Status Updates From La meva tercera vida
La meva tercera vida by
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Leonor
is on page 114 of 288
Quando já não havia mais nada a fazer, quando os amigos de Sonja deixaram de nos visitar, quando os outros começaram aos poucos a esquecer-se de nós, foi então que o luto nos atingiu com toda a força. Os outros continuavam a viver, o nosso tempo parara. Éramos reféns da morte a cada segundo.
— Aug 31, 2026 02:38PM
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Leonor
is on page 106 of 288
— Que queres dizer com isso? — perguntei. — Que a melhor fase da minha vida ainda está por vir?
— Não, mas quem sabe… Em todo o caso, ainda não está tudo acabado. E tens um homem.
Deixei escapar um riso sarcástico, do qual ela se defendeu com um silêncio breve mas intenso. O meu luto era um sofrimento para ela também, a minha perda pesava-lhe na alma, também ela passara por momentos difíceis depois da morte de Konrad
— Aug 28, 2026 04:56PM
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— Não, mas quem sabe… Em todo o caso, ainda não está tudo acabado. E tens um homem.
Deixei escapar um riso sarcástico, do qual ela se defendeu com um silêncio breve mas intenso. O meu luto era um sofrimento para ela também, a minha perda pesava-lhe na alma, também ela passara por momentos difíceis depois da morte de Konrad
Leonor
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O mundo é um caos, mas nada disso me toca. Esta sensação paralisante de total indiferença, só a conheço desde a morte de Sonja. Entre mim e o mundo abriu-se uma distância demasiado grande; oiço e leio acerca do que acontece, mas não sinto nada.
Também deixei de ter medo, só que as pessoas têm medo de quem não tem medo. Deixam de ser vistos como semelhantes.
— Aug 27, 2026 06:15PM
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Também deixei de ter medo, só que as pessoas têm medo de quem não tem medo. Deixam de ser vistos como semelhantes.
Leonor
is on page 98 of 288
Tudo o que ficou por fazer, por acabar, por dizer na nossa vida não desaparece. Acumula-se dentro de nós, ferve e borbulha e por vezes irrompe.
— Aug 27, 2026 05:58PM
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Leonor
is on page 79 of 288
O trabalho salva da solidão, do luto, de espirais descendentes do pensamento, da sensação de ausência de sentido, das insónias e do medo. Quanto mais simples o trabalho, tanto melhor. Quanto mais físico, tanto melhor. É inútil acrescentar ou subtrair palavras à tagarelice deste mundo. Já um pátio varrido, um jardim em flor!
— Aug 27, 2026 05:18PM
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Leonor
is on page 76 of 288
Giro a cabeça do chuveiro, escolho o jato de massagem mais duro, e a água gelada sobe dos meus pés pelo meu corpo acima. O frio separa a minha alma do corpo e liberta-a do sofrimento. Quanto mais tempo me exponho ao frio, mais claros se tornam os meus pensamentos, mais viva me sinto, mais incompreensível me parece a mulher deplorável que passou meio dia na cama.
— Aug 27, 2026 05:09PM
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Leonor
is on page 69 of 288
Fecho os olhos e chamo à memória imagens da minha filha. Desvanecem-se semana após semana, e um dia também a substância de Sonja se perderá, os seus contornos desaparecerão, e todas as tentativas de me lembrar dela terminarão numa névoa passageira.
— Aug 27, 2026 04:31PM
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