Jacques Fux

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Jacques Fux


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Jacques Fux é graduado em matemática e mestre em ciência da computação pela UFMG, doutor e pós-doutor em literatura pela UFMG, pela Universidade de Lille 3 (França) e pela Unicamp, além de pesquisador visitante na Universidade de Harvard. Sua tese de doutorado, versão do livro Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO (Perspectiva, 2016), recebeu em 2011 o Prêmio CAPES de melhor tese de Letras e Linguística do Brasil e foi finalista do Prêmio APCA de 2016. Antiterapias (Scriptum, 2012), seu romance de estreia, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2013 e o manuscrito de Brochadas: confissões sexuais de um jovem escritor (Rocco, 2015), recebeu Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Foi finalista do Pr ...more

Average rating: 3.82 · 244 ratings · 41 reviews · 27 distinct worksSimilar authors
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“Você estava sempre doente, Jacques. Sempre indisposto. O que isso significava? O que seu corpo queria me dizer? Agora você surge elucubrando sobre a sua loucura e diz que doença e romantismo são interligados. Você transcria o amor.
O romantismo na doença só surge com a distância, Jacques. Ninguém quer conviver com um amante que está sempre deprimido – e a razão da sua doença é a impossibilidade momentânea do amor. Esse “interesse” pelo sublime da doença é só literário. Ridículo e bastardo. O convívio, o dia a dia, o real e o cotidiano não são fascinantes. Por isso eu nunca quero deixar o palco.
Jacques, você resgata memórias de algo que não viveu, dos momentos em que não foi capaz de superar seu padecimento para viver ao meu lado. Por que eu era tão pesada para você? Por que o fardo do amar? A incapacidade do obsessivo frente a histérica? A sua debilidade diante da minha vontade?”
Jacques Fux, Nunca vou te perdoar por você ter me obrigado a te esquecer

“Jacques, de novo surdo e atento às sobras, não me ouve. Eu sempre quis te falar sobre o amor, o amor que não é literatura. E você, triste, apenas o teoriza. Se o escritor é esse cientista-arqueólogo de ruínas amorosas, a atriz é uma paraquedista. Nada de ciência tola. A atriz é uma acrobata, não a composição, mas a obra em si. Não é o luthier, mas a própria música vã e desafinada soando pelas cordas vibrantes. O escritor é o Stradivarius de 400 anos – ancião depravado e desgostoso do presente – que ainda resiste em compor e que o faz com a maestria romântica e a dedicação deificada do Stradivari ou do Amati. A atriz é música finda, fração ínfima do instante em que vibraram os corpos-cordas justificando a plenitude do violino e de todas as composições. A atriz é o escorrer. É pulso-pulsação. Já o escritor é equívoco. Vacilação.”
Jacques Fux, Nunca vou te perdoar por você ter me obrigado a te esquecer

“Nem Proust você conseguiu superar, Jacques. Cita um livro sobre a memória enquanto aqui buscamos o esquecimento. A minha história de amor é outra e será reescrita por outros. Algumas breves e fugazes lembranças suas, que ainda restam, serão substituídas por novas, mais vívidas e simbólicas. Não falo mais de você, não menciono o seu nome, seus livros foram vendidos para o sebo – e não apaguei as dedicatórias, Jacques. Alguém as lerá e nunca saberá o que se passou conosco. Palavras perdidas no tempo, na relva, na ossada. Em mim, Jacques, nada permanecerá, ainda que fique entalhado neste infortunado livro.”
Jacques Fux, Nunca vou te perdoar por você ter me obrigado a te esquecer



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