Status Updates From Mein drittes Leben
Mein drittes Leben by
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Rosie
is on page 46 of 288
”O trabalho salva da solidão, do luto, de espirais descendentes do pensamento, da sensação de ausência de sentido, das insónias e do medo. Quanto mais simples o trabalho, tanto melhor. Quanto mais físico, tanto melhor. É inútil acrescentar ou subtrair palavras à tagarelice deste mundo. Já um pátio varrido, um jardim em flor!”
— 6 hours, 34 min ago
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Rosie
is on page 26 of 288
”O que aconteceu deixou marcas. Ambos sabemos que não voltaríamos a ser o que éramos, mas não podíamos imaginar quem viríamos a ser nem que aparência teríamos. Naquela altura o meu cabelo ficou grisalho em três dias. Quando me olhei no espelho vi uma estranha. Pareceu-me uma visão hostil. Como se eu estivesse ainda no interior daquela pessoa mas nunca mais pudesse sair dela.”
— 11 hours, 2 min ago
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Rosie
is on page 20 of 288
”Desde então, já não era o silêncio paralisante do luto que enchia o nosso apartamento, mas uma ausência perplexa de palavras.”
— 11 hours, 43 min ago
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Leonor
is on page 283 of 288
Tenho de pensar na minha reforma; quando se é velho, precisa-se de dinheiro! Não há nada pior do que ter de viver na pobreza as últimas décadas da vida, que já são tão duras só por si. Faz as contas por alto e diz-me quanto gasta por mês para conseguir ainda participar na vida da sociedade, ao menos em parte, poder pagar eventos culturais, cabeleireiro e pedicura, para comer saudavelmente e comprar o seu chá verde
— Sep 10, 2026 08:05PM
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Leonor
is on page 282 of 288
Saiu-me um peso de cima. Mas estou triste. O meu antigo eu ter-se-ia agora distraído e mimado com qualquer coisa, um vestido novo, um batom. Mas aqui, na minha terceira vida, sento-me na cadeira da cozinha e deixo que todas as emoções venham à tona.
— Sep 10, 2026 07:55PM
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Leonor
is on page 280 of 288
Não retenho os pensamentos e imagens. Vão e vêm, e quanto mais caminho, mais fugazes são, menos inequívocos. Quando ando muito, já só florescem dentro de mim sensações coloridas, que me perpassam, são exsudadas pelos poros da minha pele e se perdem no vento. Então paro, levanto o rosto ao sol ou à chuva e os limites do meu corpo começam a esbater-se e a perder-se sem resistência no ar e na terra(...)
— Sep 09, 2026 03:06PM
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Leonor
is on page 279 of 288
Consideram-se indivíduos mas só querem pertencer algures. Não sabem como é solitário ser de facto um indivíduo, alguém que não pertence.
— Sep 09, 2026 02:37PM
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Leonor
is on page 278 of 288
Algumas semanas antes, lançara as sementes em vasos biodegradáveis que distribuí pelos parapeitos das janelas, e pensara que ter um só filho é como lançar à terra uma só semente. Nenhum bom jardineiro teria uma ideia dessas.
— Sep 09, 2026 02:29PM
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Leonor
is on page 276 of 288
há sempre uma flor de pé alto numa jarra estreita — uma gerbera vermelha, uma tulipa amarela ou uma amarílis branca, mantas e almofadas coloridas decoram o sofá, e bebo o meu chá de uma taça japonesa com um padrão de crisântemos em filigrana. Os objetos não são só objetos. São um lenitivo para a minha alma magoada e deixam-me em harmonia com o dia.
— Sep 09, 2026 02:22PM
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Leonor
is on page 275 of 288
...as palavras criam uma distância em relação à minha pequena vida e elevam-me a um plano mais elevado, a um espaço da arte no qual o banal não pode entrar.
— Sep 09, 2026 02:01PM
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Leonor
is on page 272 of 288
Cega, surda e insensível, vivi ali sem notar que, atrás das paredes da casa dos vizinhos, se lutava, temia, sonhava e amava como em todos os outros lados. Mas agora precisam de não menos do que um milagre, e quando parto é o que lhes desejo. Digo-o como um encantamento, várias vezes seguidas, até que também eles o repetem e os três murmuramos em conjunto um milagre, um milagre, um milagre.
— Sep 09, 2026 01:58PM
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