Sabemos que Freud, o criador da psicanálise, se perguntou em determinado momento de sua obra: afinal, o que querem as mulheres? Este é o mito da feminilidade como um lugar de mistério, desconhecimento e ocultismo. Muitas coisas já foram
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“Vadinho reunira para Flor o melhor de quanto existia. Trouxera o magrelo Carlinhos Mascarenhas, o cavaquinho de ouro; fora buscá-lo no castelo de Carla, no aconchegado leito de Marianinha Pentelhuda. Ao violino, via-se a figura popular de Edgard Cocô, o non-plus-ultra, igual só no Rio de Janeiro ou nas estranjeras. Soprava a flauta - e com a dignidade e maestria! - o bacharel em direito Walter da Silveira; Vadinho o arrancara de cima dos livros, pois, recém-formado, prepavarava-se a fundo para concurso de magistrado; em breve, escolhido meretíssimo juiz, não mais exibiria em público sua insigne flauta, privando as massas de celestial deleite. Quanto ao violão, dedilhava-o um moço querido de toda a gente por sua educação e alegria, seu jeito modesto e ao mesmo tempo fidalgo, sua competência no beber, sua finura de trato, e sua música: a qualidade única de seu violão, dele e de mais ninguém, e sua voz de mistério e picardia. Um retado. Aparecera ultimamente e a tocar e a cantar no rádio, e já o sucesso o cercava. Repetia-se seu nome, Dorival Caymmi, e os íntimos divulgadas, o moreno ficaria célebre.”
― Dona Flor and Her Two Husbands
― Dona Flor and Her Two Husbands
“Em casa de pobre até os tempos emagrece. Sei por mim que comcei a envelhecer antes de ser criança. Mandaram-me calar ainda eu não falava. Mandaram-me varrer e eu tinha mãos apenas para brincar. Vantagem de uma vida que não começa: chegar-se ao fim sem precisar morrer.”
― as pequenas doencas da eternidade
― as pequenas doencas da eternidade
“Contava agora tão-somente com um mundo de lembranças, nele recolhida, refugiada em recordações, cinzas com que apagar a brasa do desejo vivo. Como se houvesse erguido um mudo de clausura, a separá-la do cochicho e do mexirico, das conversas e dos comentários, de quanto perturbasse sua viuvez recente, aquela nova realidade de ausência.”
― Dona Flor and Her Two Husbands
― Dona Flor and Her Two Husbands
“- Olhe quem está aí: minha santa sogrinha, minha segunda mãe, esse coração de ouro, essa pomba sem fel. E a linguinha, como vai, bem afiada? Sente aqui, minha santa, junto de seu genrinho querido vamos vasculhar o lixo da Bahia…”
― Dona Flor and Her Two Husbands
― Dona Flor and Her Two Husbands
“-Lhe dava pancada? - a voz tensa de dona Flor. - Quando bebia demais, até bater ele me batia… mas só quando bebia demais… - E a senhora suportava? Isso eu não admito… De nenhum homem… - Dona Flor estremecia de revoltas só ao pensar: - Nunca hei de admitir. Dona Angela sorriu compreensiva e experiente: dona Flor era ainda tão menina, nem começara a viver: - Que é que eu podia fazer se eu gostava dele, se era minha sina? Ia largar ele sozinho nessa vida agoniada, sem ter quem cuidar dele?”
― Dona Flor and Her Two Husbands
― Dona Flor and Her Two Husbands
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