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Ocupação da mãe (Portuguese Edition) by
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Paula Mota
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"Escrevo este livro como uma mensagem de agradecimento à generosidade incondicional de uma mulher que decidiu tornar-se mãe à custa da própria vida. E escrevo à mãe Ida Maria com a ternura de uma rapariga que fala a outra rapariga, numa dimensão de solidariedade intemporal, (...) para afirmar que qualquer decisão sua teria sido legítima. Incluindo a que de facto tomou: esta, onde me encontro a viver.
[Belo livro!]
— Jul 15, 2026 10:33AM
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[Belo livro!]
Paula Mota
is on page 113 of 131
"A 11 de abril de 2024, o Parlamento Europeu aprovou a inclusão da interrupção voluntária da gravidez nos direitos consagrados pela Carta dos Direitos Fundamentais da UE. Um mês antes, a 4 de março, França tornou-se o 1º país do mundo a introduzir na Constituição o direito ao aborto. A torre Eiffel iluminou-se, à noite, com a inscrição #MonCorpsMonChoix, o meu corpo, a minha escolha.
— Jul 14, 2026 01:28AM
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Paula Mota
is on page 88 of 131
"As "convicções morais" de Ida Maria foram ditadas pela educação profundamente católica que recebeu."Não somos nada" foi a frase que mais ouvi na infância.Sempre pensei que fosse uma constatação do nosso corpo perecível, sujeito à decadência(..)Mas não:são somos nada era um preceito de fé.É sem Deus que não somos nada(..)Sem filosofia,Ida terá aprendido o seu deus com as monjas,como uma história de heróis e milagres.
— Jul 13, 2026 05:08AM
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Paula Mota
is on page 77 of 131
"Em 1994,a Igreja Católica beatificou uma mulher por ter feito exatamente a mesma escolha que Ida Maria, com a mesma idade,na mesma época. Chamava-se Gianna e o papa Wojtyla decidiu homenagear o heroísmo dela, por ter oferecido a sua vida como sacrifício,"para que a criatura que carregava pudesse viver."Se morreres, santificam-te.Fazem-te santa e mártir. Salva-te, mãe! Não morras por mim (...)!, apetece-me gritar-te.
— Jul 12, 2026 04:04AM
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Paula Mota
is on page 60 of 131
"Ferozmente antiabortista,Pasolini achava q o problema do aborto tinha de ser resolvido a montante,promovendo uma análise política do coito(.)Publicou 1 artigo em q se dizia traumatizado pela legalização do aborto,q considerava uma legalização do homicídio
[Como é que um homem que não fazia sexo com mulheres,logo,nem corria o risco de ser pai,tinha tanto a dizer sobre o corpo alheio?Valham-nos Calvino,Eco e Moravia]
— Jul 08, 2026 07:25AM
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[Como é que um homem que não fazia sexo com mulheres,logo,nem corria o risco de ser pai,tinha tanto a dizer sobre o corpo alheio?Valham-nos Calvino,Eco e Moravia]
Paula Mota
is on page 55 of 131
"Em todo o almanaque de 1975, ano crucial no que respeita à legalização do aborto, não há uma única referência à interrupção da gravidez, tema de discussão transversal nessa altura. Para o milhão de pessoas (principalmente raparigas) que semanalmente comprava a revista, não havia notícias sobre a lei para a história de Simone Weil. O aborto continuava a ser considerado um crime e era portanto um tabu."
— Jul 07, 2026 03:29AM
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Paula Mota
is on page 18 of 131
"Esta não é somente a história da minha mãe e não é uma questão privada, já que com esta circunstância se deparam - e virão a deparar-se - muitíssimas outras mulheres em todo o mundo. (..) A minha mãe chamava-se Ida Maria.
(...) Cada aventura humana depende do ponto onde nos calha nascer, da lotaria que nos é destinada. Para as mulheres, esta lotaria é mais determinante."
— Jul 05, 2026 10:56AM
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(...) Cada aventura humana depende do ponto onde nos calha nascer, da lotaria que nos é destinada. Para as mulheres, esta lotaria é mais determinante."







