filipa

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As pálidas colina...
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by Kazuo Ishiguro (Goodreads Author)
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Dobra
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Bernard-Marie Koltès
“Porque, não importa o que diga, a linha sobre a qual caminhava, de recta que talvez fosse, tinha passado a curva desde que me viu, e eu apercebi-me do momento exacto em que me viu pelo momento exacto em que o seu caminho se tornou curvo, e não uma curva que o afastasse de mim, mas uma curva para vir ter comigo, senão nunca nos teríamos encontrado, mas teria antes afastado ainda mais de mim, porque você estava à andar à velocidade de alguém que caminha de um ponto para outro; e eu nunca o teria apanhado porque eu só caminho lentamente, calmamente, quase imóvel, com o passo de alguém que não vai de um ponto para o outro mas que, num lugar imutável, espreita quem passa à sua frente e espera que modifique ligeiramente o seu percurso. E se eu digo que fez uma curva, e como sem dúvida há-de dizer que era um desvio para me evitar, ao que eu afirmarei, em resposta, que foi um movimento para se aproximar, sem dúvida que isso é assim porque no fim de contas você não se desviou, que qualquer linha recta só existe em relação a um plano, que nós nos movemos segundo dois planos distintos, e que no fim de contas só existe o facto que você olhou para mim e que eu interceptei esse olhar ou o inverso, e que, à partida, de absoluta que era, a linha segundo a qual você se movia tornou-se relativa e complexa, nem recta nem curva, mas fatal.”
Bernard-Marie Koltès, Dans la solitude des champs de coton

Ilse Losa
“Invadiu-me um medo estranho. Não queria voltar à solidão do meu quarto. Caminhei pelas ruas de Berlim até à avenida de Kurfürstendamm que, de tão iluminada, era um mundo por si. Nada tinha a ver com o outro, o mundo de todos os dias, cheio de preocupações mesquinhas, em que se comia pingue em vez de manteiga e tomate em vez de carnes frias. Gente bem posta, objectos de luxo, música vindo do interior dos cafés e dos bares.”
ilse losa

Ilse Losa
“Ficámos de novo sem assunto. Olhei à minha volta. O branco é triste como o negro, nunca antes o tinha sentido. (...) Não lhe acariciei a mão, nem lhe pus a minha sobre a testa, num gesto de consolação. Não fiz nada disso. E devia-o ter feito. Mas que a tristeza me dominou, que apeteceu chorar, por ver o meu pai tão doente, isso era verdade. Ele tê-lo-ia compreendido?

Decerto é ilusão julgarmos que outras pessoas podem compartilhar dos nossos sentimentos através de simples palavras. Se eu dissesse que vejo na memória um homem encolhido na cadeira, metido num fato largo demais como se não pertencesse, com as mãos amarelo torcidas sobre o ventre e o olhar fixo no chão, alguém o verá como eu o vi?”
Ilse Losa, O Mundo Em Que Vivi

Wenceslau de Moraes
“A mão e o pé japoneses - parte I

Pousada é um deleite. Em movimento, na mímica trivial dos seus misteres, é uma pasmosa revelação de estética asiática, na sua feição mais transcendente, que escraviza os nossos olhos, e quantas vezes os nossos corações!...Segundo a clássica e lendária compreensão dos fenómenos psíquicos desta gente, indica-se que a coragem reside na barriga, a paixão no coração, o raciocínio na cabeça; e admite-se que, por uma rigorosa disciplina educativa, a alma nipónica pode localizar-se de preferência em qualquer destes centros que indiquei.
Sendo assim e convindo que a mulher japonesa seja particularmente educada para o enlevo do lar, para o arranjo das pequeninas coisas domésticas, para o carinho da família, eu quero que a alma dela resida nas pontas dos seus dedos. Nisto creio;e asseguro que não há maior encanto, debaixo de um ponto de vista estético, do que seguir com o olhar o gesto meigo da filha do Nippon, nas suas ocupações comezinhas, preparando o chá, penteando-se, colhendo flores ou insectos, tocando no shamicen, afagando um filho ou um irmão... - Um tal encanto tende a transformar-se em culto; e chegamos até a invejar os mortos, por cuja bem-aventurança, junto do altar dos antepassados, quotidianamente aquela mão se eleva em prece fervorosa.”
Wenceslau de Moraes, Antologia

Ilse Losa
“As árvores nas margens, cobertas de neve, as raparigas de boina de lã e de mãos medidas no regalo, a música que de tão fogosa aquecia o ambiente, tudo isso pertence aos momentos bué construíram a mesma minha vida, pois que mais é uma vida do que o reportório de momentos? É injusta a Natureza, que priva parte das crianças de um mundo de Inverno branco, de rios gelados em que se dança, para o substituir por chuvas monótonas, por humidade que, agressiva e hostil, nos penetra no corpo. (...) Apetecia-me chorar, não por causa da dor que passou depressa, mas por me sentir o invadida por uma tristeza singular. Era como se alguma coisa de muito belo tivesse desaparecido da minha existência ou como se alguém querido se tivesse despedido para sempre.”
Ilse Losa, O Mundo Em Que Vivi

1099498 Estetas Cansados — 649 members — last activity Feb 09, 2021 10:39AM
Um grupo para gente que até coiso mas afinal não.
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