Status Updates From Season of Migration to the ...
Season of Migration to the North by
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Leonor
is on page 111 of 160
Os homens soltaram os trinados guturais de zaghroutas, como fazem as mulheres, e o som das buzinas de todos os carros elevou-se, de uma só vez. A luz e o barulho atraíram os beduínos, q vieram desde o abismo dos vales e desde a base das montanhas das cercanias. Homens e mulheres, gente q nunca era vista durante o dia, como se se diluissem sob a luz do sol.(.)E na noite e no deserto, reverberaram os ecos de uma boda
— 13 hours, 50 min ago
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Leonor
is on page 109 of 160
Numa noite como esta, parecia -nos que era impossível subir ao céu, por uma escada de corda. Esta era a terra da poesia e das possibilidades, e o nome da minha filha era Esperança. Haveríamos de destruir e de construir, haveríamos de sujeitar o próprio sol à nossa vontade. Poríamos um termo à pobreza, por qualquer meio.
— 14 hours, 7 min ago
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Leonor
is on page 108 of 160
A luz do sol,a poente,não era agora sangue,mas a henna dos pés de uma mulher.A aragem q vinha do rio Nilo trazia uma fragrância q nunca se extinguiria na minha memória,por mais tempo q eu vivesse.E,do mesmo modo q uma caravana de camelos desaparelhava a bagagem e se detinha,assim fizemos nós(.)Houve pessoas q rezaram a oração da noite(.)E eu,nesse momento,sob esse céu belo e compassivo,senti q todos nós éramos irmãos
— 14 hours, 13 min ago
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Leonor
is on page 95 of 160
"Não é bom para ninguém ficar preso ao passado. Tu tens dois filhos e és mulher jovem, ainda no início da vida. Deves pensar no futuro. E, quem sabe, talvez possas aceitar um dos muitos homens que te têm pedido em casamento."(...)
"Depois do Mustafá Saíd, não entro na casa de mais nenhum homem."(...)
"Se me obrigarem a casar, matou-o e mato-me depois disso."
Ela levantou-se e eu saí sem dizer nada.
— Mar 26, 2026 09:13AM
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"Depois do Mustafá Saíd, não entro na casa de mais nenhum homem."(...)
"Se me obrigarem a casar, matou-o e mato-me depois disso."
Ela levantou-se e eu saí sem dizer nada.
Leonor
is on page 76 of 160
Aos olhos do mundo europeu industrial, nós não éramos senão camponeses pobres, mas quando eu abraçava o meu avô, eu sentia q detinha uma imensa riqueza,como se eu fosse uma melodia apoiada no pulsar do próprio coração do mundo.Ele não era como um alto carvalho, firmado na terra e de ramos luxuriantes,a q a natureza tivesse concedido água e fertilidade,era,pelo contrário,como os arbustos do sayal,nos desertos do Sudão
— Mar 25, 2026 09:41AM
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Leonor
is on page 75 of 160
A casa metamorfoseava-se, consoante a transformação dos campos. Se os campos verdejavam, ela cobria-se de verde. E quando a seca os oprimia, também ela se tornava árida. Senti o odor característico da casa do meu avô - um misto de cheiros dispersos: o cheiro das cebolas e da pimenta, das tâmaras, do trigo e do feijão, das favas e da alforba e, pairando sobre todos estes, o cheiro do incenso que emanava(...)
— Mar 25, 2026 09:21AM
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Leonor
is on page 70 of 160
Identifico,na posse de todas as minhas faculdades mentais,o q devo escolher e o q deve ser feito-a vida q experimentei nesta aldeia,com a gente feliz que nela vive.Porém, algo de obscuro,no meu espírito e no meu sangue,me impele para lugares distantes q não posso ignorar,quando os vislumbro.Quão grande será a minha dor,se um dos meus filhos,ou ambos, crescerem e neles houver o gérmen desta doença-a doença da errância
— Mar 25, 2026 08:58AM
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Leonor
is on page 66 of 160
A vida prossegue, quer queiramos quer não.(.) Avançava, na maior parte dos casos, mercê do hábito, numa longa caravana de camelos q subia e descia, que se detinha e, de novo partia. E a vida, nessa caravana, não era inteiramente má.(.)A viagem poderá ser árdua, durante o dia. Os desertos estendem-se, à nossa frente, como marés sem costa.(.)Atingimos o limite para lá do qual julgamos não ser possível dar mais um passo
— Mar 24, 2026 06:02PM
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Leonor
is on page 64 of 160
"Tudo isso apenas prova que vocês não são capazes de sobreviver na nossa ausência. Costumavam queixar-se do colonialismo e, quando saímos do vosso país, inventaram o mito de um domínio neocolonialista velado. Aparentemente, a nossa presença, seja de forma clara ou velada, é -vos tão necessária quanto a água e o ar." Não estavam desavindos. Diziam palavras como estas e riam-se (...)
— Mar 23, 2026 06:34PM
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Leonor
is on page 54 of 160
Por vezes, nos meses do Verão de Londres, logo após o desabar das chuvas, eu sentia o cheiro desta aldeia. E via-a, nos curtos instantes antes do pôr do Sol. E, ao fim da noite, quando as vozes de uma língua estranha me chegavam aos ouvidos, era como se eu ouvisse as vozes da gente da minha terra. Eu era, decerto, desse bando de pássaros que não vive senão num único lugar.
— Mar 23, 2026 12:11PM
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Leonor
is on page 50 of 160
Se as pessoas soubessem em que momento abster-se de dar o primeiro passo, muitas coisas seriam diferentes.
— Mar 23, 2026 06:37AM
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