Vivo

Eu venho em palavras porque não tenho outro modo de vir. Eu podia vir de carro, mas o carro encostou e tive que o vender. E podia vir de vídeos, mas não tenho como os fazer. Podia vir de fotografias como quem vem da praia ou de um sítio enigmático qualquer. Eu podia vir de círculos ou de rodas podia vir de reuniões ou passeios a dois. De fato, é isso, eu podia vir de fato e gravata e chegar ao fim da noite e soltar um pouco o nó, o botão, desfraldar a camisa. Eu podia vir de longe, mas estar perto e eu podia levar flores que ela pousasse onde as esquecesse e lembrasse apenas porque os homens oferecem a morte às mulheres. Eu podia vir num corcel pegá-la pela cintura e dar um jeito à coluna. Eu podia vir ferido e eu podia vir moribundo e ainda assim viria para a ver. Venho sincero e livre, expresso e exposto. Vivo. Como se viesse feliz.
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Published on January 12, 2016 02:53
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Pedro  Corrêa
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