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Roberta Gomes
Roberta Gomes is on page 42 of 400
"É importante reconhecer que, quando falamos em trabalho doméstico, não estamos tratando de um trabalho como os outros, mas, sim, da manipulação mais disseminada e da violência mais sutil que o capitalismo já perpetuou contra qualquer setor da classe trabalhadora. É verdade que, sob o capitalismo, todo trabalhador é  manipulado e explorado, e sua relação com o capital é totalmente mistificada. +
Jul 08, 2024 06:56AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista

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Roberta Gomes is on page 121 of 400
" a maioria das feministas lutou apenas pelo direito de não ter filhos, embora este seja somente um lado do controle sobre nosso corpo e escolhas reprodutivas. Mas, e se quisermos  ter filhos, mas não pudermos nos dar o luxo de criá-los, a não ser à custa de não termos tempo para nós mesmas e  estarmos continuamente atormentadas por preocupações financeiras?"
Jul 08, 2024 12:08PM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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Roberta Gomes is on page 102 of 400
" frequentemente o crescimento das famílias chefiadas por mulheres é visto em uma perspectiva  de vitimização que ignora as tentativas das mulheres de reduzir o trabalho e a disciplina que vêm com a presença masculina em casa. "
Jul 08, 2024 11:58AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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"Não dizemos que ganhar um salário é uma revolução. Nós dizemos que é uma estratégia revolucionária, porque ela enfraquece o papel atribuído a nós na divisão capitalista do trabalho e, por conseguinte, modifica as relações de poder dentro da classe trabalhadora em termos mais favoráveis para nós e para a unidade da classe."
Jul 08, 2024 11:56AM
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"Os salários para o trabalho doméstico significam que o capital terá de pagar pela enorme quantidade de serviços sociais que os empregadores economizam ao pas- sar o fardo para nossas costas. Mais importante ainda: exigir salários para o trabalho doméstico é recusar-se a aceitar o nosso trabalho como um destino biológico, uma condição indispensável para lutar contra ele."
Jul 08, 2024 11:52AM
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"O trabalho doméstico é muito mais do que limpar a casa.  É servir aos assalariados física, emocional e sexualmente, preparando-os para o trabalho dia após dia. É cuidar das nossas crianças — os trabalhadores do futuro —, amparando-as desde o nascimento e ao longo da vida escolar,  garantindo que o seu desempenho esteja de acordo com  o que é esperado pelo capitalismo."
Jul 08, 2024 11:39AM
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"Nenhuma mulher pode se despir alegremente na frente de um homem sabendo que ela não apenas está sendo avaliada, mas que há padrões de desempenho para o corpo feminino a serem considerados, que todas as pessoas, homens e mulheres, estão conscientes deles, pois são salpicados ao nosso redor, nos muros das cidades e  nas telas de tv. Sabendo que, de alguma forma, estamos nos vendendo, destruímos nossa confiança"
Jul 08, 2024 11:24AM
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"Quando o mercado de trabalho formal requer a presença feminina, é comum ouvir que “uma mulher pode realizar  qualquer trabalho sem perder sua feminilidade”, o que simplesmente significa que, não importa o que você faça, você  continuará sendo uma “buceta”.
Jul 08, 2024 07:37AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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"Nós vamos fracassar na luta por lavanderias gratuitas se não lutarmos, em primeiro lugar, contra o fato de não podermos amar exceto pelo preço de um trabalho infinito, que, dia após dia,  prejudica nosso corpo, nossa sexualidade, nossas relações sociais, e a menos que escapemos da chantagem baseada  em nossa necessidade de dar e receber afeto — que se vira contra nós ao se tornar um dever de trabalho"
Jul 08, 2024 07:31AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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"As implicações revolucionárias da reivindicação por salários para o trabalho doméstico. É a reivindicação pela qual termina a nossa natureza e começa a nossa luta, porque o simples fato de querer salários para o trabalho doméstico já significa recusar esse trabalho como uma expressão de nossa natureza, e, portanto, recusar precisamente o papel feminino que o capital inventou para nós."
Jul 08, 2024 07:23AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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Aponta como mecanismos de perpetuação de poder capitalista "A desvalorização de campos inteiros da atividade humana, a começar por aqueles que asseguram a reprodução da vida humana, e a capacidade de usar o salário para extrair o trabalho de uma grande parte da população de trabalhadores que parece estar fora da relação salarial: escravos,  colonizados, prisioneiros, donas de casa e estudantes."
Jul 08, 2024 06:47AM
O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista


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message 1: by Roberta (new) - added it

Roberta Gomes O salário dá a impressão de um negócio justo: você trabalha e é pago por isso, de forma que você e seu patrão ganham o que lhes é devido, quando, na realidade, o salário, em vez de ser o pagamento  pelo trabalho que você realiza, oculta todo o trabalho não pago que resulta no lucro. Mas, pelo menos, o salário é  uma forma de reconhecimento como trabalhador"


message 2: by Roberta (new) - added it

Roberta Gomes "A diferença em relação ao trabalho doméstico reside no fato de que ele não só tem sido imposto às mulheres como também foi transformado em um atributo natural  da psique e da personalidade femininas, uma necessidade interna, uma aspiração, supostamente vinda das  profundezas da nossa natureza feminina. O trabalho  doméstico foi transformado em um atributo natural emvez de ser reconhecido como trabalho, porque foi des- tinado a não ser remunerado. O capital tinha que nos convencer de que o trabalho doméstico é uma atividade natural, inevitável e que nos traz plenitude, para que  aceitássemos trabalhar sem uma remuneração. Por sua  vez, a condição não remunerada do trabalho doméstico  tem sido a arma mais poderosa no fortalecimento do  senso comum de que o trabalho doméstico não é trabalho, impedindo assim que as mulheres lutem contra ele, exceto na querela privada do quarto-cozinha, que toda sociedade concorda em ridicularizar, reduzindo ainda  mais o protagonismo da luta. Nós somos vistas como malamadas, não como trabalhadoras em luta.

[...]

No entanto, não existe nada natural em ser dona de casa, tanto que são necessários pelo menos vinte anos de socialização e treinamento diários, realizados por uma mãe não remunerada, para preparar a mulher para esse papel, para convencêla de que crianças e marido são o melhor que ela pode esperar da vida. 

[...]

É quase impossível aproveitar qualquer liberdade se, desde os primeiros dias da sua vida, você tem sido treinada para ser dócil, subserviente, dependente e, o mais importante, para se sacrificar e até mesmo sentir prazer com isso. Se você não gosta, o problema é seu, o fracasso é seu, a culpa e a anormalidade são suas."


message 3: by Roberta (new) - added it

Roberta Gomes "Essa fraude que se esconde sob o nome de “amor” e  “casamento” afeta a todas nós, até mesmo se não somos  casadas, porque, uma vez que o trabalho doméstico é total- mente naturalizado e sexualizado, uma vez que se torna  um atributo feminino, todas nós, como mulheres, somos  caracterizadas por ele. Se realizar certas tarefas é consi- derado natural, então se espera que todas as mulheres as  realizem e que, inclusive, gostem de fazê-lo — até mesmo  aquelas mulheres que, devido à sua posição social, podem  escapar de (grande) parte desse trabalho, já que o marido  pode pagar empregadas domésticas e psiquiatras e desfru- tar de várias formas de diversão e relaxamento. Podemos  não servir a um homem, mas todas estamos em uma  relação de servidão no que concerne ao mundo masculino  como um todo. É por isso que ser chamada de “mulher” é  uma provocação, é algo degradante. “Sorria, querida, qual  é o seu problema?”, é algo que qualquer homem se sente  legitimado a perguntar a uma mulher, seja ele o marido, o  cobrador no ônibus ou o chefe no trabalho."


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