Miguel > Miguel's Quotes

Showing 1-30 of 62
« previous 1 3
sort by

  • #1
    The smallest feline is a masterpiece.
    “The smallest feline is a masterpiece.”
    Leonardo da Vinci
    tags: cats

  • #2
    John Clare
    “Language has not the power to speak what love indites
    The soul lies buried in the Ink that writes”
    John Clare, The Later Poems, 1837-1864

  • #3
    Truman Capote
    “More tears are shed over answered prayers than unanswered ones.”
    Truman Capote, Answered Prayers

  • #4
    Francis Bacon
    “Imagination was given to man to compensate him for what he is not; a sense of humor to console him for what he is.”
    Francis Bacon

  • #5
    Augusten Burroughs
    “Was it a universal truth that the closer you looked at something, the more you would see but the less you would understand what you where looking at?”
    Augusten Burroughs

  • #6
    Truman Capote
    “Never love a wild thing, Mr. Bell,' Holly advised him. 'That was Doc's mistake. He was always lugging home wild things. A hawk with a hurt wing. One time it was a full-grown bobcat with a broken leg. But you can't give your heart to a wild thing: the more you do, the stronger they get. Until they're strong enough to run into the woods. Or fly into a tree. Then a taller tree. Then the sky. That's how you'll end up, Mr. Bell. If you let yourself love a wild thing. You'll end up looking at the sky."
    "She's drunk," Joe Bell informed me.
    "Moderately," Holly confessed....Holly lifted her martini. "Let's wish the Doc luck, too," she said, touching her glass against mine. "Good luck: and believe me, dearest Doc -- it's better to look at the sky than live there. Such an empty place; so vague. Just a country where the thunder goes and things disappear.”
    Truman Capote, Breakfast at Tiffany’s and Three Stories

  • #7
    Albert Camus
    “In the depth of winter, I finally learned that within me there lay an invincible summer.”
    Albert Camus

  • #8
    José Saramago
    “Inside us there is something that has no name, that something is what we are.”
    José Saramago, Blindness

  • #9
    Charles Bowden
    “Summertime is always the best of what might be.”
    Charles Bowden

  • #10
    Caio Fernando Abreu
    “Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé - não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que,
    se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exacto. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre. Sinto uma dor enorme de não ser dois e não poder assim um ter partido, outro ter ficado com todas aquelas pessoas.
    Volta a pergunta maldita: terei realmente escolhido certo? E o que é o "certo"? Digo que todo caminho é caminho, porque nenhum caminho é caminho. Que aqui ou lá - London, London, Estocolmo, Índia - eu continuaria sempre perguntando. Minhas mãos transpiram, transpiram. O nariz seco por dentro. Não quero escrever mais nada hoje.”
    Caio Fernando Abreu, Ovelhas Negras

  • #11
    Caio Fernando Abreu
    “Tinha mudado, percebi. Não apenas pelas rugas nos cantos dos olhos verdes, nem pelos vincos mais fundos ao lado da boca. Seus maxilares haviam perdido a dureza, o orgulho, e desaparecera do sorriso de lábios finos aqulea expressão de cinismo, ironia, certa crueldade. Uma mulher de pouco mais de cinquenta anos, cara lavada, um vestido amarelo claro de algodão, sandálias nos pés pequenos, de unhas sem pintura. Não era mais bela, tornara-se outra coisa, mais que isso - talvez real.”
    Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga?: Um Romance B

  • #12
    Caio Fernando Abreu
    “Dependendo do humor de cada dia, podia soar folclórico, bizarro, sórdido, deprimente. Às vezes Pedro Almodóvar, às vezes Manuel Puig. Mas naquela noite eu estava exausto demais para achar qualquer coisa.
    Parecia pior, parecia real.”
    Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga?: Um Romance B

  • #13
    Caio Fernando Abreu
    “Tenho um dragão que mora comigo.
    Não, isso não é verdade.
    Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
    Isso me pareceu grandiloqüente e sábio como uma ideia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.”
    Caio Fernando Abreu, Os Dragões não Conhecem o Paraíso

  • #14
    Caio Fernando Abreu
    “-Você tem um cigarro?
    -Estou tentando parar de fumar.
    -Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
    -Você tem uma coisa nas mãos agora.
    -Eu?
    -Eu.”
    Caio Fernando Abreu, Morangos mofados

  • #15
    Caio Fernando Abreu
    “De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…”
    Caio Fernando Abreu
    tags: amor

  • #16
    Caio Fernando Abreu
    “Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.”
    Caio Fernando Abreu
    tags: amor

  • #17
    Caio Fernando Abreu
    “Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”
    Caio Fernando Abreu

  • #18
    Caio Fernando Abreu
    “Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca - a poeira do que se tentava expressar, e elas dissolveram. Quanto mais palavras ocorrem para vestir uma idéia, mais essa idéia resiste a ser identificada. As sucessivas roupas sufocam a sua nudez. E todas as palavras são uma grande bolha de sabão, às vezes brilhante, mas circundando o vazio.”
    Caio Fernando Abreu

  • #19
    Caio Fernando Abreu
    “então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és...

    À beira do mar aberto”
    Caio Fernando Abreu, Os Dragões não Conhecem o Paraíso

  • #20
    Caio Fernando Abreu
    “Eu não quero que seja pra sempre, nem que seja certo. Só quero que seja.”
    Caio Fernando Abreu

  • #21
    Caio Fernando Abreu
    “Ah, mas tudo bem. Com o tempo, todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outras com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto, não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é.”
    Caio Fernando Abreu

  • #22
    Caio Fernando Abreu
    “Era domingo. Se fumasse, acenderia agora um cigarro para ficar com ar de pessoa distraída. Mas assim tão sem vícios e portanto sem ter sobre o que derramar a distração que desejava, ai - assim ficava tão solta. Perdi até o sono, suspirou, como se o sono fosse a sua última reserva de segurança. E estou compreguiça de trabalhar e tenho vontade de falar uma palavrão, que merda também.”
    Caio Fernando Abreu, Inventário do ir-remediável

  • #23
    Caio Fernando Abreu
    “Como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos
    - emoções.”
    Caio Fernando Abreu, Morangos mofados

  • #24
    Caio Fernando Abreu
    “Devia ser sábado, passava da meia-noite.
    Ele sorriu para mim. E perguntou:
    - Você vai para a Liberdade?
    - Não, eu vou para o Paraíso.
    Ele sentou-se ao meu lado. E disse.
    - Então eu vou com você.”
    Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga?: Um Romance B

  • #25
    Caio Fernando Abreu
    “Que não suspeitará da tua perdição mergulhado como agora, a teu lado, na contemplação dessa paisagem interna onde não sabes sequer que lugar ocupas, e nem mesmo se estás nela.”
    Caio Fernando Abreu, Morangos mofados

  • #26
    Kazuo Ishiguro
    “There was another life that I might have had, but I am having this one.”
    Kazuo Ishiguro

  • #27
    Haruki Murakami
    “Whatever it is you're seeking won't come in the form you're expecting.”
    Haruki Marukami

  • #28
    Caio Fernando Abreu
    “Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorrir mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu, mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque no meu corpo sujo gasto exausto batendo feito louco naquela porta que não abria, era tudo um engano, eu continuava batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.”
    Caio Fernando Abreu
    tags: amor

  • #29
    Caio Fernando Abreu
    “Mas sabes principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Por trás de todos os artifícios, só não saberás nunca que nesse exacto momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur no canto da sala depois de apagar a luz mais forte no alto. E finalmente começas a falar.”
    Caio Fernando Abreu, Morangos mofados

  • #30
    Margarida Leitão
    “A rapariga tinha uma mancha roxa na face esquerda. Começava na pálpebra, descia pela maçã do rosto e terminava num pingo de cor junto ao queixo. Era como se Deus tivesse brincado com o tubo de guache e, a dado momento, tivesse carregado com um pouquinho mais de força, derramando um feixe de cor na pele alva.
    O rapaz tinha seis dedos na mão direita. Junto ao dedo mindinho, existia, mais pequeno, um outro. Talvez Deus se tivesse entusiasmado a brincar no barro e tivesse resolvido moldar um dedo extra à sua criação.
    Ele deslizou a mão de seis dedos pela face esquerda dela, como um dedilhar suavíssimo nas teclas de um piano, tocando uma melodia quase inaudível, ou a espuma que sobeja numa onda rasteira e deixa um beijo tímido na areia.
    Ela fechou os olhos e esperou. Com a ponta dos dedos, ele desenhou a ternura naquela tela violácea, num coração cheio de amor e numa flor cujo caule terminava no canto dos lábios.
    Observo-os da janela, entre tragos de uma bebida. Protegiam-se da intempérie debaixo do toldo do bar. Antes de terem aparecido para se abrigarem da chuva, o anoitecer caía negro, chuvoso e triste.
    Naquele momento, como um fio de cor que escorrega por uma lata de tinta, de entre os seis dedos do rapaz que amavam a mancha roxa da rapariga, o amor explodiu num sorriso cor-de-rosa que coloriu os lábios dela e fez cintilar os olhos azuis dele.”
    Margarida Leitão, Instantâneos: fragmentos da memória



Rss
« previous 1 3