Status Updates From Estrela Polar
Estrela Polar by
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Luís
is on page 275 of 278
Vou à deriva pela noite, ergo a face para a Lua. Como os cães. A janela de Garcia brilha ainda na proa do cerro. Bato à porta, o trinco salta.
- Mataste-a, hem? Então olha-me este quadro.
— Nov 08, 2021 01:40PM
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- Mataste-a, hem? Então olha-me este quadro.
Luís
is on page 241 of 278
(...) E depois, o que tenho a transmitir-te é tão pobre. Sonhos, interrogações, a aflição e a raiva, o apelo do impossível, a alegria breve, a sagração da morte. Mas é a herança de um homem ... Eis que ergues a tua frágil mão para a receberes. E eu ta dou, escorrido de suor, com uma paz desconhecida, irmã da angústia e da resignação ...
— Nov 08, 2021 12:37PM
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Luís
is on page 218 of 278
Não se dava balanço nenhum, porque a certeza de se estar certo vinha de uma alegria de nada, de um modo de se estar tranquilo, de se olharem as casas, as gentes, os cães, e verificar-se que se não tem medo de nada, que o nosso lugar é bem nosso, que se pode respirar fundo e reconhecer calmamente que a terra existe e nós existimos e que somos verdadeiros como a terra é verdade.
— Nov 08, 2021 08:51AM
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Luís
is on page 198 of 278
(...) De uma vez esqueceu-se do pão, mas fez a visita à mesma e toda a canzoada se lhe foi juntando, seguindo-a pelas ruas da cidade, pulando e ladrando à roda - ela ria feliz. Entrou em casa, e toda a canzoada entrou logo com ela ao tropel, ladrando sempre infernalmente. O senhor Sousa fartou-se de dar pontapés, a canzoada saiu a ganir, D. Aura teve um ataque.
— Nov 08, 2021 07:13AM
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Luís
is on page 181 of 278
Página 180:
Mas os olhares continuavam pregados em mim, convergindo sobre mim desde as filas de janelas que se alongavam até ao extremo da rua. Depois, como de início, foi como se um rasoiro passasse pelas fachadas e fosse recolhendo de uma a uma todas as cabeças para dentro das casas. Fiquei só, olhando ainda, aguardando ainda: toda a rua se recolhia ao silêncio da tarde. (...)
— Nov 08, 2021 03:58AM
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Mas os olhares continuavam pregados em mim, convergindo sobre mim desde as filas de janelas que se alongavam até ao extremo da rua. Depois, como de início, foi como se um rasoiro passasse pelas fachadas e fosse recolhendo de uma a uma todas as cabeças para dentro das casas. Fiquei só, olhando ainda, aguardando ainda: toda a rua se recolhia ao silêncio da tarde. (...)
Luís
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Nessa mesma noite, porém, iniciei uma nova ronda. Desejava começar pelo senhor Sousa. Mas além do mais, o senhor Sousa odiava-me. Falar a Aida? A Alda? Como? Procurei Emílio, ele comprometeu-se a falar ao senhor Sousa, «mas sem esperanças, já te disse, porque ele não pode ouvir sequer falar no Jeremias». Entretanto, por palpite, eu próprio procurei os que me pareciam da série dele. (...)
— Nov 07, 2021 11:19AM
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Luís
is on page 127 of 278
Retomara os pincéis e cantava. Cantava a degradação da música de Irene, numa voz de sífilis e de aguardente. Desci a escada, bati a porta. O nevoeiro enrolou-me nas suas vagas, foi-me arrastando para longe. A voz de Garcia ia ficando para trás, solitária, perdida na noite com o seu frémito de loucura, como a luz da janela suspensa na névoa e que nela se apagou, enfim, como uma memória que se desvanece.
— Nov 07, 2021 08:37AM
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Luís
is on page 97 of 278
A voz calou-se por fim, o seu eco desvaneceu-se no silêncio da Praça, na cidade aérea, no obscuro horizonte da minha memória obscura. Algum tempo ficámos ainda suspensos sobre nós, sobre a última vibração daquela voz matinal. Como se esperássemos que ela se erguesse de novo ou que o seu sentido se nos esclarecesse enfim, desde a sua fascinação e o seu absurdo. (...)
— Nov 07, 2021 06:15AM
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Luís
is on page 78 of 278
(...) a palavra serena, húmida de ternura, verdadeira como a verdade da terra, a verdade de eu estar aqui, aquela palavra que de ti esperei, Ernestinho, ou que eu quis reconhecer, em que eu quis acreditar, desde longe, desde um outrora sem tempo, e que não veio ou não ouvi ou me foi inverosímil como será sempre inverosímil nesta solidão absoluta, neste vazio de eternidade: meu filho ...
— Nov 06, 2021 03:02PM
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Luís
is on page 45 of 278
(...) O seu próprio corpo falava-me uma linguagem distinta, inconfundível, que eu sabia dela, que tinha o aroma de ser ela, lhe pertencia na pele branca e lisa, lhe revelava a presença, era ela toda desde os olhos, desde a voz, tinha a indizível beleza, a quente intimidade de todo o seu ser. (...)
— Nov 06, 2021 01:07PM
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Luís
is on page 26 of 278
- Está frio. E já está um homem.
Minha mãe estacou, surpresa e ofendida com a inconveniência de meu pai que a serenidade agravava. E então não teve remédio senão voltar ao princípio, segura de que é imbatível a razão que se repete, porque então ela é só força, mais razão do que a razão.
E ou por isto ou por aquilo, dias e dias assim. Que tinha ali que fazer? E ia para o «quarto escuro».
Depois fomos para Penalva.
— Nov 06, 2021 04:59AM
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Minha mãe estacou, surpresa e ofendida com a inconveniência de meu pai que a serenidade agravava. E então não teve remédio senão voltar ao princípio, segura de que é imbatível a razão que se repete, porque então ela é só força, mais razão do que a razão.
E ou por isto ou por aquilo, dias e dias assim. Que tinha ali que fazer? E ia para o «quarto escuro».
Depois fomos para Penalva.






