Raquel Fonseca's Blog
October 20, 2020
«Magníficos Estranhos», Elizabeth Klehfoth
Título Original: «All These Beautiful Strangers»
Autor: Elizabeth Klehfoth
1ª Edição: Julho 2018
Género: Romance, Mistério
Editora: Casa das Letras
Leitura iniciada a 3 de Setembro e terminada a 13 de Outubro de 2020
Classificação: 1 2 3 4 5
“As histórias que contamos podem mudar a maneira como vemos o mundo. Queria contar essas histórias; precisava de contá-las.”
“Magíficos Estranhos” foi uma daquelas descobertas que fazemos quando estamos simplestmeente no meio de uma livraria à procura de tudo e de nada. Sem querer nada em específico, encontramos um título que nos impele a puxar o livro da prateleria. Assim, deparamo-nos com uma capa que nos atrai e nos faz ler o resumo. E é nesta sucessão de acontecimenos que nos vemos a acabar de ler uma grande história – ou não.
Trata-se de um primeiro romance da escritoria Elizabeth Klehfoth, e, embora tenha achado algumas falhas na escrita e talvez na tradução – por vezes demasiados clichés ou diálogos um pouco falsos, fiquei muito cativada pela história desde a primeira página.
Charlie Calloway vive desde muito pequena assombrada pelo desaparecimento da sua mãe; um acontecimento que reúne várias teorias: uma fuga, um homicídio passional? Passando, assim, toda a vida apenas com o seu pai e irmã, e com a família paterna, segue os passos do pai ao frequentar o colégio Knollwood e ao ingressar no exclusivo e secreto clube A.
É nesse clube que se vê parte de um grande segredo, e que começa a investigar os da sua família. Vê-se no meio de uma grande encruzilhada e sozinha a lutar pela verdade.
É uma história viciante, nada previsível, e que nos leva a virar sempre mais uma página. Uma boa leitura.
“Ultimamente, tenho pensado muito em fantasmas, nas coisas que nos assombram e nas histórias que contamos, porque certamente que elas revelam algo de importante acerca de nós. Que coisas são estas que parece que não nos largam ou de que nós nos recusamos a abrir mão?”
August 11, 2020
«A Rapariga que Inventou um Sonho», Haruki Murakami
Título Original: «A Rapariga que Inventou um Sonho»
Autor: Haruki Murakami
1ª Edição: Março 2008
Género: Contos
Editora: LeYa
Leitura iniciada a 1 de Maio e terminada a 11 de Agosto de 2020
Classificação: 1 2 3 4 5
“…e que nada nem ninguém permita que nuvens escuras constituam uma ameaça.”
Já antes referi Haruki Murakami no eu blog, mas de uma forma muito diferente. “A Rapariga que Inventou um Sonho” foi o primeiro livro de contos que li do autor proclamado como o melhor contador de histórias
Realmente, Murakami não se contenta com deixar alguém a, simplesmente, ler um livro. Em vez disso, tem de nos transportar para outro universo, com outras leis, com outra realidade, com todo um conjunto imenso de sensações desconhecidas neste nosso universo da vida real. Tudo transcende os limites que conhecemos e tudo testa a nossa imaginação. Trata-se de um conjunto de contos passados em vários pontos do Japão, que retratam toda uma série de acontecimentos estranhos, misteriosos, bizarros. Pelo título do livro, somos sepre provocados a pensar se serão tudo sonhos, invenções, mentiras…?
A esta névoa que se põe entre a realidade e a ficção, ainda acrescenta um pouco da cultura japonesa, muito do seu gosto pela música, principalmente pelo jazz, e ainda uma pequena visão das suas próprias experiências pessoais.
“Só quando abandonei a ideia de ser pianista é que compreendi como tocar piano podia dar gozo. E como a música era maravilhosa.”
Em todos os contos, o autor brinca com os finais. Pica os leitores om o enredo mais chamativo, viciante, de pôr o coração a bater ráido, e corta-nos a emoção com o final mais banal que nem se podia imaginar.
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Tenho de admitir que gostei mais, até agora, de ler os seus romances do que os contos. Mas é sempre impressioante como Murakami consegue fazer-nos sentir um leque tão vasto de emoções em histórias tão curtas.
Vou sempre aconselhar qualquer pessoa a ler Haruki Murakami, porque é dos autores mais emblemáticos que temos na literatura do século XXI. Em tempos de pandemia, este livro de contos não foi a melhor escolha para mim, pois, não havendo uma única linha narrativa que me puxasse, demorei bastante tempo a chegar ao fim.
No entanto, valeu a pena, como de costume.
April 22, 2020
«O Adeus às Armas, Ernest Hemingway»
Título Original: «A Farewell to Arms»[image error]
Autor: Ernest Hemingway
1ª Edição: 1929
Género: Drama, Romance, Clássico
Editora: Livros do Brasil
Classificação: 1 2 3 4 5
“Quando as pessoas defrontam o mundo com tanta coragem, o mundo só pode quebrá-las matado-as, e por isso, é claro, mata-as.”
Hoje é dia de clássico.
Ler um clássico é sempre uma lufada de ar fresco. Não há escrita tão pura como esta. Já andava para ler este livro há muitos anos, e finalmente chegou a sua vez.[image error]
«O Adeus às Armas» é o relato de um tenente americano que presta serviço como condutor de ambulâncias na frente italiana da Primeira Guerra Mundial. Durante todo o livro, estamos dentro da sua cabeça, vivemos o que ele vive e ele partilha connosco os seus pensamentos. E assim, vivemos uma grande transformação desde a primeira página à última. Crescemos com Frederic Henry, e ele ensina-nos sobre esta guerra, e sobre um ponto de vista pouco conhecido da mesma.
Mas mais do que um relato histórico, como todas as boas histórias, é uma história de amor, e é uma história sobre vitórias e sobre perdas, sobre lealdade e sofrimento e deserção, é uma história tão humana que nos conseguimos ver lá. É cheia de personagens estranhos que vamos conhecendo, de diálogos estranhos entre pessoas de várias nacionalidades numa altura de grande tensão.
Ler um clássico é uma experiência, e, por isso, há pouco mais que se possa dizer, para além de que é absolutamente obrigatório ler algumas destas pérolas durante a vida, e deixar que nos partam um bocadinho o coração.
“Não se sabe de nada. Nunca se tem tempo para aprender. Atiram-nos para aqui, ensinam-nos as regras, e ao primeiro erro matam-nos.”
April 16, 2020
«História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar», Luís Sepúlveda
Título Original: «Historia de una gaivota e del gato que le enseño a volar»[image error]
Autor: Luís Sepúlveda
1ª Edição: Maio 1997
Género: Fábula
Editora: ASA
Classificação: 1 2 3 4 5
“Somente aqueles que ousam podem voar.”
Hoje despedimo-nos daquele que foi o Rei das Fábulas do nosso tempo. E apenas temos a agradecer pelo que nos deixa para trás: uma vasta coleção de parábolas que marcaram a infância de uma geração, e, decerto, o continuarão a fazer.
Num porto de Hamburgo, uma gaivota aterra, coberta de petróleo, doente e aleijada. E, sabendo o seu destino, tenta arranjar um progenitor para o seu pequeno ovo. O gato grande, preto e gordo assume a responsabilidade, e promete duas coisas: cuidar sempre da gaivota e ensiná-la a voar.
Os livros de Sepúlveda são uma delícia. Um reconforto. Como é que este gato grande, preto e gordo vai ensinar uma coisa que não sabe? Mas a maior aventura da sua vida acontece e toda a sua energia vai para dar à gaivota tudo aquilo a que tem direito na sua vida, e cumprir a promessa que fez.
“- Vais voar. Todo o céu será teu. Nunca te esquecerei. Voa!”
Eu lia este livro ao colo da minha mãe, foi dos primeiros livros que li. Mas desengane-se quem pensa que os livros de Sepúlveda são “para crianças”. Cada vez que pego neste livro, passa-me uma nova mensagem.
RIP Luís Sepúlveda (4 Out 1949 – 16 Abr 2020)
March 20, 2020
«A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata», Mary Ann Shaffer & Annie Barrows
Título: «A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata» | Título Original: «The [image error]Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society»
Autor: Mary Ann Shaffer & Annie Barrows
1ª Edição: Março 2010
Género: Drama, Romance
Editora: Editora Objectiva
Classificação: 1 2 3 4 5
“Life goes on.” What nonsense, I thought, of course it doesn’t. It’s death that goes on.”
Este livro ficou, também, para sempre na minha lista de livros para a vida. E um dos motivos é, obviamente, o título. É um dos títulos mais divertidos que conheço e, ao mesmo tempo, mais precisos.
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Na altura em que o li, andava viciada em livros das épocas das guerras mundiais, e portanto foi um livro que respondeu imenso às minhas expectativas.
Passa-se após o fim da II Guerra Mundial, e é relatado por Juliet Ashton, uma jovem escritora de sucesso, que, inesperadamente recebe uma carta de um residente da ilha britânica de Guernsey. O seu contacto acontece graças a um livro, que lhe foi tão importante durante a guerra, e que, por entre cartas, leva a escritora a viajar até à ilha.
Todo o livro é composto apenas por cartas entre os vários personagens intervenientes e cabe aos leitores construírem o ambiente e a narrativa na sua imaginação.
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É um livro com muita emoção, muitos sentimentos misturados; é sobre aquelas famílias que não são de sangue mas parecem, sobre amizades muito fortes, sobre tempos difíceis e tempos melhores. É guerra, é romance, é mistério, é livros e poesia e muita discussão sobre literatura.
“Perhaps there is some secret sort of homing instinct in books that brings them to their perfect readers. How delightful if that were true.”
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Em 2018 foi lançada a adaptação deste livro a filme, e com muito sucesso, na minha opinião. Embora já tivesse lido o livro há uns anos, o filme deu-me uma imagem muito boa do que me lembrava.
March 9, 2020
«O Pintassilgo», Donna Tartt
Título: «O Pintassilgo» | Título Original: «The Goldfinch»[image error]
Autor: Donna Tartt
1ª Edição: Outubro 2013
Género: Drama, Romance, Ficção, Arte
Editora: Editorial Presença
Leitura iniciada a 7 de Março de 2019 e terminada a 27 de Abril de 2019.
Classificação: 1 2 3 4 5
«Caring too much for objects can destroy you. Only—if you care for a thing enough, it takes on a life of its own, doesn’t it? And isn’t the whole point of things—beautiful things—that they connect you to some larger beauty?»
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Tenho tido muita sorte com os livros que me vêm parar às mãos. «O Pintassilgo» é um nome que me passou muitas vezes à frente, mas nunca me puxou o suficiente para comprar. Quando mo ofereceram em 2018 (mil obrigadas!), ainda esteve na estante durante quase um ano. No entanto, quando peguei nele, não o conseguia pousar!
Até agora, foi o maior livro que já li – com 893 páginas na versão portuguesa; e ficou naquela lista de “livros para a vida”.
Ao longo do livro, acompanhamos a vida quase completa de Theo Decker, um nova-iorquino a quem, podemos dizer, tudo corre mal desde a primeira página. É um livro que chega a ser frustrante – o rapaz não teve sorte nenhuma na vida, tomou todas as más decisões, e nós ficamos do lado de cá a tentar chamá-lo à razão, sem muito sucesso. Theo depara-se com mudanças radicais na sua vida quando está no meio de um ataque terrorista a um museu. A partir daqui, não só vê a sua vida a ser totalmente mudada, como, sem saber, entra no mundo da arte e não volta a conseguir sair. Com ele, aprendemos sobre história da arte, sobre restauro, sobre contrabando (!), sobre a grande paixão que corre nas veias das pessoas que estão nesta área.
«You can look at a picture for a week and never think of it again. You can also look at a picture for a second and think of it all your life.»
E acabamos por querer sempre virar mais uma página.
Este livro é uma mistura inteligentíssima de drama com arte, de relações humanas com conflitos interiores, de grandes apertos no coração de Theo com os nossos próprios. Está tão cheio de diferentes emoções que é daqueles livros que nos fazem achar que aquela dor é tão nossa como dos personagens, e que ficam connosco até depois da última página.
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«I had the epiphany that laughter was light, and light was laughter, and that this was the secret of the universe.»
Em 2019 saiu a adaptação a filme, que não desilude de todo, embora não consiga chegar a ser tão imersivo como o livro (palavra suspeita de quem defende sempre os livros).
March 2, 2020
«Amigo Imaginário», Stephen Chbosky
Título: «Amigo Imaginário» | Título Original: «Imaginary Friend»[image error]
Autor: Stephen Chbosky
1ª Edição: Outubro 2019
Género: Ficção, Suspense, Terror
Editora: ASA
Leitura iniciada a 5 de Janeiro de 2020 e terminada a 25 de Fevereiro de 2020.
Classificação: 1 2 3 4 5
Todos nos lembramos do grande sucesso de Stephen Chbosky de 1999, “The Perks of being a Wallflower”. Este livro marcou uma geração, principalmente quando foi adaptado a filme em 2012.
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Bem, 20 anos depois, o autor surpreende-nos com um calhamaço de 862 páginas (na versão portuguesa) – e não nos deixa nada mal. A sua narrativa viciante e afeto pelos persoagens continua lá, desta vez com um enorme e brilhante detalhe e um ambiente de enorme complexidade que nos obriga a mergulhar num novo mundo.
As primeiras duas coisas que me chamaram a atenção neste livro, antes de o ler, foram logo nos agradecimentos: a referência a Emma Watson por inspirar o final e o agradecimento a Stephen King pela inspiração geral. Wow. Então isto vai ser uma história de terror?
Para mim foi uma estreia.
Então, “Amigo Imaginário” fala de Christopher, uma criança de 7 anos que quando se muda para uma nova cidade com a mãe, experiencia acontecimentos fora do normal, vê figuras nas nuvens que interagem com ele, ouve vozes que lhe dizem o que fazer – desaparece durante 6 dias no bosque – e volta de lá com um mundo imaginário ao qual só ele tem acesso.
Este livro é tão profundo, tão cheio de ramificações, tão inteligente e pormenorizado. Põe a mente de qualquer um a funcionar, o coração a bater rápido e os olhos a espreitar por cima do ombro. O final deixou-me num estado de morte cerebral por uns segundos.
Os capítulos são pequenos, a escrita faz-nos achar que estamos a ver um filme, por isso não se assustem com o seu tamanho. Stephen Chbosky deu-nos mais uma grande prenda.
«Adults are bad at remembering how powerful they can be because somewhere along the line, they were shamed for their immagination.»
March 1, 2018
«O Gigante Enterrado», Kazuo Ishiguro
Título: «O Gigante Enterrado» | Título Original: «The Buried Giant»[image error]
Autor: Kazuo Ishiguro
1ª Edição: Abril de 2015
Género: Romance, Fantasia
Editora: Gradiva
Leitura iniciada algures em Dezembro de 2017 e terminada a 25 de Fevereiro de 2018.
Classificação: 1 2 3 4 5
Alguém falou em Prémio Nobel da Literatura? Bem, o Kazuo Ishiguro decerto deve estar à vontade com o tema!
A primeira vez que vi este livro na Fnac, pensei: “Como é que o prémio nobel deste ano pode ter um livro de fantasia?” E, logo de seguida: “TENHO de ler isto!” E Ishiguro não me deixou mal. É, de facto, uma lufada de ar fresco que nos chega no ano de 2017, com vários livros, contos, e até guiões de cinema.
[image error]A sua escrita é clara e contrasta com a sua linha narrativa complexa. Os seus personagens são simples mas especiais, são pormenorizados nas suas vidas vagas e rotineiras; e a sua imaginação e criatividade vai além da maioria dos escritores.
“O Gigante Enterrado” baseia-se num tempo da história coberto de guerras, inimizades entre reinos; num espaço em que existem dragões, gigantes, duendes, ogres, e muitas outras criaturas mágicas que coabitam um mundo “real”, “normal” – o nosso mundo. É com este plano de fundo que aparecem Axl e Beatrice, – um velho casal que partilha o amor mais sincero de todas as histórias de amor – que partem numa viagem à procura do seu filho, há tanto perdido.
Mas Ishiguro não deixa que esta seja uma história simples. Não. Em vez disso, uma névoa de esquecimento abate-se sobre toda a região. As memórias dispersam, os raciocínios perdem-se, todos os acontecimentos – tanto os que sucederam há 50 anos atrás, como os que acabaram de passar – são perdidos antes de chegarem à memória.[image error]
Este livro é uma gigante metáfora – um livro tão distante de nós quanto o é atual. E, até à última página, deixará qualquer leitor de respiração suspensa. Não vou deixar de aconselhar este livro: apesar de ser uma história complicada (bem, se todos passássemos a ser incapazes de guardar memórias, também teríamos conversas bastante complicadas) é uma mistura de géneros, capaz de mover vários tipos de leitores a juntarem-se a esta viagem.
“Estás tão segura, boa senhora, de que desejas libertar-te dessa névoa? Não é melhor algumas coisas permanecerem ocultas das nossas mentes?”
Comprometo-me a reler, um dia, pela certeza dos milhões de pormenores que ficaram para trás.
Kazuo Ishiguro, parabéns! Voltaremos a encontrar-nos!
P.S.: Admito que o facto de ter um comentário do Neil Gaiman na capa também influenciou a minha compra.
December 9, 2017
«Turtles all the way Down», John Green
Título: «Turtles all the way Down» | Título Português: «Mil Vezes Adeus»
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Autor: John Green
1ª Edição: 10 de Outubro de 2017
Género: Romance
Editora: Dutton
Leitura iniciada a 26 de Dezembro e terminada a 8 de Dezembro.
Classificação: 1 2 3 4 5
É verdade: ele voltou! E, cinco anos depois, voltamos a ter os nossos corações partidos pelo fantástico John Green. Mas a espera valeu a pena! Este senhor voltou a atacar, e, se me permitem a opinião pessoal, conseguiu alcançar e talvez até superar a sua própria fasquia posta em 2005 com «À Procura de Alaska».
Este novo livro, em português traduzido para “Mil Vezes Adeus”, fala-nos de Aza Holmes, uma completamente nova e reformulada personagem principal dos romances de Green. Aza sofre de um distúrbio mental ligado à ansiedade e ao pânico em relação aos micróbios que nos rodeiam.
[image error]Por isso, não, este não é um livro sobre um amor nunca correspondido, como À Procura de Alaska; nem sobre um amor condenado, como A Culpa é das Estrelas; nem sequer sobre uma tentativa de descoberta do que é realmente o amor, como O Teorema de Katherine. Este livro é uma novidade, e é tão bom ler algo novo e fresco!
Antes de mais, aproveito para recomendar este livro para aquelas tardes chuvosas que se aproximam; para os primeiros dias de férias, quando podemos ficar sentados no sofá, de pijama, com um bom livro nas mãos e uma caneca de chocolate quente.
“Turtles all the way Down” é um livro sobre descoberta: quem sou eu? Por que é que sou assim? Como é que fiquei assim? Como é que eu vou ser daqui para a frente? É uma viagem psicológica aos mais fundos sentimentos de uma pessoa, onde estão todas as respostas – ou não, – onde está a clareza da vida – ou não, – e onde está a verdadeira felicidade de conseguirmos viver com todas as personalidades que estão dentro do nosso corpo.
John Green tem uma visão incrível acerca das relações entre as pessoas, inseridas num tempo e num espaço, e este livro mostra bem isso. Tocou-me bastante a sua abordagem ao conhecimento da personagem principal, como narradora, quando mostra que já sabe o que acontecerá no futuro, embora a personagem principal, como Aza Holmes naquele tempo e naquele espaço ainda não o saiba. Ela sente saudade, não sabendo como aquela relação se vai desenrolar; ela sente que é só mais um dia, mas, na verdade, era aquele o último.
Mas nós não sabemos. Não sabemos nada do que virá no próximo minuto, mas permitimo-nos sentir e pensar acerca do que aí vem.
São 286 páginas de pura magia, de uma mistura total de sentimentos, de temáticas, de vidas, de tudo o que nos rodeia no mundo.
É uma confusão, e é a tentativa falhada que repetimos todos os dias de a tentar perceber.
«Imagine you’re trying to find someone, or even you’re trying to find yourself, but you have no senses, no way to know where the walls are, which way is forward or backward, what is water and what is air. (…) You’re just stuck in there, totally alone, in this darkness.»
John Green, mais uma vez, obrigada!
«(…) and no one ever says good-bye unless they want to see you again.»
P.S.: Para quem lê livros em inglês, o site Book Depository é o melhor para encomendar livros! É muito barato, e não se pagam portes para lado nenhum. É seguro! E cada encomenda traz um marcador de livros, sempre diferente, e muito giros!
August 16, 2017
«Quando Éramos Mentirosos», E. Lockhart
Título: «Quando éramos mentirosos» | Título Original: «When we were liars»
Autora: E. Lockhart, pseudónimo de Emily Jenkins[image error]
1ª Edição: 2013
Género: Romance, Drama, Tragédia
Editora do Exemplar: ASA
Leitura iniciada a 12 de Agosto e terminada a 14 de Agosto.
Classificação: 1 2 3 4 5
[image error]Depois de encontrar este livro – que eu queria há tanto tempo – na Bertrand, por 7,5€, ganhei um novo “livro para a vida”! Sim, mais um daqueles que vou sempre enumerar em qualquer circunstância!
Aviso, no entanto, desde já, que aqueles que gostam de preservar a sua felicidade e sanidade mental não devem, de todo, ler este livro.
«Quando éramos mentirosos» fala sobre a família Sinclair, uma família perfeita: ninguém falha, ninguém se chateia, ninguém é ridículo. Todos são atléticos, felizes, atraentes, ricos. Sim, a sua fortuna é vasta e antiga e é sobre esse nome que são conhecidos. As três gerações da família Sinclair reúnem-se todos os verões nas casas na sua ilha privada, sem exceção. E é sob a magia desta ilha que Os Mentirosos se juntam: “Johnny é energia, esforço e ironia.” “Mirren é açúcar, curiosidade e chuva.” “Gat era contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte.”
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Mas a família Sinclair, por trás daquela faceta perfeita, esconde um segredo. E um segredo terrível. Um segredo que põe toda a gente a mentir. O que se terá passado no verão quinze?
É um livro mágico. Viveremos durante três verões com Os Mentirosos e quereremos ficar para todo o sempre. Qualquer leitor será puxado para as suas convicções, para a sua liberdade, para o seu desejo. É um livro de revolta, aquela revolta pura e dura com que todos os adolescentes sonham e acham que podem lidar. É um livro sobre amor, sobre tragédia, sobre tudo o que passa à nossa volta. E não pode, de qualquer forma, ser um livro que passa despercebido.
É um livro, uma história, quatro amigos, um grupo que nos faz gostar de mentiras, e não querer a verdade. Nunca, nunca, nunca a verdade será melhor do que a mentira.
“E se alguém lhe perguntar como acaba este livro… Minta.”
Qualquer um que tenha lido “Os Interessantes” de Meg Wolitzer se sentirá puxado a devorar “Quando éramos mentirosos”; mas, de outro ponto de vista, qualquer um que venha de uma família numerosa, que tenha muitos primos e verões em família, sentirá o mesmo.
«Ele era uma pessoa que não conseguia fingir um sorriso, mas que sorria muito. Enrolava gaze branca nos meus pulsos e acreditava que as feridas precisam de atenção. Escrevia nas minhas mãos e perguntava-me o que eu estava a pensar. A sua mente era inquieta, inexorável. Ele já não acreditava em Deus, mas ainda desejava que Deus o ajudasse.
E agora ele era meu e eu disse que não devíamos deixar que o nosso amor fosse ameaçado.
Não devíamos deixar a família desfazer-se.
Não devíamos aceitar um mal que podíamos mudar.
Devíamos erguer-nos contra ele, não era?
Sim. Devíamos.
Seríamos heróis, até.”
É um bom livro para “queimar” uns dias “aborrecidos e monótonos” das férias de Verão.[image error]
Deixem o vosso comentário ou sugestão, e boas leituras!
Encontramo-nos no próximo post.


