Status Updates From Im Auge der Pflanzen
Im Auge der Pflanzen by
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Laura Santos
is on page 84 of 102
As palavras escondiam cobiça. Nas suas mãos pias, todas as plantas morriam.
— Sep 02, 2026 05:06AM
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Laura Santos
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À saída de casa, a visão das plantas pareceu-lhe uma aleluia pela passagem da alma do capitão.
— Sep 02, 2026 05:06AM
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Laura Santos
is on page 83 of 102
Vinda a chuva, a chuva o regaria.
— Sep 02, 2026 05:05AM
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Laura Santos
is on page 82 of 102
Não era mais ele que tomava conta das flores, mas elas que tomavam conta dele.
— Sep 02, 2026 05:05AM
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Laura Santos
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mãe morte, aquela que tudo sabe do filho que nunca lhe contou nada.
— Sep 02, 2026 05:04AM
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Laura Santos
is on page 78 of 102
O jardim perdia a forma e ele perdia a sua. Em breve, o homem deixaria de ser homem para ser terra e a terra, engolindo-o, o tornaria seu. Mas enquanto a morte não se decidia, disfarçada de mulher e de menina, o esfumar do homem esfumava o mundo à sua volta.
— Sep 02, 2026 05:03AM
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Laura Santos
is on page 76 of 102
A morte, quando quer, tem toda a paciência do mundo.
— Sep 02, 2026 05:03AM
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Laura Santos
is on page 75 of 102
deixando-o esquecer-se de si como se o ajudasse a tornar-se uma pessoa.
— Sep 02, 2026 05:03AM
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Laura Santos
is on page 74 of 102
Foi assim que o capitão fez amizade com a morte sem saber que o fazia, sem julgar que a chamava.
— Sep 02, 2026 05:02AM
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Laura Santos
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A velha mulher esperava-o na cozinha.
— Sep 02, 2026 05:02AM
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Laura Santos
is on page 70 of 102
mas a velhice e a falta de siso transmitiam-se aos poucos às coisas em seu redor sem que ele desse conta.
— Sep 02, 2026 05:02AM
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Laura Santos
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As plantas não tinham precisado de pelejar. A sua revolta fora insidiosa. Fora o jardineiro quem, de livre vontade, se tinha acorrentado, dia após dia. Noutro tempo, haveria de ter arrancado as plantas pelas raízes uma a uma, até nada restar do quintal.
— Sep 02, 2026 05:02AM
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Laura Santos
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Confundia os animais com as flores. Aos coelhos que cavavam buracos nos canteiros, torcia-lhes o pescoço.
— Sep 02, 2026 05:01AM
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Laura Santos
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Mas, ao sair de casa, muitas manhãs depois, o jardim estava à sua espera, com a cara de sempre.
— Sep 02, 2026 05:01AM
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Laura Santos
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O carpinteiro pressentia a floresta no mogno antes de lhe aplicar a lixa. Quase a sentia pulsar e conseguia ouvir a vida que contava.
— Sep 02, 2026 05:00AM
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Laura Santos
is on page 41 of 102
O sangue, da lascívia e da volúpia, a morte, em todas as suas declinações lúgubres, tudo tinha no quintal o seu duplo, na forma de cada planta, que, com mãos delicadas de mulher, tratava como pessoas.
— Sep 02, 2026 05:00AM
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Laura Santos
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Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora. Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava. Seguiam-no com o seu olhar sem julgamento, alheias a que, todas as manhãs, Celestino acordava por elas.
— Sep 02, 2026 04:59AM
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Laura Santos
is on page 33 of 102
Era livre de morrer, de amar e de ser amado pelas flores. O Sol, as folhas, as ameixas, os abetos também eram seus. Também eram ele.
— Sep 02, 2026 04:58AM
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Laura Santos
is on page 20 of 102
A loucura é o mais santo dos remédios.
— Sep 02, 2026 04:57AM
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