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“Não sei o que sou, nem o que faço, nem o que quero; estou despedaçada por mil sentimentos contrários”
― Lettres Portugaises
― Lettres Portugaises
“Stand on the highest pavement of the stair—
Lean on a garden urn—
Weave, weave the sunlight in your hair—
Clasp your flowers to you with a pained surprise—
Fling them to the ground and turn
With a fugitive resentment in your eyes:
But weave, weave the sunlight in your hair.
So I would have had him leave,
So I would have had her stand and grieve,
So he would have left
As the soul leaves the body torn and bruised,
As the mind deserts the body it has used.
I should find
Some way incomparably light and deft,
Some way we both should understand,
Simple and faithless as a smile and shake of the hand.
She turned away, but with the autumn weather
Compelled my imagination many days,
Many days and many hours:
Her hair over her arms and her arms full of flowers.
And I wonder how they should have been together!
I should have lost a gesture and a pose.
Sometimes these cogitations still amaze
The troubled midnight and the noon’s repose.”
― La Figlia che Piange
Lean on a garden urn—
Weave, weave the sunlight in your hair—
Clasp your flowers to you with a pained surprise—
Fling them to the ground and turn
With a fugitive resentment in your eyes:
But weave, weave the sunlight in your hair.
So I would have had him leave,
So I would have had her stand and grieve,
So he would have left
As the soul leaves the body torn and bruised,
As the mind deserts the body it has used.
I should find
Some way incomparably light and deft,
Some way we both should understand,
Simple and faithless as a smile and shake of the hand.
She turned away, but with the autumn weather
Compelled my imagination many days,
Many days and many hours:
Her hair over her arms and her arms full of flowers.
And I wonder how they should have been together!
I should have lost a gesture and a pose.
Sometimes these cogitations still amaze
The troubled midnight and the noon’s repose.”
― La Figlia che Piange
“Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios.
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa.
Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à-toa. Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama.”
― Angústia
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa.
Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à-toa. Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama.”
― Angústia
“VICENTE fumava, à janela. Onze horas, meia-noite, sabia lá?
Quem pensa e fuma, depressa esquece o mundo, as horas e até o céu todo cheio de
estrelas que brilham à toa, sem se preocuparem com o tempo que corre e com a manhã
próxima que lhes virá apagar o lume e as arrancar da cisma...
Uma multidão de coisas tumultuosas, desconhecidas, o alvoroçava — confusas
recordações, uma espécie de doce saudade.
Uma vontade obscura e incerta de ascender, de voar! Um desejo de se introduzir a
grandes passos na imensa treva da noite, e a atravessar, e a romper, esquecido das lutas e
trabalhos, e penetrar num vasto campo luminoso onde tudo fosse beleza, e harmonia, e
sossego.
Desejo de se integrar numa natureza diferente daquela que o cercava, de crescer, de
subir, de bracejar num emaranhado de ramos, de se sentir envolto em grandes flores
macias, de derramar seiva, a seiva viva e forte que o incandescia e tonteava.”
― O Quinze
Quem pensa e fuma, depressa esquece o mundo, as horas e até o céu todo cheio de
estrelas que brilham à toa, sem se preocuparem com o tempo que corre e com a manhã
próxima que lhes virá apagar o lume e as arrancar da cisma...
Uma multidão de coisas tumultuosas, desconhecidas, o alvoroçava — confusas
recordações, uma espécie de doce saudade.
Uma vontade obscura e incerta de ascender, de voar! Um desejo de se introduzir a
grandes passos na imensa treva da noite, e a atravessar, e a romper, esquecido das lutas e
trabalhos, e penetrar num vasto campo luminoso onde tudo fosse beleza, e harmonia, e
sossego.
Desejo de se integrar numa natureza diferente daquela que o cercava, de crescer, de
subir, de bracejar num emaranhado de ramos, de se sentir envolto em grandes flores
macias, de derramar seiva, a seiva viva e forte que o incandescia e tonteava.”
― O Quinze
“O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? nada. Deixara um homem porque quis deixá-lo. Ele a perseguira depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mais de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.”
― The Unbearable Lightness of Being
― The Unbearable Lightness of Being
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