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Juni Pontes

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Televisão: um fas...
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  (page 16 of 170)
Aug 19, 2026 08:54AM

 
O Livro da Filosofia
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Aug 15, 2026 07:07AM

 
Eneida
Juni Pontes is currently reading
by Virgil
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Aug 10, 2026 03:34PM

 
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Carlos Drummond de Andrade
“A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo o que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;

é a memória dos deuses, e o solene
sentimento da morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.”
Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma

Bruno Tolentino
“I. 92


Como um belo tornado a emoção vitaliza
o que vai demolindo - um rosto, uma paisagem,
Tróias inteiras ao redor... Mas, na estiagem,
enquanto o vendaval vai retornando à brisa,

a alma dá-se conta do que volatiliza
um coração: o ser vem sempre de passagem,
sempre de supetão entre o reflexo e a imagem,
e é impossível retê-lo porque ele não precisa

nem de que o amem nem de quem, buscando amá-lo,
mal consegue entrevê-lo. A crina de um cavalo
iluminada de repente pela lua

desaparece e a noite esquece-a e continua.
A beleza é fugaz porque é apenas um halo
e o ser uma nudez que não sabe andar nua.”
Bruno Tolentino, A Imitação do Amanhecer

G.K. Chesterton
“The whole modern world has divided itself into Conservatives and Progressives. The business of Progressives is to go on making mistakes. The business of Conservatives is to prevent mistakes from being corrected. Even when the revolutionist might himself repent of his revolution, the traditionalist is already defending it as part of his tradition. Thus we have two great types -- the advanced person who rushes us into ruin, and the retrospective person who admires the ruins. He admires them especially by moonlight, not to say moonshine. Each new blunder of the progressive or prig becomes instantly a legend of immemorial antiquity for the snob. This is called the balance, or mutual check, in our Constitution.”
G.K. Chesterton

Gerardo Mello Mourão
“Iam caindo: à esquerda e à direita iam caindo;
Alexandre e Francisco, meus bisavós tombaram,
o primeiro com sua farda de gala, seus botões de ouro
e sua patente de coronel
e o outro com sua barba nunca mais alisada e sua bengala
de castão de ouro.

Antes, caíam hierárquicos e cronológicos:
Manuel Martins Chaves na prisão do Limoeiro,
Ana, Eufrosina e Úrsula Mourão, da Canabrava dos Mourões,
em suas camarinhas cheias de santos,
Antônio, com seus bordados de general nos campos do Paraguai,
um picado de cobra, outro sangrado a punhal, outro varado à bala, outro de maleita,
à esquerda e à direita foram todos caindo,
primeiro os que já eram lenda na memória dos velhos,
depois os avós de meus avós,
porque antes tombavam hierárquicos e cronológicos.

Foi assim que tombou, ao lado de seu rifle,
o Coronel José de Barros Mello, chamado "O Cascavel", meu tetravô,
e depois o Major Galdino, entre seu bacamarte e suas gaiolas de pássaros, depois, meu outro avô, o capitão de cenho espesso sobre a tribo
ao talhe de seu tronco frondejando
a cabeça de Mellos e Mourões.

A esquerda e à direita iam tombando,
Úrsula, Francisca e tantas outras,
até cair meu pai.”
Gerardo Mello Mourão, O País dos Mourões

Leonardo Castellani
“El filósofo Santayana soñó una vez que veía pasar cuatro caballeros en cuatro caballos, negro, alazán, bayo, y el último era blanco. Los vio pasar empenachados y armados y les dijo:
-¿Adónde van?
-Vamos a libertar a los pueblos.
-¿Libertarlos de qué? -les gritó el filósofo.
El hombre coronado del caballo blanco le dijo:
-De las consecuencias de la libertad.”
Leonardo Castellani, Cómo sobrevivir intelectualmente al siglo XXI

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