Hermezz

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Jorge de Sena
“Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.”
Jorge de Sena

João Ubaldo Ribeiro
“Ah, como passam as coisas deste mundo, nada do que se contrói é perene, nada do que se faz é bem lembrado além de seu tempinho, nada fica como está, nunca se volta, nunca se volta.”
João Ubaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro

Augusto dos Anjos
“Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!”
Augusto dos Anjos, Eu e Outras Poesias

José Régio
“Se tudo no mundo é relativo, nada tão relativo como a felicidade humana. Eu abandonava-me enfim ao meu cansaço, ao meu desgosto, ao meu desânimo, - quer isto dizer que os gozava. Daí estes dias correrem-me quase felizes. Há uma "sagesse" para os infelizes que substitui a felicidade; e que provém de se fazer uma voluptuosidade da própria dor, de se utilizar a dor como conducente a uma felicidade supra-terrena, ou de se chegar a considerar a dor estado normal, tendo por inesperados favores dos deuses quaisquer pequeninos prazeres sobrevindos...”
José Régio, Jogo da Cabra Cega

José Geraldo Vieira
“Andando pela Avenida, ia considerando como é acabrunhador constatar que em torno de nós, homens e coisas não comparticipam da nossa aflição. Tudo fica indiferente e imutável, nada sofre a presença compacta da nossa dor, que transborda. O martírio é real, tem peso atômico, é palpável, tem forma, tem relevo, tem arestas, e é uma barra pesando toneladas de opressão. E essa dor não causa nenhuma indução em torno?...”
José Geraldo Vieira, A mulher que fugiu de Sodoma

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Lealdo
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Marcos ...
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