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“eu estou bem, dizia-lhe, estou bem. e ele queria saber se estar bem era andar de trombas. eu respondi que o tempo não era linear. preparem-se sofredores do mundo, o tempo não é linear. o tempo vicia-se em ciclos que obedecem a lógicas distintas e que se vão sucedendo uns aos outros repondo o sofredor, e qualquer outro indivíduo, novamente num certo ponto de partida. é fácil de entender. quando queremos que o tempo nos faça fugir de alguma coisa, de um acontecimento, inicialmente contamos os dias, às vezes até as horas, e depois chegam as semanas triunfais e os largos meses e depois os didáticos anos. mas para chegarmos aí temos de sentir o tempo também de outro modo. perdemos alguém, e temos de superar o primeiro inverno a sós, e a primeira primavera e depois o primeiro verão, e o primeiro outono. e dentro disso, é preciso que superemos os nossos aniversário, tudo quanto dá direito a parabéns a você, as datas da relação, o natal, a mudança dos anos, até a época dos morangos, o magusto, as chuvas de molha-tolos, o primeiro passo de um neto, o regresso de um satélite à terra, a queda de mais um avião, as notícias sobre o brasil, enfim, tudo. e também é preciso superar a primeira saída de carro a sós. o primeiro telefonema que não pode ser feito para aquela pessoa. a primeira viagem que fazemos sem a sua companhia. os lençóis que mudamos pela primeira vez. as janelas que abrimos. a sopa que preparamos para comermos sem mais ninguém. o telejornal que já não comentamos. um livro que se lê em absoluto silêncio. o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injeta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos, a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz, chamando o nosso nome, ou mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões no mundo.”
― A máquina de fazer espanhóis
― A máquina de fazer espanhóis
“Ser ou estar. Não, não é ser ou não ser, essa já existe, não confundir com a minha que acabei de inventar agora. Originalíssima. Se eu sou, não estou porque para que eu seja é preciso que eu não esteja. Mas não esteja onde? Muito boa a pergunta, não esteja onde. Fora de mim, é lógico. Para que eu seja assim inteira (essencial e essência) é preciso que não esteja em outro lugar senão em mim. Não me desintegro na natureza porque ela me toma e me devolve na íntegra: não há competição mas identificação dos elementos. Apenas isso. Na cidade me desintegro porque na cidade eu não sou, eu estou: estou competindo e como dentro das regras do jogo (milhares de regras) preciso competir bem, tenho consequentemente de estar bem para competir o melhor possível. Para competir o melhor possível acabo sacrificando o ser (próprio ou alheio, o que vem a dar no mesmo). Ora, se sacrifico o ser para apenas estar, acabo me desintegrando (essencial e essência) até a pulverização total.”
― As Meninas
― As Meninas
“If the spirit of their intercourse were still the same after their coming together as it had been when they were living apart,' Aristotle writes, their association can't really be considered a polis, or political community.
'A polis is not an association for residence on a common site, or for the sake of preventing mutual injustice and easing exchange.' While these conditions are necessary to a polis, they are not sufficient. 'The end and purpose of a polis is the good life, and the institutions of social life are means to that end.”
― Justice: What's the Right Thing to Do?
'A polis is not an association for residence on a common site, or for the sake of preventing mutual injustice and easing exchange.' While these conditions are necessary to a polis, they are not sufficient. 'The end and purpose of a polis is the good life, and the institutions of social life are means to that end.”
― Justice: What's the Right Thing to Do?
“Other animals can make sounds, and sounds can indicate pleasure and pain. But language, a distinctly human capacity, isn´t just for registering pleasure and pain. It´s about declaring what is just and what is unjust, and distinguishing right from wrong. We don´t grasp these things silently, and then put words to them; language is the medium through which we discern and deliberate about the good.”
― Justice: What's the Right Thing to Do?
― Justice: What's the Right Thing to Do?
“somos um país de cidadãos não praticantes.”
― A máquina de fazer espanhóis
― A máquina de fazer espanhóis
Mariana’s 2025 Year in Books
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