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Miguel Torga Miguel Torga > Quotes

 

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“Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.”
Miguel Torga
“May the sun come, it's a new day; In the pure land of fantasy; That our darkness enlightened”
Miguel Torga
“...onde está ou tenha estado um homem é preciso que esteja ou tenha estado toda a humanidade.”
Miguel Torga
“Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...”
Miguel Torga
“Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era.”
Miguel Torga, Diário - Volume I
“O Homem é, por desgraça uma solidão: Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós.”
Miguel Torga
“Em qualquer aventura
O que importa é partir, não é chegar.”
Miguel Torga, Câmara Ardente
“Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria matar a sede com água salgada.”
Miguel Torga
“The universal is the local without walls”
Miguel Torga
“Desço aos infernos, a descer em mim.

Mas agora o meu canto não perfura

O coração da morte,

À procura

Da sombra

Dum amor perdido.

Agora

É o repetido

Aceno

Do próprio abismo

Que me seduz.

É ele, embriaguez nocturna da vontade,

Que me obriga a sair da claridade

E a caminhar sem luz.



Ergo a voz e mergulho

Dentro do poço,

Neste moço heroísmo

Dos poetas,

Que enfrentas confiantes

O interdito

Guardado por gigantes,

Cães vigilantes

Aos portões do mito.



E entro finalmente

No reino tenebroso

Das minhas trvas.

Quebra-se a lira,

Cessa a melodia;

E um medo triste, de vergonha e assombro,

Gela-me o sangue, rio sem nascente,

Onde o céu, lá no alto, se reflecte,

Inútil como a paz que me promete.”
Miguel Torga, Orfeu Rebelde
“Orfeu rebelde, canto como sou:

Canto como um possesso

Que na casca do tempo, a canivete,

Gravasse a fúria de cada momento;

Canto, a ver se o meu canto compromete

A eternidade do meu sofrimento.



Outros, felizes, sejam os rouxinóis...

Eu ergo a voz assim, num desafio:

Que o céu e a terra, pedras conjugadas

Do moinho cruel que me tritura,

Saibam que há gritos como há nortadas,

Violências famintas de ternura.



Bicho instintivo que adivinha a morte

No corpo dum poeta que a recusa,

Canto como quem usa

Os versos em legítima defesa.

Canto, sem perguntar à Musa

Se o canto é de terror ou de beleza.”
Miguel Torga, Orfeu Rebelde
“Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.”
Miguel Torga
“As labaredas não tinham parança. Sôfregas, corriam à porfia sobre o palhiço. Depois, lambido o chão, chegavam-se à casca dos pinheiros, agarravam-se a ela e trepavam pelos troncos acima como cobras. No alto, na rama, era duma bocada só.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Tenho a impressão de que certas pessoas, se soubessem exactamente o que são e o que valem na verdade, endoideciam. De que, se no intervalo da embófia e da importância pudessem descer ao fundo do poço e ver a pobreza franciscana que lá vai, pediam a Deus que as metesse pela terra dentro.”
Miguel Torga
“A minha geração falhou, ou falharam-na?”
Miguel Torga, Diário - Volume VIII
“Por cada pilriteiro dar os seus pilritos é que o mundo é variado, inesperado, e o cântico humano ressoa como um coro imenso numa catedral... Evidentemente que nem todas as existências têm a mesma significação. Mas, em última análise, também as menos relevantes são indispensáveis ao conjunto. Enriquecem-no. Sem elas, certas horas intermédias e simples, duma expressividade humilde, ficariam por revelar. E a harmonia é o todo, o grande e o pequeno de braço dado.”
Miguel Torga, O Senhor Ventura
“Homens para quem o absoluto é o relativo clarificado, e que por isso entregam desta maneira a filha ao namorado que lha pede em casamento:

Pastora é,
Gado guardou;
Sebes saltou;
Se nalguma se picou,
Tal como está
Assim vo-la dou...”
Miguel Torga, Diário - Volume VIII
“A Melra fora sempre como aço. A ter os filhos, era um ai que lhe dava; ao mato, punha cada carrego à cabeça, que até as mais se envergonhavam; a segar, enquanto as outras faziam cinco, fazia ela dez. Forte! Também lhe comia e bebia como uma valente. O

homem, o Inácio, quando iam às feiras, já sabia: onde ele virasse um copo, ela virava outro.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“- Não é o que tu cuidas que me falta. Estou velha, também. O tempo dessas alegrias já passou.

- Então não te entendo...”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Depois, sem forças para sair do buraco, aninhou-se nele o melhor que pôde.

- Esta é para mim... - murmurou. - A dela que lha faça quem quiser.

Escusava de ter medo, afinal...”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.”
Miguel Torga
tags: poems
“Seguia as passadas do velho Duro, sem o ser. E não há falência maior do que imitar o passado, mesmo que seja nosso. Não lutava por nada, e o seu esforço soava falso.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“E tinha realmente um filho nos braços da mulher adormecida. Um filho simples, natural, sem precisos, sem Joana Pedra, sem faixas, sem cueiros, sem nada.

Um filho que o acordou cedo a gritar com a mesma fome do gado, e que, à tarde, quando regressou do monte, lhe fez dizer à mulher, depois de pegar nele ao colo e de olhar da janela o mundo outra vez coberto de sonho (...)”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Agora,
o remédio é partir discretamente,
sem palavras,
sem lágrimas,
sem gestos.
De que servem lamentos e protestos,
contra o destino?”
Miguel Torga
“A Maria Lionça, essa, ficou. Como todas as mulheres da montanha, que no meio do gosto do amor enviuvam com os homens vivos do outro lado do mar, também ela teria de sofrer a mesma separação expiatória, a pagar os juros da passagem anos a fio, numa esperança continuamente renovada e desiludida na loja da Purificação, que distribuía o correio com a inconsciente arbitrariedade dum jogador a repartir as cartas dum baralho.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Nas vinhas, as mulheres enchiam cestos, que os homens, em fila indiana, despejavam nas dornas; e os carros de bois, a escorrer mosto, cantavam depois pela quelha acima numa alegria de ouriços carregados. Nos lameiros, os velhos tiravam milho, apanhavam feijões ou recolhiam abóboras. E nos pomares, trepado, o rapazio varejava as nogueiras, coalhando o chão.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Chegava a casa pela noite adiante, quando os cães uivavam que se danavam nas eiras cobertas de palha centeia e de luar, ou o céu se desfazia em água e a escuridão era como breu. A patroa, já deitada.”
Miguel Torga, Contos Da Montanha
“Trago a lei que a montanha me consente:
Tudo o que vejo tem raiz e altura.”
Miguel Torga, Cântico Do Homem
“Pudesse a concha como um fruto cheio
De fecundas doçuras desejadas,
Abrir-se no areal de meio a meio
E libertar as notas abafadas!”
Miguel Torga, Cântico Do Homem
“Mensonge. Le prêtre avait raison. C’était dommage de voir tant d’autorité, de vocation, d’habileté innée, au seul service d’animaux. On n’avait pas idée ! Le bélier le plus têtu, le plus bête, le plus mauvais, entre les mains de Gabriel changeait de nature. Il ne lui manquait plus que la parole.
– Qu’est-ce que tu fais aux bêtes, petit ! On dirait que tu les ensorcelles !
– Rien. Je les mène au pré, comme tout le monde.
Il souriait. Et continuer d’éduquer les agneaux avec des mots et des gestes que personne ne savait dire et faire.”
Miguel Torga

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