Joana Abreu’s Reviews > Corruptíveis: O poder corrompe ou atrai os corruptos? > Status Update
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Correção do ponto 2: APRENDERAM A SER BONS NA ARRE DE SEREM MAUSNão é tanto “o sistema molda pessoas boas em más” — é mais:
👉 as pessoas e os grupos no poder tornam-se mais eficazes nas estratégias que já estão dispostos a usar, incluindo corrupção.
Ou seja:
• não é uma transformação moral profunda da personalidade;
• é aprendizagem estratégica: ficam melhores a manipular regras, esconder práticas, controlar processos e explorar falhas institucionais.
Como os teus exemplos entram aqui
Os casos que referes (manipulação eleitoral, técnicas para invalidar votos, bloqueio burocrático de eleitores da oposição) ilustram bem:
• aperfeiçoamento técnico da corrupção;
• aprendizagem institucional (“sabem como fazê-lo sem serem apanhados”);
• evolução de táticas ao longo do tempo.
👉 Portanto, a ideia não é que o poder os “corrompeu” do zero — mas que o exercício do poder lhes deu prática, recursos e know-how para serem mais eficazes naquilo que já estavam dispostos a fazer.


Quem está no poder muitas vezes tem de tomar decisões difíceis, com consequências negativas inevitáveis (ex.: escolher o “mal menor”).
👉 De fora, parece corrupção moral — mas às vezes é o custo de decidir em contextos complexos, não necessariamente falta de caráter.
Exemplo: Churchill (exemplo clássico associado ao Ultra/Bletchley Park)
A narrativa usada em debates éticos é que, ao ter acesso a informações ultra-secretas (códigos alemães decifrados), alguns líderes aliados aceitaram não agir em certos casos específicos para não revelar que tinham quebrado os códigos — preservando uma vantagem estratégica que poderia encurtar a guerra e salvar mais vidas no total.
👉 Isto ilustra a tensão “moral vs. estratégia”: sacrificar uma intervenção imediata para proteger um objetivo maior.
(Nota: há muita discussão histórica sobre casos concretos — alguns exemplos populares são debatidos ou até contestados por historiadores.)
Lincoln e a 13.ª Emenda
Há evidência histórica de negociação política dura, troca de favores e pressões para garantir votos suficientes no Congresso para abolir a escravatura.
👉 A leitura “mãos sujas” aqui é: usar meios politicamente questionáveis para alcançar uma mudança moralmente transformadora.
O ponto do Klaas (e de quem usa este conceito):
• O poder não torna automaticamente alguém pior;
• mas coloca líderes em dilemas trágicos, onde qualquer decisão tem custos morais;
• e nós, de fora, podemos interpretar essas escolhas apenas como corrupção, quando às vezes são decisões estratégicas em cenários sem opções totalmente éticas.
2. Aprender-se a ser bom e a ser mau
As pessoas adaptam-se aos incentivos e à cultura do sistema onde entram.
👉 O poder ensina comportamentos porque recompensa certas atitudes e penaliza outras, moldando ações ao longo do tempo.
3. A oportunidade bate à porta
O poder aumenta as oportunidades para agir — para o bem e para o mal.
👉 Alguns comportamentos problemáticos aparecem mais simplesmente porque agora existe acesso, recursos e ocasião.
4. Debaixo do microscópio
Líderes são observados de forma intensa; erros pequenos viram grandes escândalos.
👉 Parece que quem manda é pior, mas muitas vezes é um efeito de visibilidade e escrutínio.