmo semanas… Para mim o tempo já pouco significado tem, queria apenas ter-te aqui comigo e de ti nem sinal.


O frio apodera-se da minha alma, enregela-me o corpo, as lágrimas foram tantas que me encontro seca e oca por dentro. Limito-me a esperar por ti, dia e noite, sem cessar. Por onde andas? Que te impede de dizer o que se passa? Porque não vens?


A dor no meu peito é imensa, já não durmo, a comida não me sabe a nada e mal me passa pela garganta, revoltando-se-me no estômago e tu não arranjas meio de apaziguar este sentimento.


Amo-te sim… Amo-te mais que tudo, mais que a própria vida e nem assim consigo estar contigo… Porque tu simplesmente não vens, deixas-me numa eterna espera.


A dúvida ameaça tomar conta de mim, se é que já não me minou por inteiro… Será que este amor que sinto não é retribuído? Não gosto de exigir o que quer que seja, mas penso que não sou merecedora de tal desprezo. Se me amas, então porque não vens? Porque não me dizes nada?


Talvez quando vieres possa ser tarde de mais… Não por me ter cansado de esperar, por ti espero o tempo que preciso for, mas porque a dor me consumiu por inteiro e o meu corpo e a minha alma foram fracos ao ponto de desistir de mim… Sim, porque de ti não desistiria jamais, porque te amo.

Sim amo-te.


Procurei-te por toda a cidade, perguntei por ti a quem conheço e até mesmo a desconhecidos. Até às cartas recorri, mas sem qualquer resultado. Nem os espíritos sabem, ou se sabem, não me dão respostas. Dos sonhos deixei de obter símbolos ou mensagens. Deixei de sonhar, tal como deixei de dormir, mas dos poucos sonhos que tive, em nenhum me visitaste. Que se passa? Porque te escondes?


O meu corpo definha a cada dia, a minha mente está fraca e cansada, mas eu continuo aqui sentada, em frente à janela, de olhar perdido nas ruas, até onde a vista consegue alcançar, mas os dias passam, as noites seguem-se e eu não te vejo.


Vou sair uma vez mais. Amo-te demasiado para ficar nesta inércia sem saber o porquê da tua ausência. O desespero tomou-me por inteiro e não sei se o meu regresso a casa é certo… Não creio que o seja, mas ainda assim não desisto de ti nem de te procurar. Se desistir, é de mim mesma, porque fui fraca de espírito, mas vou-me contigo no pensamento e no coração… Porque te amo.


Sim… Amo-te!


Aquele fim de tarde apresentava-se sereno, o sol descia quase que imperceptivelmente, mas tocava já a linha do horizonte. O céu estava limpo e soprava uma brisa suave. Do lado oposto despontavam pequenos pontos brilhantes desaparecendo gradualmente à medida que a vista avançava pela vasta palete de cores que cobria o céu àquela hora: azul celeste, violeta, rosa e laranja – eis o ponto em que o meu olhar se encontrava com aquela bola de fogo prestes a desaparecer para dar lugar à noite.


A luz do crepúsculo era magnífica, a praia enchia-se de sombras à medida que o sol baixava, a tonalidade laranja esvaía-se lentamente, deixando no céu unicamente o rosa e diversos tons de azul. As estrelas surgiam cada vez mais perto enfeitando aquele grande manto escuro. Do sol já só se avistavam os últimos raios na linha do horizonte, perdendo-se e confundindo-se naquela fraca luminosidade. Nada mais restava… Apenas o rosa lá bem ao longe, o céu mostrava-se azul forte na sua quase totalidade, repleto de estrelas brilhantes.


Tudo à minha volta tinha escurecido, as minhas únicas companhias eram as sombras que teimavam em persistir à luz da lua que nascia a Leste e as vagas do mar que iam e vinham lavando os rastos deixados pelas gaivotas no final da tarde.


Caíra a noite. A brisa sacudia docemente os meus cabelos. Sentia-me só, só como nunca me tinha sentido antes. Um suspiro profundo, cansado e triste fez-me estremecer, não que tivesse frio, porque não tinha, mas porque a minha alma estava exausta, a minha mente entorpecida e minha intuição prisioneira da incerteza e do medo.


O corpo tremia-me como que sacudido por um qualquer vento, as lágrimas ameaçavam cair novamente, gordas e salgadas, mas lutei contra elas com as forças que ainda me restavam. A sensação de vazio adensava-se, já não me sentia oca, as lágrimas interiores preenchiam-me, mas não queria chorar, não o ia fazer.


Caminhei meio às cegas até à beira da água. Esta não estava demasiado fria, o calor que absorvera durante toda a tarde conferia-lhe naquele início de noite uma temperatura agradável. Nem quente, nem fria, mas antes fresca… ou pelo menos assim o gostava de pensar. Precisava clarificar a mente, purificar o corpo e aliviar a alma. Sabia que acabaria por chorar mais cedo ou mais tarde, mas não o queria fazer naquele momento. Era quase penoso reter as lágrimas, mas ainda assim não me sentia preparada para deitar cá para fora toda a angústia e sofrimento que sentia, não estava preparada para encarar o que parecia óbvio. Teria de aguentar um pouco mais para libertar essa dor que me cravava o peito e comprimia a mente. Caminhei um pouco mais, as ondas embalavam-me a saia leve, a água dava-me pelos joelhos. Avancei de olhos postos no horizonte, respirando profundamente tentando acalmar-me. Não tentaria o suicídio, embora me parecesse uma saída fácil, a avaliar a situação em que me encontrava… Bastava caminhar um pouco mais, deixar-me levar pelas ondas, não suspender a respiração quando uma vaga me cobrisse por completo… Entregar-me ali, naquele momento. Mas não o faria, decidira lutar por mim e por um futuro que podia ainda ter.


Avancei um pouco mais, pé ante pé, com a espuma das ondas a encharcar-me as vestes. A água estava ao nível da minha cintura, o meu olhar permanecia fixo, como que hipnotizado pela bola de fogo que momentos antes banhara aquele ponto e que desaparecera para lá do oceano. A brisa soprou mais forte revoltando-me os cabelos, fazendo a roupa molhada colar-se-me ao corpo, desequilibrando-me. Mergulhei na água fresca permanecendo submersa alguns segundos, não muitos, os suficientes para me sentir limpa, para aclarar a mente e acalmar o espírito, sentindo-me como que purificada. Regressei à tona sentindo-me mais leve, mas com um vazio enorme no peito. Já não iria derramar as lágrimas que tinha estado a conter, não seria naquela noite, naquela praia.


Saí da água com o mesmo passo com que lá tinha entrado, como que comungando com a areia fina sob os meus pés e com as ondas que me embalavam a saia. Estava encharcada até aos ossos, mas ainda assim não sentia frio. A lua banhava o céu com a sua luz prateada e as estrelas decoravam cada ponto do manto negro. Não havia qualquer nuvem e a brisa era somente um murmúrio dos espíritos.


Sentei-me. A areia era fofa e limpa. Cruzei as pernas, fechei os olhos e ali me deixei estar durante o que me pareceram horas. A última tentativa de encontrá-lo! Invocaria os guardiães, pediria ajuda à deusa mãe e faria esse último esforço para tentar saber o que lhe acontecera. À minha volta desenhei um círculo, mentalmente construí um pentagrama e telepaticamente tentei o impossível. Uma vez mais, tudo se mostrou mudo perante a minha vontade. Não conseguiria saber dele, não o tinha conseguido durante todo o tempo em que o esperei e não iria ser agora. Agradeci na mesma a presença das divindades e deixei-me estar naquela posição; ao menos conferia-me um pouco de conforto.


Passaram-se minutos, horas…, já não sei. Devo ter adormecido sem dar conta. Quando abri os olhos já a luminosidade denunciava o nascer do dia. Ainda não havia sol, mas a claridade era considerável. O meu corpo estava gelado e dorido por ter dormido na praia, com a roupa molhada e numa posição menos confortável. Levantei-me e caminhei de volta a casa.


A minha mente estava vazia tal como o meu corpo. O luto teria de ser feito. Estranho falar em luto quando não sei sequer o que lhe aconteceu, mas se não me quis ver, nem notícias me enviou… Terei de dar a sua presença como extinta. O termo adequado será mesmo luto!


Não… Não queria voltar a chorar nem a sofrer como sofri naqueles dias, naquelas semanas. Continuaria a esperar em silêncio, mas não da forma ingénua e pura como o tinha feito até então.


Sem dar por isso, estava à porta de casa. Entrei e tomei um longo banho quente. Finalmente iria conseguir dormir descansada. Resolvi-me, entre o vapor libertado pelo chuveiro e a espuma que me envolvia o corpo, que a minha vida teria de mudar. Escrever tudo isto foi o primeiro passo para me libertar das correntes que me amarravam ao passado recente e cruel.


Como disse, continuo a esperar em silêncio, mas encaro agora a vida com outros olhos. Não fico dependente da resposta. Algum dia ela há-de chegar, e, deste modo, vou sentir que não desperdicei o resto dos meus dias concentrada no improvável. Vou sentir, antes, que fiz algo por mim e por aqueles que ainda me rodeiam. E, se realmente, um dia, ele quiser, há-de voltar ou, pelo menos, dizer como e onde está.


Se o amo ainda? Sim, amo. E guardo aquela carta que escrevi na esperança que ele voltasse enquanto eu estava fora à sua procura. Pode ser que um dia ele a venha a ler e então poderá perceber o que foi esperá-lo dia após dia. Não lhe guardo rancor, tenho sim pena que as coisas tenham corrido desta forma, mas amo-o, não lhe quero mal.


Espero agora que ele seja feliz, assim como espero voltar a ser feliz como fui com ele. Se ele reaparecer, cá me encontrará… Secretamente à espera, mas não no sofrimento de outrora.

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Published on March 06, 2011 13:23

March 1, 2011

Pura Magia

Saudações =)


Queria algo meu para dar início a este espaço e em pesquisa por material que aqui tinha por casa encontrei este texto que já tem alguns anos. Um breve conto feito para um desafio num fórum de discussão, que foi posteriormente apresentado como trabalho de texto livre no quarto ano de faculdade, em Oficina da Escrita.


Espero que gostem.


Abraços,

Milene


***


Evelyn subia a custo a encosta sul da montanha. Sabia que algures nas grutas viradas a norte encontraria o seu velho amigo Drake.


Drake era apenas alguns anos mais velho, no entanto, optara por refugiar-se na montanha para se concentrar única e exclusivamente na aprendizagem dos ramos mais altos da magia, queria tornar-se num verdadeiro mago. Há já cerca de cinco anos que Evelyn não o via, lembrava-se de como costumavam andar sempre juntos, partilhar segredos, passear nas longas tardes de verão, contudo, sabia que os olhos cinzentos do seu amigo escondiam algo, um segredo que não havia sido partilhado com ninguém, nem mesmo com ela – a sua melhor amiga.


O sol já descrevera grande parte do seu ciclo, encontrando-se relativamente perto da linha do horizonte, o céu apresentava tons rosa e laranja, a brisa soprava morna, vinda de Este. A caminhada era longa, mas Evelyn estava decidida e nada no mundo a faria mudar de ideias. Por fim avistou as reentrâncias no cimo da montanha, ele havia de estar numa das grutas, restava saber em qual.


A luminosidade era cada vez mais fraca, do sol já pouco ou nada se via, as grutas eram húmidas e escuras. Uma a uma, cada reentrância foi alvo dos olhos curiosos da rapariga, até que numa delas, Evelyn viu uns olhos estranhos que a fixavam e sentiu também um bafo quente. Não conseguiu ter qualquer reacção, as suas pernas tremiam, o seu coração parecia querer saltar-lhe do peito, a cabeça andou à roda e perdeu os sentidos.


Ao reabrir os olhos sentiu-se dorida, estava deitada numa cama de ervas e coberta por uma pele de urso. A visão ainda se encontrava algo desfocada; passou as mãos pelos olhos para a aclarar, quando as retirou viu a figura de um homem que lhe sorria e lhe estendia uma chávena de qualquer coisa fumegante.


- Há quando tempo Evy! Estavas com melhor aspecto da última vez que te vi. – proferiu em tom jocoso. – Que te trás por cá?


A rapariga apercebeu-se que o homem que se encontrava sentado ao seu lado era nem mais nem menos que Drake, o seu amigo. Estava diferente, mais velho – não apenas pelos cinco anos que tinham passado… as suas feições permaneciam agradáveis, mas estavam mais duras, tinha um ar mais adulto, mais maduro. Sem dar por isso, Evelyn corou ao olhar para Drake. A última vez que o tinha visto era apenas um rapaz, agora tornara-se num homem charmoso e misterioso.


- Quero aprender magia! – disse.


- Evy, estás cansada, da aldeia até aqui ainda é longe. Levaste um grande susto… Acabaste de recuperar os sentidos.


- Quero aprender magia, Drake! Não percorri todo este caminho para me tentares dissuadir! Sei o que quero e se não for contigo que és o meu melhor amigo, há-de ser com outro mestre que me aceite! – E dito isto, cruzou os braços em frente do peito.


- Evy, porquê magia? Porquê eu? Porquê agora?


- Para quem se tornou mago, já devias ter calculado a resposta… – retorquiu, olhando-o de lado. – Pois bem, porquê magia, há muito que queria aprender. Desde os tempos em que me falavas de tudo o que esperavas tornar-te, o que tinhas de estudar… Porquê tu?, porque és o meu melhor amigo e sinto que me podes iniciar. Porquê agora?, foi como que um chamamento… Algo me disse que tinha de vir.


- Tu sabes o que viste quando aqui chegaste? – Ao perguntar, Drake desviou o olhar da rapariga, acto que chamou a sua atenção.


- Apenas uns olhos estranhos… senti também um bafo quente… – Reparava agora que os olhos cinzentos do seu amigo estavam mais misteriosos que antes, sabia que ele lhe ia contar algo de que ela não ia gostar, muito provavelmente.


- Era um dragão Evy. Eu sou um dragão.


A primeira reacção de Evelyn teria sido rir-se caso o ar triste e sério de Drake não a tivesse levado a acreditar no que acabava de dizer.


- Tu? Como?


- Já te perguntaste o porquê das minhas ausências? O porquê da necessidade de isolamento? O porquê de nunca ninguém ter tido conhecimento do que quer que fosse sobre mim ou sobre a minha família?


Evelyn não tinha resposta. Agora tudo o que ficara por explicar durante tantos anos parecia bater certo. Ainda assim, Drake continuava o seu melhor amigo, sabia que ninguém melhor que ele para a iniciar e fazer dela uma verdadeira feiticeira.


- Aceitas-me como aprendiz ou não?


- Não tenho escolha, pois não? – Drake já algum tempo que sabia que esse dia havia de chegar. Sorriu-lhe.


- Não.


Os dias passaram-se, entre as tarefas que cada um acordou em fazer e as lições teóricas e práticas de magia, Evelyn e Drake reataram a sua velha amizade, mas algo tinha mudado… Por vezes faziam-se sentir uns silêncios incómodos, uns olhares furtivos, ela já não era a criança de outrora e ele tinha-se tornado num homem, muito atraente por sinal.


Evelyn era uma aluna competente, não tardaria muito e estaria pronta para realizar os rituais por si própria, seria também capaz de fazer poções, unguentos e pomadas, assim como chás e infusões das mais diversas ervas e aplicá-las às mais diversas patologias. Faltava ensinar-lhe muito pouco, e isso não deixava Drake feliz, só de pensar no dia em que a sua Evy tivesse de se ir embora sentia um vazio, um aperto no estômago; gostava dela, tinha de admitir que sempre gostara e que as ultimas semanas na sua companhia tinham vindo adicionar algo mais à amizade e carinho que por ela nutria. A rapariga andava sempre atarefada, mas era perspicaz e não demorou muito tempo até se aperceber da mudança dos seus sentimentos para com Drake, assim como da mudança de atitude dele para consigo.


O sol acabava de nascer, Evelyn tinha já arrumado a gruta e colocado num cesto tudo aquilo que iria necessitar para o ritual que iria executar nessa mesma tarde na clareira da floresta, perto do rio. Drake, por sua vez, encontrava-se taciturno a olhar para a névoa que ainda pairava sobre a copa das árvores. Não muito depois desceram a encosta da montanha em direcção à floresta. Seguiram inconscientemente de mãos dadas, nervosos. Se tudo corresse bem, seria o último dia que Evelyn passaria naquele local, a menos que… Drake não queria pensar muito nisso, tentava antes manter a sua mente concentrada na preparação do ritual da sua aprendiz.


Por fim chegaram à clareira, tudo era paz e tranquilidade naquele espaço. Não muito longe corria o rio, o murmurar das suas águas puras e cristalinas fazia-se ouvir como uma doce melodia numa tarde de final de primavera. Evelyn tratou de colocar cada objecto no seu devido local e refugiou-se atrás de um grande carvalho para mudar de roupa. Drake, por sua vez, foi até ao rio, encher de água uma pequena taça de prata. Quando voltou já ela se encontrava no centro do círculo formado pelos objectos rituais. Os seus olhos brilharam ao vê-la ali, de cabelos soltos, embalados pela brisa da tarde, vestindo apenas uma túnica comprida de tons azuis, empunhando uma pequena faca de lâmina retorcida. Colocou a taça no seu lugar e ficou sentado numa raiz saliente a observar a sua aluna a desempenhar parte do que lhe fora ensinado. O ritual demorou algum tempo, a lua já aparecia no céu, a brisa continuava morna, Evelyn agradecia agora a presença dos elementos, do Deus e da Deusa. Drake parecia estar em transe, algo mais aparecera naquele momento mágico, o espírito do seu mestre.


Diz-lhe, não cometas o mesmo erro que tantos de nós cometemos. Agarra esta oportunidade porque outra não se te apresentará!


-Drake? – Evelyn tentava despertá-lo do transe com um toque suave no ombro.


- Sim, desculpa. – proferiu, acordado do seu estado apático. – Já terminaste? Arrumaste os objectos?


- Está tudo na cesta. Está tudo bem contigo? – A sua expressão era de nítida preocupação, também ela tinha sentido uma energia estranha às presentes no ritual, só não se tinha apercebido a quem pertencia.


- Estás muito cansada, ou aceitas um convite para uma caminhada até ao rio?


- Não, estou bem. Deixo ali o cesto?


- Deixa.


E percorreram a pequena distância da clareira até ao rio, lado a lado, em silêncio. Quando lá chegaram Evelyn sentou-se numa rocha mergulhando os pés na água fresca, a noite estava quente. A lua estava cheia e encontrava-se mesmo acima das suas cabeças, fazendo as águas do rio parecerem fios de prata sobre um manto escuro. Drake tentava encontrar a melhor forma de contar a Evelyn o que lhe ia na alma, um conselho do seu mestre não devia ser levado com ânimo leve. Vê-la ali, sob a lua, com a túnica pelos joelhos, de pés mergulhados na água fazia sentir-se desconfortável. Uma forte vontade de a abraçar ameaçava fazê-lo perder o controlo sobre si mesmo. Deu um passo em direcção à jovem, tentando parecer normal, mas Evelyn tinha uma intuição apurada e voltou-se no exacto momento em que ele se movera. Os olhos dela brilhavam… Um brilho estranho, misterioso, que o chamava. Ele foi-se aproximando sem se aperceber, como que hipnotizado por aqueles olhos. Ficaram frente a frente, Evelyn tinha-se levantado. À distância que estavam conseguiam sentir a respiração um do outro, o silêncio era incómodo mas nenhum deles ousava quebrá-lo. Repentinamente elevou-se uma brisa e um mocho piou algures do fundo da negra floresta, uma nuvem cobriu a lua e quando esta voltou a brilhar no céu estavam os dois perdidos num intenso beijo, um beijo que traduzia tudo aquilo que Drake tinha para dizer a Evelyn, um beijo que por si só mostrava o que ambos queriam do futuro, um beijo que durou um momento, mas que assinalou o início de algo bem maior que o tempo.


***

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Published on March 01, 2011 13:53