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iasmin
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Água viva
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Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido.
“Eternidade não era só o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de não poder contê-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e também era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstrato. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam após seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um bólido.”
― Near to the Wild Heart
― Near to the Wild Heart
“Eu é que estou escutando o assobio no escuro. Eu que sou doente da condição humana. Eu me revolto: não quero mais ser gente. Quem? quem tem misericórdia de nós que sabemos sobre a vida e a morte quando um animal que eu profundamente invejo – é inconsciente de sua condição? Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver. Eu não tenho é coragem de dizer a verdade que nós sabemos. Há palavras proibidas.”
― Água Viva
― Água Viva
“O meu verso se ata em tom de provocação, porém, camaradinhas, lhes digo: sobre a linearidade histórica ou sobre o rigor dos termos, agora pouco nos importa, o que vale para nós aqui é o teor das flechas atiradas pela boca ou o tamanho do tombo que levará
aqueles que nos golpeiam.”
― Pedagogia das Encruzilhadas
aqueles que nos golpeiam.”
― Pedagogia das Encruzilhadas
“O tola, tola, talvez tivesse sofrido então e amado se soubesse de seu nome, de suas esperanças e dores. É verdade que o silêncio entre eles fora assim mais perfeito. Mas de que valia... Apenas corpos vivendo. Não, não, ainda melhor assim: cada um com um corpo, empurrando-o para frente, querendo sofregamente vivê-lo. Procurando cheio de cobiça subir sobre o outro, pedindo cheio de covardia astuciosa e comovente para existir melhor, melhor. Interrompeu-se com o vestido na mão, atenta, leve. Tomou consciência da solidão em que se achava, no centro de uma casa vazia.”
― Near to the Wild Heart
― Near to the Wild Heart
“Do sincopado entre uma batida e outra que sustentam os versos dessa embolada salta uma chave que destranca a porteira: no Brasil moram muitos Brasis. Essas muitas moradas cantam na boquinha da noite chamadas de batalhas, no amanhecer rezam a memória de suas aldeias. Ao meio-dia ponteiam lamentos de dor, à meia-noite improvisam versos de folia. Tomo a rua para firmar a aposta e a fé nas esquinas daqui. Estamos dentro e somos parte de uma casa de caboclo. O que chamam de Brasil é mais que um lugar, é também um modo mandingueiro de pregar peças, adentrar no mistério da mata, se espantar com o esporro, armar o furdunço, romper o quebranto e apanhar a beleza. Para quem versa na cisma entre a boniteza e a quizumba sabe que os moradores fazem a casa, por isso é preciso mais do que um lugar onde se pisa. Em outras palavras, é necessário um lugar onde o encanto faça morada. Daí, um cazuá.”
― Cazuá
― Cazuá
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