Status Updates From Aberto Todos os Dias
Aberto Todos os Dias by
Status Updates Showing 1-30 of 32
Paula Mota
is on page 24 of 88
A PALAVRA VERDADE
Primeiro quiseram levá-la (sem
uma boa razão)
algemou-se ao poema no
ponto mais frágil
do verso. Tentaram depois esquartejá-la
(rasgá-la
sílaba a sílaba) mas
as letras arrojadas
mantiveram-se unidas como
numa cicatriz. Tentam agora ocultá-la
(apondo-lhe
a venda azul)
quanto mais a pressionam tanto mais
se deixa ler num relevo
de sudário.
— Nov 03, 2023 12:18PM
2 comments
Primeiro quiseram levá-la (sem
uma boa razão)
algemou-se ao poema no
ponto mais frágil
do verso. Tentaram depois esquartejá-la
(rasgá-la
sílaba a sílaba) mas
as letras arrojadas
mantiveram-se unidas como
numa cicatriz. Tentam agora ocultá-la
(apondo-lhe
a venda azul)
quanto mais a pressionam tanto mais
se deixa ler num relevo
de sudário.
Leonor
is on page 63 of 88
O incêndio
Alguém tem de amar
o banal. Alguém tem de tratar disso. Os
rostos que passam idênticos
como os pombos
de uma praça.(...)
Insectos suicidando-se
contra o brilho dos faróis. O apetite
da ferrugem
nos portões da avenida. Alguém
tem de amar o vulgar (falar
do que é
ordinário).(...)
Alguém tem de amar
o que é feio
(trazê-lo para o poema). Só assim
por entre o impuro pode o
incêndio acontecer.
— Mar 14, 2023 07:59AM
6 comments
Alguém tem de amar
o banal. Alguém tem de tratar disso. Os
rostos que passam idênticos
como os pombos
de uma praça.(...)
Insectos suicidando-se
contra o brilho dos faróis. O apetite
da ferrugem
nos portões da avenida. Alguém
tem de amar o vulgar (falar
do que é
ordinário).(...)
Alguém tem de amar
o que é feio
(trazê-lo para o poema). Só assim
por entre o impuro pode o
incêndio acontecer.
Leonor
is on page 52 of 88
No ano em que perdemos Zagajewski e Margarit
(...)
A morte anda lá fora
escolhendo ao acaso (o rosto
redondo do tempo vigia-nos nos corredores)
é só uma questão de vento
para que a bandeira
passe a trapo. É a morte quando
o corpo coincide com a própria sombra
(por difícil que possa ser conserva
a ignorância)
há algo de irrepetível e
único
na inocência.
— Mar 14, 2023 07:52AM
Add a comment
(...)
A morte anda lá fora
escolhendo ao acaso (o rosto
redondo do tempo vigia-nos nos corredores)
é só uma questão de vento
para que a bandeira
passe a trapo. É a morte quando
o corpo coincide com a própria sombra
(por difícil que possa ser conserva
a ignorância)
há algo de irrepetível e
único
na inocência.
Leonor
is on page 19 of 88
Arcádia
(...)
O rio
está à minha espera. Venho ver os pescadores
passear os
meus problemas (lanço à água
os mais pequenos como
vejo fazer aos peixes). É Outono porque
o mundo já cheira a castanha assada:
os pombos roubam o pão
que alguém lançou aos patos
(são como números primos
só dividem
por si próprios). Ali perto
num baloiço aprende-se a primeira lição
(para cada pequeno avanço existe
sempre um retrocesso).
(..)
— Mar 14, 2023 07:35AM
Add a comment
(...)
O rio
está à minha espera. Venho ver os pescadores
passear os
meus problemas (lanço à água
os mais pequenos como
vejo fazer aos peixes). É Outono porque
o mundo já cheira a castanha assada:
os pombos roubam o pão
que alguém lançou aos patos
(são como números primos
só dividem
por si próprios). Ali perto
num baloiço aprende-se a primeira lição
(para cada pequeno avanço existe
sempre um retrocesso).
(..)















