Ana Sousa
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“Joseph, um pouco afastado, pensava: Ali vão eles, o homem e a velha mulher. Já quase não os vemos, e aqui em cima já quase os esquecemos. Tão depressa esquecemos o comportamento e os gestos e as acções dos homens. Ali vão eles, como podem, pela poeira da estrada, para chegarem a tempo à estação de comboios ou ao cais. Neste longo caminho, dez minutos são muito tempo para duas pessoas abatidas e preocupadas, não trocarão uma palavra, e ainda assim falarão, falarão uma língua muda e clara, demasiado clara. A dor tem a sua maneira de falar”
― Der Gehulfe (Manuskript)
― Der Gehulfe (Manuskript)
“Senti um calafrio. Mas depressa percebi: era a primeira vez que me via sozinha, que nenhuma mulher me via e eu não via nenhuma mulher. Isso perturbou-me profundamente. Mantive-me de pé, com os braços caídos, a contemplar a minha situação. Descobria a solidão física que é tão banal para a humanidade comum e que eu ainda não conhecera. Tomei-lhe de imediato o gosto.”
― I Who Have Never Known Men
― I Who Have Never Known Men
“Os olhos enchem-se-me de lágrimas. É verdade, é tão verdade estar zangada: com o mundo, com os meus pais, com o amor de ocasião, com a profissão, com a vida, com o bairro onde vivo, com os políticos, com o céu, com o inferno. Mas a sua revelação despedaça-me. Não é muito difícil adivinhar que uma travesti de vinte e dois anos, que se prostitui numa noite de Verão a uns metros de uma agência funerária, possa estar zangada, com o seu destino. Mas é a primeira vez que põe palavras à minha dor. O que mais me fere é o meu próprio rancor. Enfurece-me tanto que transformo tudo: o alívio em tensão, a cortesia em maus-tratos, a franqueza em falsidade, a dor em ira.”
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“/Eu sei que isto me cansa mas tudo me cansa de qualquer forma sou uma pessoa cansada excepto quando por vezes me esqueço de mim mesma. É muito raro esquecer-me é preciso festas grandes festas com toda a família reunida festas como casamentos festas onde dançamos então esqueço-me e danço.”
― Una familia en Bruselas
― Una familia en Bruselas
“O conceito de guerra – termo usado nestas páginas segundo o uso que lhe foi dado nos últimos meses – não é apropriado para definir o que está a acontecer em Gaza, onde não há dois exércitos em confronto. Há antes uma máquina de guerra extremamente poderosa e sofisticada que está a eliminar de forma metódica um conjunto de centros urbanos habitados por quase dois milhões e meio de pessoas. É uma destruição unilateral, contínua e inexorável. Não estamos em presença de dois exércitos, dada a disparidade entre as FDI e o Hamas, mas entre executores e vítimas, um exército e uma população civil – precisamente as condições associadas ao genocídio.”
― Gaza Faces History
― Gaza Faces History
Ana’s 2025 Year in Books
Take a look at Ana’s Year in Books, including some fun facts about their reading.
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