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“Ninguna palabra está completa / ni siquiera en alemán que las tiene tan grandes.
”
―
”
―
“Dorme, dorme, meu menino
Dorme no Mar dos Sargaços
Que mais vale o mar a pino
Que as serpentes nos meus braços.”
―
Dorme no Mar dos Sargaços
Que mais vale o mar a pino
Que as serpentes nos meus braços.”
―
“Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
(Pastelaria, Mário Cesariny)”
―
porque assim como assim ainda há muita gente que come
(Pastelaria, Mário Cesariny)”
―
“Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco”
― Pena Capital
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco”
― Pena Capital
“o amor é uma chave que deve perder-se”
― Pena Capital
― Pena Capital
“Porque a poesia não é para galvanizar isso/a poesia a poesia/o recôncavo azul do firmamento/que é negro/e outras coisas mais/se ainda é tempo de ver por cima do prato/os vigia os paloma os clandestinos os lâmpara/os invisíveis anjos guardadores/do trabalho que não pode ser adiado/e não esta linguagem de lamento esta linha de rogo que frustra a voz/não este verso exposto a mil vagares na almofada branca de uma página/mil vezes decapitada na praça pública”
― O navio de espelhos: Antologia poética
― O navio de espelhos: Antologia poética
“[...]
Merecemos o nosso passo de bichos de dilúvio
merecemos que nos ceguem todos os dias
merecemos estar sozinhos rodeados de prédios
merecemos ter connosco toda a vontade
fim princípio moleza de costumes
[...]”
― Poesia: 1944-1955
Merecemos o nosso passo de bichos de dilúvio
merecemos que nos ceguem todos os dias
merecemos estar sozinhos rodeados de prédios
merecemos ter connosco toda a vontade
fim princípio moleza de costumes
[...]”
― Poesia: 1944-1955
“O REGRESSO DE ULISSES
O HOMEM É UMA MULHER QUE EM VEZ DE TER UMA CONA TEM UMA PIÇA, O QUE EM NADA PREJUDICA O NORMAL ANDAMENTO DAS COISAS E ACRESCENTA UM TIC DELICIOSO À DIVERSIDADE DA ESPÉCIE. MAS O HOMEM É UMA MULHER QUE NUNCA SE COMPORTOU COMO MULHER, E QUIZ DIFERENCIAR-SE, FAZER CHIC, NÃO CONSEGUINDO COM ISSO SENÃO PRODUZIR MONSTRUOSIDADES COMO ESTA FAMOSA “CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL” SOB A QUAL SUFOCAMOS MAS QUE, FELIZMENTE, VAI DESAPARECER EM BREVE.
PELO CONTRÁRIO, A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC. ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA “ESCRAVA DO HOMEM” E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM.
DESDE O ÍNICIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÓNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMÃS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES). ÊSSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTRAS ERAM DEMAIS DEMAIS. E DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.”
― Pena Capital
O HOMEM É UMA MULHER QUE EM VEZ DE TER UMA CONA TEM UMA PIÇA, O QUE EM NADA PREJUDICA O NORMAL ANDAMENTO DAS COISAS E ACRESCENTA UM TIC DELICIOSO À DIVERSIDADE DA ESPÉCIE. MAS O HOMEM É UMA MULHER QUE NUNCA SE COMPORTOU COMO MULHER, E QUIZ DIFERENCIAR-SE, FAZER CHIC, NÃO CONSEGUINDO COM ISSO SENÃO PRODUZIR MONSTRUOSIDADES COMO ESTA FAMOSA “CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL” SOB A QUAL SUFOCAMOS MAS QUE, FELIZMENTE, VAI DESAPARECER EM BREVE.
PELO CONTRÁRIO, A MULHER, QUE É UM HOMEM, SOUBE SEMPRE GUARDAR AS DISTÂNCIAS E NUNCA PRETENDEU SUBSTITUIR-SE À VIDA SISTEMATIZANDO PUERILIDADES COMO FILOSOFIA, AVIAÇÃO, CIÊNCIA, MÚSICA (SINFÓNICA), GUERRAS, ETC. ALGUNS PEDANTES QUE SE TOMAM POR LIBERTADORES DIZEM-NA “ESCRAVA DO HOMEM” E ELA RI ÀS ESCÂNCARAS, COM A SUA CONA, QUE É UM HOMEM.
DESDE O ÍNICIO DOS TEMPOS, ANTES DA ROBOTSTÓNICA GREGA, OS ÚNICOS HOMENS-HOMENS QUE APARECERAM FORAM OS HOMENS-MEDICINA, OS HOMENS-XAMÃS (HOMOSSEXUAIS ARQUIMULHERES). ÊSSES E AS AMAZONAS (SUPER-MULHERES-HOMENS). MAS UNS E OUTRAS ERAM DEMAIS DEMAIS. E DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS QUE PENÉLOPE ESPERA O REGRESSO DE ULISSES. MAS O REGRESSO DE ULISSES É O HOMEM QUE É UMA MULHER E A MULHER QUE É UMA MULHER QUE É UM HOMEM.”
― Pena Capital
“Ama como a estrada começa.”
― Pena Capital
― Pena Capital
“— O que é a família? — É o acto sexual praticado com um cadáver. — O que é o surrealismo? — É a morte dos séculos projectando uma sombra muito longa debaixo da água do sonho. — O que é a loucura? — É a base de todas as paisagens. — O que é o suplício de Tântalo? — É uma luz muito íntima que me aquece à noite. ... — O que é o sonho? — É o simulacro da melancolia. — O que é o destino? — É o amor a todo o comprimento. -- O que é a infância? — É uma ilha que emerge ràpidamente. ...
... Ouviu-se então, e sabe-se lá donde vinha, uma canção de embalar:
dorme dorme meu menino
dorme no mar dos sargaços
que mais vale o mar a pino
que as serpentes dos meus braços
E então a paisagem alongou-se extraordinariamente, enquanto os cavalos marinhos acenavam com grandes lenços vermelhos.
...
Comuniquei estas e outras experiências a um homem magro que aparece por aí e disse-lhe que, se eu desaparecesse, desejava que fossem aos Açores (dei as indicações necessárias) e numa ilha, que nomeei, escavassem a rocha, depondo nela a última prova de laboratório: um negativo em que, por detrás das asas, figura um objecto de solidão.”
― Antologia do Cadáver Esquisito
... Ouviu-se então, e sabe-se lá donde vinha, uma canção de embalar:
dorme dorme meu menino
dorme no mar dos sargaços
que mais vale o mar a pino
que as serpentes dos meus braços
E então a paisagem alongou-se extraordinariamente, enquanto os cavalos marinhos acenavam com grandes lenços vermelhos.
...
Comuniquei estas e outras experiências a um homem magro que aparece por aí e disse-lhe que, se eu desaparecesse, desejava que fossem aos Açores (dei as indicações necessárias) e numa ilha, que nomeei, escavassem a rocha, depondo nela a última prova de laboratório: um negativo em que, por detrás das asas, figura um objecto de solidão.”
― Antologia do Cadáver Esquisito
“Nunca estive tão só diz o meu corpo e eu rio-me
porque corpo é corpo
não tem nada a fazer não se lembra quer estar sempre agarrado
suprimido
apertado
e se é belo é pior
vive num amarrote permanente
Sim decerto matéria atrai matéria
a boca faz-se sangue o sangue faz-se esperma
a urina espera a custo que o esperma se faça
para vir de novo à superfície do ar
quando o total atinge a sua forma ejectável
preme-se noutro corpo noutros lábios idênticos
mas do lado de lá como um espelho
sua fiel imagem convertida
Isso o meu corpo quer - o corpo - noite e dia
ele julga que eu tenho a idade dele
que ainda só sei do homem pelo que transporta
a meia nau sobre o alto das pernas
- o quadrado das ânsias respirando abertas -”
― A Cidade Queimada
porque corpo é corpo
não tem nada a fazer não se lembra quer estar sempre agarrado
suprimido
apertado
e se é belo é pior
vive num amarrote permanente
Sim decerto matéria atrai matéria
a boca faz-se sangue o sangue faz-se esperma
a urina espera a custo que o esperma se faça
para vir de novo à superfície do ar
quando o total atinge a sua forma ejectável
preme-se noutro corpo noutros lábios idênticos
mas do lado de lá como um espelho
sua fiel imagem convertida
Isso o meu corpo quer - o corpo - noite e dia
ele julga que eu tenho a idade dele
que ainda só sei do homem pelo que transporta
a meia nau sobre o alto das pernas
- o quadrado das ânsias respirando abertas -”
― A Cidade Queimada
“ESTAÇÃO
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça”
― Pena Capital
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça”
― Pena Capital
“Parece reconhecer-se muito mais facilmente o fogo depois de domesticado.”
― Uma Última Pergunta - Entrevistas com Mário Cesariny
― Uma Última Pergunta - Entrevistas com Mário Cesariny
“« [...]
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gosta da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
[...] »”
― A Cidade Queimada
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gosta da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
[...] »”
― A Cidade Queimada




