Jackson da Mata's Blog
January 12, 2017
Um dia em que a Sexta-Feira era 13
A verdade é o oposto da ignorância e a ignorância é a causa primordial da superstição.
―Jackson da Mata
Sexta-Feira 13, março de 2015
Sempre achei meu pai uma criatura sui generis. Bem descomunal mesmo, com uma característica compreensível e singular. No inicio da década de 90, quando nosso fogão tinha asas, ele chegou a nossa casa com um jornal de grande circulação da época em mãos mostrando-nos a matéria de capa, em que ele era o entrevistado, com o tema: “Não Tenho Medo de Gato Preto”. Acompanhado da matéria estava uma foto em que ele simulava passar debaixo de uma escada.
Era um período em que as informações ainda não corriam na velocidade da internet, mas as inovações tecnológicas já estavam deixando a vida cotidiana cada vez mais prática.
O Brasil ainda respirava um tempo de transições preparando o terreno para os oportunistas de um futuro governo ganhar as credibilidades de uma pequena estruturação econômica.
Um tempo em que os presidenciáveis eram homens extremamente supersticiosos:
— Collor, do início da década de 90 foi um homem cheio de superstições. [1]
— Itamar, sucessor do infortúnio, dizia não usar terno marrom. [2]
— FHC dirigia fazendo figas com os dedos nas duas mãos. [3]
Até aquele momento as sextas-feiras 13 passavam despercebidas por meu olhar de menino. Meu pai, exibindo a matéria em que ele era o protagonista, alumiava que essas cismas não passavam de enganação; enquanto que minha mãe nos proibia de assistir aos filmes de terror, costumeiramente exibidos na TV nestes dias propícios.
Não importava o que meu pai dizia, como criança, criávamos um mundo só nosso; cheio de imaginações. Como diriam nossos conterrâneos Amazonenses: “Espia só,… as crianças ficaram todas encasquetadas”. E realmente ficamos! Crianças se encasquetam com tudo.
O Brasil é um país extremamente supersticioso, se é um dos maiores do mundo não cabe a eu afirmar. Esse mundo de simpatias é um desconhecido mundo de absurdos. Já ouvi falar que nos EUA muitos prédios não possuem o 13º andar.
No Brasil, o único azar atrelado ao número 13 em que realmente acredito ser um atraso e infortúnio é o 13 do PT. Como disse certa vez Levir Culpi, [4] “A única coisa que evoluiu no Brasil foi o atraso”. Esta é uma frase antológica que define o pensamento dos brasileiros que vestem as cores da bandeira contra a corrupção.
Afirmo com toda propriedade que só acredito em uma superstição, ela é imbatível e sempre dá certo quando o assunto é dinheiro. Acredite! A melhor simpatia para ganhar dinheiro é labuta. E muita labuta!
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[1] Rosane Collor revela que ex-presidente fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda. Fantástico, de 15/07/2012.
[2] Revista Veja, de 30 de setembro de 1992.
[3] Afirmado por Florestan Fernandes Jr, no Roda Viva de 11/3/1991, posteriormente negado por FHC; ele disse que o FHC o levava para a escola junto com seus filhos e guiava fazendo uma figa [com os dedos das duas mãos], enquanto segurava a direção do carro.
[4] Em entrevista ao Jornal Estado em 17/11/14.
Ilustração, via Heróis da TV.
December 27, 2016
A marca da intolerância
Vai começar o jornal – diz o homem franzino sentado no sofá, como um ilustre inseto que vagueia pela bosta recém-defecada de um felino.
Com o controle de TV na mão, muda freneticamente de canal em busca das melhores notícias sensacionalistas. Mortes, assaltos, estupros, (…) Isso é notícia! Isso é n-o-t-í-c-i-a!
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Como sobreviveriam nossos jornais sem o sensacionalismo? Da mesma forma que sobrevive a nossa sociedade com a demandada intolerância. Já não sei ao certo se os excessos de notícias que exploram matérias escandalosas inibem ou acatam ainda mais a violência em nosso país.
Não é difícil nos depararmos com atitudes intolerantes no dia a dia. Basta caminharmos pelo trânsito abarrotado de Manaus, pra ser mais preciso. Ou quem sabe tentar encarar o horário de pico da grande São Paulo. Não demorará a ouvirmos o espetáculo da orquestra de buzinas soando em nossos ouvidos. Um verdadeiro frenesi!
Ou quem sabe você more em um apartamento e em algum momento já saiu no braço com o vizinho que costuma fazer festa até altas horas da madrugada no andar de cima? Lembro-me de um caso de intolerância, que os jornais noticiaram no sudeste brasileiro: – “Vizinho mata casal, a tiros, que fazia barulho no andar de cima do apartamento. O grotesco ainda estava por vir, após matar o casal, o vizinho incomodado tira a própria vida com um tiro na cabeça.” O mercado da intolerância tem colocado comida na mesa de muitos jornalistas sensacionalistas. Pensam: – Isso é notícia! Isso é vendável! – Então tiram o maior proveito “profissionalmente” sardônico da indiscrição alheia.
Certa vez, dois jovens estudantes estavam caminhando, conversando, fluindo em risos, enquanto um sujeito que vinha em direção contrária pensa que os dois colegiais riam dele. O indivíduo saca uma arma e tira a vida dos dois, expressando, tacitamente, a marca da intolerância.
Nós, nosso eu intolerante, temos nos prendido à ilusão de que todos precisam ser de acordo com os nossos padrões, formas, crenças, modos. Agimos, inconsequentemente, como se fôssemos superiores, com posturas defensivas, morais, demasiadas críticas, (…) O resultado de tudo isso? – Ajudamos a colocar comida na mesa dos jornalistas sensacionalistas. Não pense que sou antidemocrático e estou criticando o trabalho jornalístico. Pelo contrário, quão importante é para a nossa sociedade o trabalho periodista. Todavia, me refiro ao sensacionalismo que explora o lado deplorável da raça humana. O trágico pelo trágico; o caos pelo caos; o intolerante pelo intolerante.
Meus caros formadores de opinião, que tal expormos em nossas telas algo mais compassivo, terno e expressivamente culto? À vista disso, se a vida imita a arte, a delicadeza da arte sempre estará predisposta a moldar a rudeza da vida!
(DA MATA, Jackson. A Expressão do Completo: antologia pessoal. Manaus: Porto de Lenha Editora, 2015).
February 26, 2016
Não sou um escritor Cristão,…
Quando decidi publicar os livros que vinha escrevendo, julguei necessário primeiramente dedicar um livro ao Deus da criação, por tudo que Ele fez por nós na cruz do calvário. Já tinha “prontos”, um livro de ficção (romance), e outros textos correlatos.
Num primeiro momento, pensei em escrever sobre o meu lado mistico (no qual poucos sabem e alguns julgam saber), de como Deus livrou-me, a mim e minha família de trabalhos de feitiçaria que por anos faziam contra nós. (Ganhei essa guerra).
Contudo, com o tempo acabei entrando em outro rumo: vi o lado podre dentro das igrejas. Mas vi também Cristo pelejando pelo seu rebanho,…
Apesar de ver o lado ruim, jamais perdi a fé. Continuo acreditando em Jesus Cristo, declarando: maranata, pode vir,…
Publiquei, há 3 anos, o primeiro livro, no qual conforme prometido: Literatura Cristã. Mesmo sabendo que haveria uma forte oposição, um sentimento hostil da parte de futuros leitores ficcionistas.
Para isso, como vê-se na foto que acompanha este relato, falei MUITO com Deus antes de escrever cada capítulo do livro O Maior dos Desafios.
Publiquei, um ano depois, o primeiro Romance: A Próxima Cartada.
Hoje tenho escrito seis livros. Alguns por publicar.
Se um dia voltarei a escrever Literatura Cristã, daquelas como Brennan Manning, Philip Yancey, Charles Colson, e outros que admiro? – Não sei. Só sei que eu não sou um escritor Cristão, mas sim um cristão que escreve livros.
December 31, 2015
Um belo 2016 a cada um de nossos brasileirinhos.
“Em 2015 nós brasileiros fomos pegos de “surpresa” por uma crise moral, ética e financeira. Tal crise, anunciada, fez com que passássemos a tirar da gaveta o vocábulo ECONOMIA; tendo-o na ponta da língua . ECONOMIZAMOS no gás, ECONOMIZAMOS na energia, ECONOMIZAMOS na água e até sentimos a necessidade de pôr mais água no feijão para ECONOMIZAR.
2015 se encerra com uma marca triste. Foi um ano triste, onde milhares de brasileirinhos passaram a padecer com a falta de um prato de comida, ou até mesmo – principalmente – uma fatia do pão da esperança.
Será que um dia gritaremos com legitimidade que somos brasileiros e não desistimos nunca?
Será que um dia voltaremos a cantar que somos brasileiros com muito orgulho e amor?
Talvez quando rolarmos uma bola no gramado voltaremos a gorjear esta cancão.
Até quando?
Até quando?
Até quando?
Minha esperança é
que em 2016 não ECONOMIZEMOS amor pelo próximo, pois o amor é a nossa única esperança de um Brasil melhor.
GASTE, mas gaste muito desse amor, pois quanto mais você gastar, mais terá.
Um belo 2016 a cada um de nossos brasileirinhos.
Ainda existe uma ponta de esperança!”
― Jackson da Mata
October 14, 2015
10 dicas úteis para sermos eternos inúteis:
10 dicas úteis para sermos eternos inúteis:
1 – Tenha medo de arriscar
2 – Dance conforme a música
3 – Faça igual a todo mundo para não correr o risco de ser “o diferente”
4 – Faça seu trabalho apenas pelo dinheiro
5 – Diga não aos planejamentos
6 – Gaste mais do que ganha
7 – Produza menos, durma muito
8 – Leia menos e assista mais TV
9 – Não faça network
10 – Pare de cultivar os laços familiares
Corremos o risco de sermos eternos idiotas, para isso, incontinentes, atentemos aos passos supracitados.
– Jackson da Mata
August 23, 2015
Katsbarnea
No começo de minha adolescência, em minhas veias corriam as letras revoltas do rock: Bad Religion, Ramones ou Raimundos, eram algumas das bandas que estavam em meu rádio toca fita. Em meados do ano 2000 eu ouvi um som diferente daqueles que estava habituado, era o Katsbarnea, com suas canções marcantes dispostas a trazer-nos uma mensagem diferente e mais louca do que aquelas que eu estava habilmente recebendo.
Enquanto o Brasil ainda respirava a transição democrática com a posse do primeiro presidente civil pós-ditadura, o rock nacional emergia das entranhas do país. No fim da década de 80 o fenômeno musical avigorava a indústria do entretenimento; era o começo de uma era dourada que daria novos rumos ao Rock Brasileiro. Legião Urbana, RPM, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor e Capital Inicial são alguns dos nomes aflorados na época. Ou como supracitado, uma de minhas bandas preferidas daquele período: os antigos Raimundos.
Em meio a efervescência musical dos anos 80 surgia a banda de Rock Gospel Katsbarnea. Com letras fortes e estilo peculiar, os amantes das vertentes musicais mais pesadas se surpreenderam com a qualidade, vigor e coragem da primeira banda de Rock Cristã, enquanto que a resistência e oposição ao Rock Gospel ainda eram um grande tabu.
Já se passaram quase 30 anos e o Katsbarnea, banda precursora do Rock Gospel no país, continua fazendo história.
Com letras marcantes, O Kats surgiu em São Paulo em 1988 lançando o K7 O Som que Te Faz Girar; seguido do Vinil Katsbarnea – Katsbarnea – 1989; Cristo ou Barrabás – 1993; Armagedom – 1995; Katsbarnea – 10 anos – 1998; Acústico – A Revolução está de Volta, gravado em 1999 e lançado em 2000; Profecia – 2003; A Tinta de Deus – 2007; Nasceu um Novo Dia – 2012; e Eis que Estou à Porta e Bato, gravado em 2013 e lançado em 2014 como Single.
Em 2015, o Kats surge com mais um novo lançamento, o álbum I Can Fly.
Em companhia de Paulinho Makuko no vocal, Marrash Bastos na bateria, Moisés Brandão no baixo e Jeff na guitarra, o Katsbarnea continua na estrada levando a mensagem de Cristo através da música.
Com mais de meio milhão de cópias vendidas em toda a carreira, a banda tem personalidade especial e simplicidade singular. Uma de suas características mais marcantes são as músicas carregadas de unção, capazes de tocar a alma e corações humanos. Sejam para falar de paz, drogas, amor, solidão, graça ou vida, o Kats tem levado uma multidão aos pés da cruz de Cristo.
Neste ano de 2015, em uma conversa que eu tive com o vocalista do Katsbarnea, fiz duas perguntas ao Paulinho Makuko, uma referente aos 30 anos de carreira e outra sobre o mais novo lançamento. Confira:
Jackson da Mata – Já se passaram quase 30 anos de carreira da banda Katsbarnea, como você define este tempo?
Paulinho Makuko – Eu não gosto muito de comemorar estas datas, não! Mas é uma longa história, né? A banda desde 88 formou uma geração, criou toda uma linha musical… Um diferencial nas letras; o estilo de rock que mantem até hoje. Pra descrever assim a banda é praticamente impossível, né? Porque são muitas coisas que você planta; que você colhe; que você conquista; …os discos de ouro; os momentos de dificuldades; as conquistas; as derrotas; enfim, as construções; as desconstruções; reconstruir de novo; enfim, pra manter ali uma originalidade daquilo que Deus colocou em você, colocou em mim. As mudanças de componentes da banda; de integrantes que não encararam a banda, tiveram que sair. Os que vão chegar; os que estão; os que vão sair. É assim, eu carrego a banda praticamente, agora a banda sou eu, e com muito carinho, com muito orgulho eu levo isso em frente. Que foi a banda que revolucionou a música gospel no Brasil, com suas letras e seu estilo. Então eu sou muito grato a Deus. E eu tenho mais é que seguir, seguir compondo porque a música pra mim é a vida, é a extensão da minha vida, da minha família e tudo. Então eu vivo pra isso, vivo por isso, vivo pra Jesus. Enfim, tá tudo ligado! O estilo de música que eu que faço é esse.
Jackson da Mata – Recentemente vocês lançaram o videoclipe I Can Fly. Esta canção será a principal música de trabalho do novo Cd?
Paulinho Makuko – Olha, eu acredito que sim. Ela é uma música muito bonita, I Can Fly. Um lance diferente, uma roupagem nova, uma nova ideia musical da banda, uma nova proposta. A gente fez o clipe e ficou muito legal, caiu no gosto da galera. O problema é que pra tocar nas rádios tem que pagar, e eu não vou pagar; ai fica essa frescura toda ai,… Nas rádios tem que pagar, não toca por ser rock. Ainda tem essa caretice. Antes a gente tocava; agora ficam torcendo o nariz porque tem que pagar e acham que o estilo é esse que está rolando agora ai que é o estilo que tem que ser. Eu não vou me submeter a isso, esse é o grande problema. Então a gente tem um público que é rock, mas a gente tem ai uns 30% que é popular, que espera as coisas baterem na rádio, mas os caras querem que pague; AÍ por isso que caiu no gosto da galera na internet, mas não chegou às rádios, porque tem que pagar e eu não vou pagar! Porque eles têm que viver do direito do comercial das pessoas, dos anúncios,… Não cobrar da gente. Eles já nem pagam os direitos autorais pra gente quando toca, por que tem que pagar? Mas essa música é muito boa, ela caminhou e pegou na internet por força própria dela mesmo. E é isso que tem que ser…
Parabéns ao Katsbarnea. Desejo que, assim como eu foi transformado pelas canções marcantes da banda, milhões de jovens ouçam a mensagem e possam render bons frutos.
Uma banda que me trouxe uma nova roupagem
No começo de minha adolescência, em minhas veias corriam apenas as letras revoltas do punk rock. Bad Religion, Ramones ou Raimundos, eram algumas das bandas que estavam em meu rádio toca fita da época. Até que em meados dos anos 2000 eu ouvi um som diferente daqueles que eu estava habituado; era o Katsbarnea, com suas canções marcantes dispostas a trazer-me uma mensagem diferente e mais louca do que aquela que eu estava recebendo.
Enquanto o Brasil ainda respirava a transição democrática com a posse do primeiro presidente civil pós-ditadura, o rock nacional emergia das entranhas do país. No fim da década de 80 o fenômeno musical avigorava a indústria do entretenimento; era o começo de uma era dourada que daria novos rumos ao rock brasileiro. Legião Urbana, RPM, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor e Capital Inicial são alguns dos nomes aflorados na época. Ou como supracitado acima, uma de minhas bandas preferidas daquele período: os Raimundos do inicio de carreira.
Em meio a efervescência musical dos anos 80, surgia a banda de rock gospel brasileira Katsbarnea. Com letras fortes e estilo peculiar, os amantes das vertentes musicais mais pesadas se surpreenderam com a qualidade, vigor e coragem da banda de rock cristã, enquanto que a resistência e oposição ao rock gospel ainda eram um grande tabu.
Já se passaram quase 30 anos e o Katsbarnea, banda precursora do rock gospel no país, continua fazendo história.
Com letras marcantes, O Kats surgiu em São Paulo em 1988 lançando o K7 O Som que Te Faz Girar; seguido do Vinil Katsbarnea – Katsbarnea – 1989; Cristo ou Barrabás – 1993; Armagedom – 1995; Katsbarnea – 10 anos – 1998; Acústico – A Revolução está de Volta, gravado em 1999 e lançado em 2000; Profecia – 2003; A Tinta de Deus – 2007; Nasceu um Novo Dia – 2012; e Eis que Estou à Porta e Bato, gravado em 2013 e lançado em 2014 como Single.
Em 2015, o Kats surge com mais um novo lançamento, o álbum I Can Fly.
Em companhia de Paulinho Makuko no vocal, Marrash Bastos na bateria, Moisés Brandão no baixo e Jeff na guitarra, o Katsbarnea continua na estrada levando a mensagem de Cristo através da música.
Com mais de meio milhão de cópias vendidas em toda a carreira, o Katsbarnea tem personalidade especial, simplicidade singular. Uma das características mais marcantes da banda são suas músicas carregadas de unção, capazes de tocar a alma e corações humanos. Sejam para falar de paz, drogas, amor, solidão, graça ou vida, o Kats tem levado uma multidão aos pés da cruz de Cristo.
Em uma rápida conversa, fiz duas perguntas ao Paulinho Makuko, vocalista do Katsbarnea. Confira:
Jackson da Mata – Já se passaram quase 30 anos de carreira da banda Katsbarnea, como você define este tempo?
Paulinho Makuko – Eu não gosto muito de comemorar estas datas, não! Mas é uma longa história, né? A banda desde 88 formou uma geração, criou toda uma linha musical… Um diferencial nas letras; o estilo de rock que mantem até hoje. Pra descrever assim a banda é praticamente impossível, né? Porque são muitas coisas que você planta; que você colhe; que você conquista; …os discos de ouro; os momentos de dificuldades; as conquistas; as derrotas; enfim, as construções; as desconstruções; reconstruir de novo; enfim, pra manter ali uma originalidade daquilo que Deus colocou em você, colocou em mim. As mudanças de componentes da banda; de integrantes que não encararam a banda, tiveram que sair. Os que vão chegar; os que estão; os que vão sair. É assim, eu carrego a banda praticamente, agora a banda sou eu, e com muito carinho, com muito orgulho eu levo isso em frente. Que foi a banda que revolucionou a música gospel no Brasil, com suas letras e seu estilo. Então eu sou muito grato a Deus. E eu tenho mais é que seguir, seguir compondo porque a música pra mim é a vida, é a extensão da minha vida, da minha família e tudo. Então eu vivo pra isso, vivo por isso, vivo pra Jesus. Enfim, tá tudo ligado! O estilo de música que eu que faço é esse.
Jackson da Mata – Recentemente vocês lançaram o videoclipe I Can Fly. Esta canção será a principal música de trabalho do novo Cd?
Paulinho Makuko – Olha, eu acredito que sim. Ela é uma música muito bonita, I Can Fly. Um lance diferente, uma roupagem nova, uma nova ideia musical da banda, uma nova proposta. A gente fez o clipe e ficou muito legal, caiu no gosto da galera. O problema é que pra tocar nas rádios tem que pagar, e eu não vou pagar; ai fica essa frescura toda ai,… Nas rádios tem que pagar, não toca por ser rock. Ainda tem essa caretice. Antes a gente tocava; agora ficam torcendo o nariz porque tem que pagar e acham que o estilo é esse que está rolando agora ai que é o estilo que tem que ser. Eu não vou me submeter a isso, esse é o grande problema. Então a gente tem um público que é rock, mas a gente tem ai uns 30% que é popular, que espera as coisas baterem na rádio, mas os caras querem que pague; AÍ por isso que caiu no gosto da galera na internet, mas não chegou às rádios, porque tem que pagar e eu não vou pagar! Porque eles têm que viver do direito do comercial das pessoas, dos anúncios,… Não cobrar da gente. Eles já nem pagam os direitos autorais pra gente quando toca, por que tem que pagar? Mas essa música é muito boa, ela caminhou e pegou na internet por força própria dela mesmo. E é isso que tem que ser…
Parabéns ao Katsbarnea. Desejo que, assim como eu foi transformado pelas canções marcantes de banda, milhões de jovens ainda possam ouvir esta mensagem e renderem bons frutos.
June 9, 2015
Meus amigos e irmãos cristãos,
vocês precisam parar de querer surrar os homossexuais; estão dando murros em pontas de facas. Existem problemas maiores e mais delicados em que a igreja precisa voltar os olhos. Devido a essas indiscrições, nós cristãos, temos sido julgados como culpados por associação. Em vez de ficarem com tais disparates, que tal confrontarem a massa de cristãos levianos impregnados nas igrejas?
Chega de dissimulação, chega de irar-se com os que pecam de forma diferente.
O dia em que a igreja cristã brasileira tiver lugar para acolher os homossexuais com amor, sem reprimi-los, eles se chegarão.
Em todo o ministério de Jesus, os pecados que mais lhe incomodaram foram os que mais encontramos ainda hoje dentro da igreja brasileira, a saber: orgulho, hipocrisia e legalismo. Que tal cuidarmos das feridas do corpo primeiramente?
May 19, 2015
Um dia em que a Sexta-Feira era 13
“A verdade é o oposto da ignorância e a ignorância é a causa primordial da superstição.”
―Jackson da Mata
in O Maior dos Desafios
Sexta-Feira 13, Março de 2015
Sempre achei meu pai uma criatura sui generis. Bem descomunal mesmo, com uma característica compreensível e singular. No inicio da década de 90, quando nosso fogão tinha asas, ele chegou a nossa casa com um jornal de grande circulação da época em mãos mostrando-nos a matéria de capa em que ele era o entrevistado com o tema: “Não Tenho Medo de Gato Preto”. Acompanhado da matéria estava uma foto em que ele simulava passar debaixo de uma escada.
Era um período em que as informações ainda não corriam na velocidade da internet, mas as inovações tecnológicas já estavam deixando a vida cotidiana cada vez mais prática.
O Brasil ainda respirava um tempo de transições preparando o terreno para os oportunistas de um futuro governo ganhar as credibilidades de uma pequena estruturação econômica.
Um tempo em que os presidenciáveis eram homens extremamente supersticiosos:
– Collor, do início da década de 90 foi um homem cheio de superstições.
– Itamar, sucessor do infortúnio, dizia não usar terno marrom.
– FHC dirigia fazendo figas com os dedos nas duas mãos.
Até aquele momento as sextas-feiras 13 passavam despercebidas por meu olhar de menino. Meu pai, exibindo a matéria em que ele era o protagonista, alumiava que essas cismas não passavam de enganação; enquanto que minha mãe nos proibia de assistir aos filmes de terror, costumeiramente exibidos na TV nestes dias propícios.
Não importava o que meu pai dizia, como criança, criávamos um mundo só nosso; cheio de imaginações. Como diriam nossos conterrâneos Amazonenses: “Espia só,… as crianças ficaram todas encasquetadas”. E realmente ficamos! Crianças se encasquetam com tudo.
O Brasil é um país extremamente supersticioso, se é um dos maiores do mundo não cabe a eu afirmar. Esse mundo de simpatias é um desconhecido mundo de absurdos. Já ouvi falar que nos EUA muitos prédios não possuem o 13º andar.
No Brasil, o único azar atrelado ao número 13 em que realmente acredito ser um atraso e infortúnio é o 13 do PT. Como certa vez disse Levir Culpi, “A única coisa que evoluiu no Brasil foi o atraso“. Esta é uma frase antológica que define o pensamento dos brasileiros que vestem as cores da bandeira contra a corrupção.
Afirmo com toda propriedade que só acredito em uma superstição, ela é imbatível e sempre dá certo quando o assunto é dinheiro. Acredite! A melhor simpatia para ganhar dinheiro é: Trabalho. E muito trabalho!
Jackson da Mata
Rosane Collor revela que ex-presidente fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda. Fantástico, de 15/07/2012.
Revista Veja, de 30 de setembro de 1992.
Afirmado por Florestan Fernandes Jr, no Roda Viva de 11/3/1991, posteriormente negado por FHC; ele disse que o FHC o levava para a escola junto com seus filhos e guiava fazendo uma figa [com os dedos das duas mãos], enquanto segurava a direção do carro.
April 30, 2015
Se Correr o Bicho Pega; Se Ficar o Bicho Come
O infeliz vinha saindo pelas matas, enquanto sa��amos da canoa ap��s uns 30 minutos a remo nas ��guas pretas como Coca-Cola, do rio Negro. ��ramos dois machos a bordo de uma embarca����o mon��xila que n��o aguentava mais um (…) do tamanho de jurupari-tapuia. Era o primeiro ��ndio untuoso, de bigode e costeleta que eu conhecera na Amaz��nia.
Desde que tapuia disse entre os mercadores e b��bados de Manaus que tinha vindo das margens do rio I��ana, passaram a cham��-lo de o ��nico descendente vivo dos ��ndios juruparis-tapuias. Desconfiava-se de que nem ��ndio ele era, mas orgulhava-se de cruzar o rio Negro todas as noites, sabe-se Deus pra onde, retornando somente pela manh�� ao roadway, em Manaus.
Amarramos a piroga entre uns arbustos e corremos pra pegar o tracaj�� antes que ele sumisse pelas matas.
– ����� carne da boa seu Antenor.��� ��� disse Tapuia pegando-o. De posse de um fac��o, Tapuia cortou o pesco��o do bicho e batendo na faca com uma pedra, cortava o casco do quel��nio.
– ���Prepare o fogo seu Antenor, que hoje a b��ia �� fresca���.
– ���Supimpa!��� – eu disse-lhe abanando o fogo com um galho de folhas verdes. Enquanto ass��vamos o bicho no pr��prio casco, com um punhado de sal que Tapuia trazia consigo, ouvimos um estampido, como um pulo de cima de uma ��rvore.
Tapuia sussurrou baixinho: – ���n��o corre que o bicho pega!���. Avisto, sem sentir as pernas, jurupari-tapuia caindo sem um lado da face, arrancada, ainda de p��, pela on��a pintada.
Deito-me ao ch��o e espero minha hora. Como um formigueiro pisado pelos p��s de um brutamonte, meus pensamentos agitam-se, como um boi que sabe que foi enviado para o matadouro.
Vejo aquela cena de filme de terror e tento sair arrastando-me para a canoa. A on��a aparentemente n��o me v��, e saio remando para longe. Ap��s alguns poucos metros de dist��ncia, a pintada, vira-se e olha-me como um gato de rua que mia ao redor das casas do Educandos, em Manaus, em busca de uma guelra de um simples jaraqui pra saciar a fome. A pintada d�� meia volta e embrenha-se mata adentro!
Espero alguns minutos para ter certeza que ela n��o voltaria. Retorno �� beira e pego o casco da tartaruga, que j�� cheirava longe, fazendo o sinal da cruz em dire����o ao ��ndio morto.
Parto, deliciando-me com a tartaruga da Amaz��nia e lamento o ocorrido junto aos amigos b��bados de Tapuia, que contemplavam as inglesas que desembarcavam no porto de Manaus, do Booth Line.
(DA MATA, Jackson.��A Express��o do Completo: antologia pessoal. Manaus: Edi����es do Autor, 2015).





