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“Restava-me o amparo dos livros. Abrigava-me neles da tempestade de todas as dúvidas, e para ali ficava, esquecido das horas, esquecido de mim, observando a paz nocturna dos cães dormindo à minha volta com a serenidade de quem nunca estará de mal com o mundo”
― A Mão Esquerda de Cervantes: Contos
― A Mão Esquerda de Cervantes: Contos
“- Por vezes fazemos mal a quem estimamos por lhe darmos aquilo que só nós gostamos e não aquilo que dá prazer àqueles que acolhemos. A festa que é para os outros acaba por ser apenas a nossa festa.
in A gaivota e a festa fatal”
― Contos da Antiga China
in A gaivota e a festa fatal”
― Contos da Antiga China
“A verdade e a vida
O jovem discípulo de um mestre "chan" confrontava-o, frequentemente, com perguntas de difícil resposta, deixando, ao fazê-las, transparecer a sua juvenil impaciência e o seu desejo de encontrar resposta para as mais intrincadas perguntas.
Ele sabia que o mestre não gostava de grandes abstracções, preferindo a simplicidade da evidência. Porém, um dia perguntou-lhe:
- Mestre, o que é a verdade?
- A verdade - respondeu o mestre, com os olhos postos na linha do horizonte - é a vida de cada dia, nada mais.
Insatisfeito com o carácter demasiado vago da resposta, o discípulo retorquiu:
- Mas a vida de cada dia mais não é do que a soma das coisas que acontecem em cada dia que passa. Olhando para o que acontece, é sempre igual, não se descobre a diferença e muito menos a verdade.
Prontamente o mestre respondeu-lhe:
- Mas é aí que reside a diferença. Uns vêem que é assim e outros não. Essa é que é a verdade.”
― Contos da Antiga China
O jovem discípulo de um mestre "chan" confrontava-o, frequentemente, com perguntas de difícil resposta, deixando, ao fazê-las, transparecer a sua juvenil impaciência e o seu desejo de encontrar resposta para as mais intrincadas perguntas.
Ele sabia que o mestre não gostava de grandes abstracções, preferindo a simplicidade da evidência. Porém, um dia perguntou-lhe:
- Mestre, o que é a verdade?
- A verdade - respondeu o mestre, com os olhos postos na linha do horizonte - é a vida de cada dia, nada mais.
Insatisfeito com o carácter demasiado vago da resposta, o discípulo retorquiu:
- Mas a vida de cada dia mais não é do que a soma das coisas que acontecem em cada dia que passa. Olhando para o que acontece, é sempre igual, não se descobre a diferença e muito menos a verdade.
Prontamente o mestre respondeu-lhe:
- Mas é aí que reside a diferença. Uns vêem que é assim e outros não. Essa é que é a verdade.”
― Contos da Antiga China
“O ovo dourado da criação
No começo de tudo terá estado um gigantesco e belo voo dourado. Esse ovo nasceu de uma semente que errava há um ano pelo oceano cósmico, aquecida pelos intensos raios solares.
De súbito, Brahma emergiu do ovo dourado que o sol chocou e ganhou a forma de dois seres distintos. Um era macho e o outro fêmea.
Vivendo solitários sobre a face da Terra, os dois seres do começo da Criação acabaram por acasalar, nascendo dessa invulgar união todos os outros seres que depois se espalharam pelo céu, pelas águas dos imensos oceanos e pelos vários continentes.
Como na origem de tudo esteve um imenso oceano, Brahma é também conhecido pelo nome de Narayana, que significa "aquele que nasceu das águas", sendo por vezes representado como uma criatura vogando nas águas originais sobre a folha de uma árvore, chupando um dedo do pé. Para muitos, esse é um símbolo da própria Eternidade.”
― Lendas e contos indianos
No começo de tudo terá estado um gigantesco e belo voo dourado. Esse ovo nasceu de uma semente que errava há um ano pelo oceano cósmico, aquecida pelos intensos raios solares.
De súbito, Brahma emergiu do ovo dourado que o sol chocou e ganhou a forma de dois seres distintos. Um era macho e o outro fêmea.
Vivendo solitários sobre a face da Terra, os dois seres do começo da Criação acabaram por acasalar, nascendo dessa invulgar união todos os outros seres que depois se espalharam pelo céu, pelas águas dos imensos oceanos e pelos vários continentes.
Como na origem de tudo esteve um imenso oceano, Brahma é também conhecido pelo nome de Narayana, que significa "aquele que nasceu das águas", sendo por vezes representado como uma criatura vogando nas águas originais sobre a folha de uma árvore, chupando um dedo do pé. Para muitos, esse é um símbolo da própria Eternidade.”
― Lendas e contos indianos
“O dilema da borboleta
Chuang Tse era um dos mais respeitados e admirados filósofos da China antiga.
Um dia adormeceu, após ter dialogado longamente com os seus discípulos, e durante o sono sonhou que era uma borboleta.
Ao despertar, mandou os discípulos juntarem-se em seu redor, dando-lhes a ideia de que tinha uma grande revelação filosófica para lhes fazer.
- Queridos discípulos - disse -, era noite dormi profundamente e durante o sono sonhei que era uma borboleta.
- O que pode haver de especial nesse sonho, querido mestre? - perguntou um dos seus discípulos mais antigos.
E o mestre respondeu-lhe:
- O que há de especial neste sonho é o seguinte: neste momento não sei se foi Chuang Tse que sonhou ser uma borboleta, ou se foi a borboleta que sonhou ser Chuang Tse.”
― Contos da Antiga China
Chuang Tse era um dos mais respeitados e admirados filósofos da China antiga.
Um dia adormeceu, após ter dialogado longamente com os seus discípulos, e durante o sono sonhou que era uma borboleta.
Ao despertar, mandou os discípulos juntarem-se em seu redor, dando-lhes a ideia de que tinha uma grande revelação filosófica para lhes fazer.
- Queridos discípulos - disse -, era noite dormi profundamente e durante o sono sonhei que era uma borboleta.
- O que pode haver de especial nesse sonho, querido mestre? - perguntou um dos seus discípulos mais antigos.
E o mestre respondeu-lhe:
- O que há de especial neste sonho é o seguinte: neste momento não sei se foi Chuang Tse que sonhou ser uma borboleta, ou se foi a borboleta que sonhou ser Chuang Tse.”
― Contos da Antiga China
“As lágrimas de Prajapati
Segundo a sabedoria dos mitos, o deu Prajapati nasceu do turbilhão das águas primordiais, chorando convulsivamente por estar sozinho e por não saber ao certo a razão por que tinhas vindo ao mundo.
Das lágrimas que verteu nesse choro convulsivo de criança abandonada à sua sorte nasceu a Terra e muitos dos seres que passaram a povoá-la. Mas lágrimas houve que foram arrastadas pelo vento para muito longe. Dessas lágrimas nasceu o céu e nasceram as nuvens.
Foi também das suas lágrimas que nasceram as pessoas e os espíritos, a noite e o dia, as estações do ano e também a morte, a única entidade capaz de pôr fim a muitos dos seres nascidos das copiosas lágrimas de Prajapati.
Diz-se que, ainda hoje, sempre que uma criança acabada de nascer irrompe num violento choro, há quem se interrogue sobre a possibilidade de ser um descendente de Prajapanti, com poderes bastantes para transformar as lágrimas da solidão primordial numa miríade de novos seres terrestres e celestes.”
― Lendas e contos indianos
Segundo a sabedoria dos mitos, o deu Prajapati nasceu do turbilhão das águas primordiais, chorando convulsivamente por estar sozinho e por não saber ao certo a razão por que tinhas vindo ao mundo.
Das lágrimas que verteu nesse choro convulsivo de criança abandonada à sua sorte nasceu a Terra e muitos dos seres que passaram a povoá-la. Mas lágrimas houve que foram arrastadas pelo vento para muito longe. Dessas lágrimas nasceu o céu e nasceram as nuvens.
Foi também das suas lágrimas que nasceram as pessoas e os espíritos, a noite e o dia, as estações do ano e também a morte, a única entidade capaz de pôr fim a muitos dos seres nascidos das copiosas lágrimas de Prajapati.
Diz-se que, ainda hoje, sempre que uma criança acabada de nascer irrompe num violento choro, há quem se interrogue sobre a possibilidade de ser um descendente de Prajapanti, com poderes bastantes para transformar as lágrimas da solidão primordial numa miríade de novos seres terrestres e celestes.”
― Lendas e contos indianos
“O filósofo e o burro
Conta-se que um famoso doutor em filosofia decidiu um dia comprar um burro para melhor poder fazer as suas deslocações, até aí feitas sempre a pé, com o correspondente desgaste físico.
Pediu-lhe o vendedor do burro que escrevesse um breve documento destinado a confirmar a compra que acabara de fazer.
Então o filósofo pegou na sua pena e, alegremente, começou a redigir o documento.
O vendedor não pôde deixar de reparar que, ao fim de três páginas, não tinha ainda conseguido escrever a palavra "burro".”
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Conta-se que um famoso doutor em filosofia decidiu um dia comprar um burro para melhor poder fazer as suas deslocações, até aí feitas sempre a pé, com o correspondente desgaste físico.
Pediu-lhe o vendedor do burro que escrevesse um breve documento destinado a confirmar a compra que acabara de fazer.
Então o filósofo pegou na sua pena e, alegremente, começou a redigir o documento.
O vendedor não pôde deixar de reparar que, ao fim de três páginas, não tinha ainda conseguido escrever a palavra "burro".”
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“Se Darwin e a tartaruga Henriqueta alguma vez se encontraram nas andanças deste mundo, não é uma questão de verdade científica. é sim uma questão de imaginação, e essa imaginação pode não ter limites se tu assim o desejares. É também para isso que os escritores escrevem livros e os leitores lhes acre3scentam vida enquanto os lêem e dão ao que neles encontram escrito todos os sentidos e interpretações que muito bem entendem. é, afinal, essa a tua liberdade.”
― Henriqueta, a Tartaruga de Darwin
― Henriqueta, a Tartaruga de Darwin
“Eu nunca deixarei de usar a máquina de escrever, porque gosto do ruído que ela faz e da forma como vai construindo o texto no papel." Pura conversa.”
― O livro que só queria ser lido
― O livro que só queria ser lido
“Fraco nunca foi o sofredor, foi sempre o que não teve coragem de olhar nos olhos o lume do sofrimento.”
― Última Palavra: Mãe
― Última Palavra: Mãe
“- Nós afinal - desabafou um dia a máquina com o seu amigo livro -, somos como as pessoas. Temos os anos de infância e de juventude. Depois, vem a idade adulta e, a seguir, e envelhecimento. E, porque envelhecemos, acabamos um dia por ser esquecidos.”
― O livro que só queria ser lido
― O livro que só queria ser lido
“Às vezes os dias tornam-se infernos, as tardes momentos da mais surda revolta, as noites portas abertas para todos os pesadelos e fantasmas.”
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