Paula Mota > Recent Status Updates

Showing 1-30 of 4,568
Paula Mota
Paula Mota is on page 178 of 232 of No Meu Fim Está o Meu Começo
"Uma acentuação truncada e transitava de bastarda a órfã, a perfilhada, tão fácil como arrancar uma ficha elétrica da tomada. Então segui no autocarro, com os sapatos comedores de calcanhares escondidos debaixo do banco da frente, a preencher um tangram mental.

[Podia usar qualquer página deste livro para pôr o meu filho a identificar recursos expressivos. Só nestes dois parágrafos encontro três! É cansativo.]
— 9 hours, 9 min ago Add a comment
No Meu Fim Está o Meu Começo

Paula Mota
Paula Mota is on page 100 of 232 of No Meu Fim Está o Meu Começo
"Ansiava pelos dias que se seguiam ao seu retorno porque me resgatavam da invisibilidade. Ansiava por ela, mas sobretudo por me ver através da sua expressão. Intuía um vínculo obrigatório entre mãe e filha, queria-a junto de mim primitivamente e gastava grande parte da minha energia a engendrar formas de chamar a sua atenção, formas tortuosas, quase sempre, ou teatrais, como acusavam as minhas irmãs."
— 13 hours, 52 min ago Add a comment
No Meu Fim Está o Meu Começo

Paula Mota
Paula Mota is on page 223 of 300 of Escritos para desocupados
"Imaginemos q a era da cultura hierárquica chegou para ficar,que a domesticação é geral,que o império do mesmo conquistou uma prolongada,sórdida e impenetrável regressão estética e vital.Imaginemos q os filósofos se converteram irremediavelmente em burocratas do pensamento;os escritores,em jovens promessas vulgares(.)Imaginemos q ninguém sente incómodo no meio deste panorama(.)Este seria o momento de lançar uma bomba
— 19 hours, 37 min ago Add a comment
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is on page 218 of 300 of Escritos para desocupados
"Os freegans entregaram-se abertamente ao proselitismo de uma nova forma de vida: a vida ociosa. Não admira que as pessoas os considerem parasitas e chalupas; afinal de contas, faltaram às normas da urbanidade mais básicas: desnudaram-se do capitalismo à vista de todos. (...)Eles optaram pelo desemprego deliberado, os enclaves de trabalho zero, a ajuda mútua, o auto-emprego, o activismo.
— Oct 05, 2026 09:42AM Add a comment
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is on page 67 of 376 of A Arte sem História: Mulheres e Cultura Artística (Séculos XVI-XX)
As denominadas "artes menores", quer praticadas de forma profissional, quer no interior dos lares, foram caracterizadas como sendo "artes femininas". (..) O facto de estas artes ocuparem um lugar inferior nas hierarquias artísticas fez com que as mulheres nunca fossem impedidas de as praticar; por outro lado, o facto de serem identificadas como lavores femininos também contribuiu para a sua desvalorização.
— Oct 05, 2026 05:28AM 3 comments
A Arte sem História: Mulheres e Cultura Artística (Séculos XVI-XX)

Paula Mota
Paula Mota is on page 42 of 232 of No Meu Fim Está o Meu Começo
Com as obras da última primavera, a divisória que separava a zona da refeição masculina da feminina tinha ido abaixo e ainda não fora reposta (..). Mas o sucesso da sociedade disciplinar mede-se quando já não são necessários muros, arames, divisórias, celas ou até castigos, porque os comportamentos se mantêm iguais, como se toda a arquitetura de repressão continuasse erguida e funcional.
— Oct 04, 2026 09:21AM Add a comment
No Meu Fim Está o Meu Começo

Paula Mota
Paula Mota is on page 15 of 232 of No Meu Fim Está o Meu Começo
[Primeiras impressões: mão pesada nas figuras de estilo, um exagero de comparações e metáforas.]
— Oct 03, 2026 12:50PM Add a comment
No Meu Fim Está o Meu Começo

Paula Mota
Paula Mota is on page 85 of 88 of Suicídio
A bondade impressiona-me
A estupidez diverte-me
A maldade revolta-me

***********************
A felicidade precede-me
A tristeza segue-me
A morte espera-me

FIM
— Oct 02, 2026 11:19AM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is on page 195 of 300 of Escritos para desocupados
"A própria terra não se alimenta. por acaso, de excrementos e fruta podre? Só na civilização existe lixo: esta mistura de seringas, embalagens de esferovite, garrafas e sacos de plástico que há muito flutua no Pacífico, onde os leões-marinhos se agiram até à agonia. Os nossos resíduos tornaram-se, após dois séculos de actividade industrial, nos cumes da civilização: só eles, hoje, desafiam a eternidade."
— Oct 02, 2026 05:05AM Add a comment
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is on page 78 of 88 of Suicídio
Dominar oprime-me
Suportar escraviza-me
Estar só liberta-me

**************************

O mal surpreende-me
O esquecimento falta-me
O riso salva-me
— Oct 02, 2026 01:06AM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is on page 75 of 88 of Suicídio
"A tua mãe chorou-te quando soube da tua morte. (..) A cada mão que apertava, a cada beijo que recebia, revia fragmentos do teu passado, desses dias em que te julgava feliz. Perante a tua morte, os cenários daquilo que poderias ter vivido com aquelas pessoas davam-lhe o sentimento de uma perda imensa: tinhas, através do teu suicídio, entristecido o teu passado e abolido o teu futuro.
— Oct 01, 2026 11:25AM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is on page 188 of 300 of Escritos para desocupados
"O cabaz familiar deve ir do sabor ao saber", disse Caruso, porta-voz napolitanos da organização [Il Desobbedienti, cujos membros faziam shopsurfing, consumo sem gasto]"Os livros converteram-se em objectos de luxo para nós, que fazemos parte dos 10 milhões de italianos que não chegam ao fim do mês... Nós queremos o pão, mas também as rosas. Comer, mas também ler."
— Oct 01, 2026 08:20AM 2 comments
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is on page 56 of 88 of Suicídio
"Quando apreendias a vida real, estavas sozinho.(..)Mas a vida nos livros fora imaginada por outros:o que lias era a sobreposição de duas consciências, a tua e a do autor.Duvidavas daquilo que captavas,mas não daquilo que os outros autores inventavam.Sujeitavas-te à vida real na sua torrente contínua, mas controlavas o fluxo da vida fictícia lendo-a ao teu ritmo: podias pará-la,acelerá-la ou abrandá-la."

[Nem mais!]
— Sep 30, 2026 09:52AM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is on page 20 of 88 of Suicídio
"Acreditavas que ao envelheceres, tornar-te-ias menos infeliz, pois terias, então, razões para estar triste. Enquanto jovem, a tua angústia era inconsolável por a julgares infundada.
(...)
Não temias a morte. Antecipaste-te a ela, mas sem desejá-la verdadeiramente: como desejar aquilo que não se conhece?
— Sep 29, 2026 02:59PM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is on page 12 of 88 of Suicídio
"Continuarás vivo enquanto aqueles que te conheceram te sobreviverem. Morrerás com o último deles. A menos que alguns te façam viver através da palavra na memória dos seus filhos. Durante quantas gerações viverás assim, uma personagem oral?
— Sep 29, 2026 09:40AM Add a comment
Suicídio

Paula Mota
Paula Mota is 80% done with Suor
Vinha a notícia:(.)"Achando-se sem trabalho,devendo 3 meses de casa, enforcou-se nas traves do seu quarto (.). É mais um caso de covardia ante a vida. Porque perdeu um emprego, preferiu desertar, sem se esforçar por conseguir outro."
O jornalista se esqueceu de dizer que Manuel de Tal procurava trabalho por toda a cidade e que os patrões lhe respondiam com uma única palavra: CRISE.Que o operário não comia há 2 dias.
— Sep 29, 2026 08:25AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is 50% done with Suor
Uma portuguesa gorda explicava:
- Esse p'ssoale acaba sempre assim...
- Não fale, seu diabo! Ela ganhava a vida!
- Eu tenho diraito de falaire do que bem quisere...
- Como se você também não trepasse...
- Trepaire quem trepa é a mãe...

[Parece a Luana Piovani a imitar os portugueses a falar! :D :D]
— Sep 28, 2026 03:24AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is 30% done with Suor
"Havia-as desde 5 mil réis (as mais aristocráticas), até 1500 réis, pretinhas sujas e polacas septuagenárias. E eles não temiam as moléstias da rua. Ao contrário, o negro Henrique garantia:
- Homem para ser homem precisa beber cachaça, dormir na cadeia e ter gonorreia...

[Um poeta! :D]
— Sep 27, 2026 11:14AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is on page 152 of 300 of Escritos para desocupados
"A desempregada voluntária sabe que corre um risco.O risco do desprezo. O risco da precariedade.O risco do escárnio.(.)Como poderia ser popular alguém que se pronuncia contra a pátria do trabalho?Na maioria das vezes,é vista como uma traidora.Coloca em risco a subsistência da própria tribo.(.)
"Se nem o isolamento, nem a dissidência são a tua posição habitual ou cómoda,este é um processo complexo e difícil.-S.Sontag.
— Sep 27, 2026 04:16AM Add a comment
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is 20% done with Suor
A negra ia apanhando o tabuleiro. Henrique ajudava-a a botar as latas vazias em cima. Ela perguntou:
- Você sabe qual é a coisa melhor do mundo?
- Qual é, minha tia?
- Adivinhe.
- Mulher...
- Não.
- Cachaça.
- Não.
- Feijoada.
- Não sabe o que é? É cavalo. Se não fosse cavalo, branco montava em negro...
— Sep 27, 2026 03:09AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is 10% done with Suor
"Dentro de quartos outros quartos se fizeram, com paredes de tábuas, nem sempre muito juntas, os buracos tapados por bolas de papel ou de pano. A espanhola que alugara o quarto andar transformara os 24 quartos e três salas em 49 apartamentos que lhe rendiam bom dinheiro.

[Crise habitacional há quase 100 anos! :/]
— Sep 26, 2026 06:01AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is 2% done with Suor
"Os ratos passaram, sem nenhum sinal de medo, entre os homens que estavam parados ao pé da escada escura. (..) Havia um cheiro de quarto de defunto, um cheiro de roupa suja, que os homens não sentiam. Também não ligavam aos ratos que subiam e desciam, apostando carreira, desaparecendo na escuridão. (..)
- Esta escada bota qualquer um tuberculoso - falou o Vermelho.
— Sep 26, 2026 02:52AM Add a comment
Suor

Paula Mota
Paula Mota is on page 55 of 376 of A Arte sem História: Mulheres e Cultura Artística (Séculos XVI-XX)
"O desprezo generalizado da produção artística realizada por mulheres ao longo dos séculos faz com que seja muito mais difícil encontrar documentos, visuais ou escritos, sobre o seu trabalho. Por muito fundo que se escave, esta "escavação arqueológica" estará sempre determinada por muitas ausências impossíveis de repor."
— Sep 25, 2026 01:08PM Add a comment
A Arte sem História: Mulheres e Cultura Artística (Séculos XVI-XX)

Paula Mota
Paula Mota is on page 133 of 300 of Escritos para desocupados
"O excesso de trabalho gera excesso de mercadorias. E que faremos com elas? Expandir os mercados! Ou seja, descobrir consumidores, estimular-lhes os apetites, criar-lhes necessidades fictícias (e obrigá-los a trabalhar o dobro!) (..) Viver para trabalhar (e consumir até morrer). Alguns audazes chamam a isso de bem-estar."
— Sep 24, 2026 05:36AM Add a comment
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is on page 118 of 300 of Escritos para desocupados
"Durante a tarde, passei várias horas deitada na cama, pensando em como me tornei ociosa. Porque nem sempre fui ociosa. De facto, foi o excesso de trabalho que me tornou assim. Houve um tempo em que fui trabalhadora, demasiado trabalhadora. Digamos que, na minha juventude, me esgotei. Fui tão longe na minha aflição pelo estudo e pelo trabalho que apenas me restava descansar. Continuar a exceder-me era impossível."
— Sep 23, 2026 08:03AM 2 comments
Escritos para desocupados

Paula Mota
Paula Mota is 99% done with Hoje, 3 de Maio
"O pintor equilibra o dia 3 de maio de 1808 num lugar-tempo, num lugar-possibilidade e convoca-nos a habitar esta praça e a estender o exato momento em que se pode disparar e se pode já ter disparado mas ainda não se disparou, e pede à hesitação ténue deste momento sem respiração para se repetir em permanência até mudar o curso da História...
Ainda ninguém disparou. E se ninguém disparasse?"

[Bravo!]
— Sep 23, 2026 05:08AM Add a comment
Hoje, 3 de Maio

Paula Mota
Paula Mota is 90% done with Hoje, 3 de Maio
"Numa praça, come-se, festeja-se, celebra-se, dorme-se, sonha-se, tortura-se, mata-se, chora-se, fuzila-se em 1506, em 1640, em 1755, em 1820, em 1840, em 1871, em 1910, em 1974, em 1984, em 1986, em 1998, em 1999, em 2001, em 2022, em 2023, em 2024, em 2025...
Numa praça como esta,aprende-se sobre quem chega ao mar da palha, vindo de terras distantes,e sobre os nómadas que vem do deserto vizinho, do norte de África.
— Sep 21, 2026 06:49AM Add a comment
Hoje, 3 de Maio

Paula Mota
Paula Mota is on page 293 of 334 of Hoje, 3 de Maio
"[Goya]quer imprimir uma gravura onde o fantasma de Maria Antonieta cose a sua própria cabeça aos pés de uma guilhotina para a enviar a José Bonaparte.A legenda diz:"Eis a grande nação que criou um instrumento que mata e entretém ao mesmo tempo."
Recordo o meu amigo pintor de que o próprio Dr. Guillotin propôs a guilhotina ao rei e não aos revolucionários,e por vontade de encontrar uma forma menos dolorosa de morrer.
— Sep 21, 2026 03:02AM Add a comment
Hoje, 3 de Maio

Paula Mota
Paula Mota is on page 280 of 334 of Hoje, 3 de Maio
"Os carrascos do dia 3 de maio de 1808 não são só carrascos naquela data e não fuzilam só em Madrid.Fuzilam em Saragoça, em Guernica, em Valência,em Cádis, no Vimeiro, no Buçaco,em Vilar Formoso,em Aveiro, em Lisboa,em Troia,em Atenas, em Roma, em Alexandria,em Istambul, em Jerusalém, no Cairo, em Versalhes, em Ypres, em Dusseldorf, em Sarajevo, em Yerevan, em Kiev, em Caracas.
Todas as praças são praças de execução.
— Sep 19, 2026 11:10AM 2 comments
Hoje, 3 de Maio

Paula Mota
Paula Mota is on page 211 of 334 of Hoje, 3 de Maio
Sabe que o futuro aparece antes do passado e o passado só surge depois de o futuro acontecer.O tempo não é linear qd vivido, pensado,sentido.Bergson não resiste e dirige-se ao físico da plateia:
-Estimado Einstein(..)permita-me intervir e apontar que,de acordo com a sua apresentação,o tempo é apenas uma teoria,quando na realidade,o tempo é uma vivência O tempo é o que se faz e até o que faz com que tudo seja feito
— Sep 19, 2026 08:32AM Add a comment
Hoje, 3 de Maio

« previous 1 3 4 5 6 7 8 9 … 99 100
Follow Paula's updates via RSS