“O elemento transgressivo é parte fundamental de qualquer estrutura que responda pelos interesses humanos.” (pg. 22)
“A lei "não matarás" não é legítima se em algum momento "matar" ou transgredi-la não puder melhor traduzir o respeito à vida.” (pg. 24)
“Em espaços públicos, a interação com os demais tem influência na determinação do que é certo ou errado. Afinal, o certo e o errado são sempre situações relativas e não absolutas.” (pg. 26)
“Uma corda sob tensão pode estar pendendo para um lado (bom) ou outro (correto) em dado momento, pode até estar na mediana entre os dois esforços, mas o importante é que preserve essa condição. É a perda de tensão, o distensionamento, que estabelece a doença. Toda vez que fazemos a opção por "bom em maior medida do que correto", em desarmonia com a tensão, causando a perda da mesma, estamos diante da culpa e da violência. Toda vez que fazemos a opção por "correto em maior medida do que bom", causando perda de tensão, estamos diante do apego e da depressão.” (pg. 33 & 34)
“Trair é a palavra que expressa a perda da tensão. Traímos quando nossa escolha gera a perda da tensão, seja porque optamos por movimentos bruscos na defesa do "bom" em detrimento do "correto", e vice-versa, ou porque cedemos bruscamente, abrindo mão do "bom" em detrimento do "correto" e vice-versa. Trai-se por fidelidade e infidelidade. Trai-se tanto por apego como por desapego.” (pg. 34)
“A intimidade radiografa a relação entre corpo e alma e revela estados de tensão ou de distensão. Essa é a razão de a intimidade ser tão provocante, pois ela revela instantaneamente quando estamos ou não traindo.” (pg. 35)
“O ato de traição jamais desloca o eixo das relações da área da intimidade. Ao contrário, a dor causada pela traição é produto do aprofundamento da experiência íntima. É isto que tanto machuca os traidos: ser conduzidos a profundezas da intimidade que desejam evitar. É importante compreender aqui que não estamos falando do indivíduo que é infiel por apego.” (pg. 36)
“O futuro pode ser maravilhoso se soubermos legitimar também nossas transgressões” (pg. 43)
“Surpreender-se é, na realidade, a maior prova de poder de um ser humano. Surpreender os outros é fazer uso de nossos truques já dominados; surpreender a si mesmo é ser um mago diante daquele que nos julgavamos ser.” (pg. 46)
“Todos nós deparamos com lugares que se tornam estreitos em determinado momento. Estes lugares, que outrora serviram para nosso desenvolvimento e crescimento, se tornam apenados e limitadores.” (pg. 47)
“Quando resolvemos sair do lugar estreito, ocorre um processo semelhante com o corpo. O corpo não gosta de sair, de mudar. São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe outra saída. Mas para onde ir se o corpo não conhece nada diferente de si mesmo?” (pg. 47)
“Aquele que propõe o retorno reconhece o poder do lugar estreito. Esse lugar do hábito é tão poderoso que foi uma ilusão se deixar levar pelo sonho de sair. Tudo estava errado desde o início e a proposta de voltar pressupõe uma vida estreita e em conformidade com a realidade e as limitações que esta impõe. Lutar, por sua vez, é a crença de que se poderá fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo. Se o lugar estreito é poderoso para impor-se como realidade, o que resta é desafiá-lo, como se a estreiteza fosse externa e não um processo de relação entre o mundo externo e o interno. Jamais devemos esquecer que o lugar estreito um dia não o foi.” (pg. 48)
“Jogar-se ao mar é a atitude do desespero. É a entrega do corpo na descoberta de que a alma propiciou um limbo insuportável em que não há mais o passado que o definia nem lhe é permitido um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo "bom", não se encontra um novo "correto" e a única saída é pagar o preço de não se ter bancado o "correto" do passado mesmo que o "bom" fosse inadequado. Desse desespero surge a resignação de que, apesar de não se voltar ao lugar estreito, jamais se podera atingir um novo lugar amplo. Orar é um recurso de fazer da situação do "novo" uma reprodução do lugar estreito. Numa aparente resolução das demandas da alma, o corpo exige que a realidade seja "compassiva" com ele, permitindo que o novo lugar não exija dele uma nova definição de si. O novo lugar é o velho sem parecer-lhe estreito.” (pg. 49)
“Esse profundo ato de confiança em si e no processo da vida garante a passagem pelo vazio que magicamente se concretiza em chão sob nossos pés. O que não existia passa a existir e um novo lugar amplo se faz acessível.” (pg. 50)
“A lei "não matarás" não é legítima se em algum momento "matar" ou transgredi-la não puder melhor traduzir o respeito à vida.” (pg. 24)
“Em espaços públicos, a interação com os demais tem influência na determinação do que é certo ou errado. Afinal, o certo e o errado são sempre situações relativas e não absolutas.” (pg. 26)
“Uma corda sob tensão pode estar pendendo para um lado (bom) ou outro (correto) em dado momento, pode até estar na mediana entre os dois esforços, mas o importante é que preserve essa condição. É a perda de tensão, o distensionamento, que estabelece a doença. Toda vez que fazemos a opção por "bom em maior medida do que correto", em desarmonia com a tensão,
causando a perda da mesma, estamos diante da culpa e da violência. Toda vez que fazemos a opção por "correto em maior medida do que bom", causando perda de tensão, estamos diante do apego e da depressão.” (pg. 33 & 34)
“Trair é a palavra que expressa a perda da tensão. Traímos quando nossa escolha gera a perda da tensão, seja porque optamos por movimentos bruscos na defesa do "bom" em detrimento do "correto", e vice-versa, ou porque cedemos bruscamente, abrindo mão do
"bom" em detrimento do "correto" e vice-versa.
Trai-se por fidelidade e infidelidade. Trai-se tanto por apego como por desapego.” (pg. 34)
“A intimidade radiografa a relação entre corpo e alma e revela estados de tensão ou de distensão. Essa é a razão de a intimidade ser tão provocante, pois ela revela instantaneamente quando estamos ou não traindo.” (pg. 35)
“O ato de traição jamais desloca o eixo das relações da área da intimidade. Ao contrário, a dor causada pela traição é produto do aprofundamento da experiência íntima. É isto que tanto machuca os traidos: ser conduzidos a profundezas da intimidade que desejam evitar.
É importante compreender aqui que não estamos falando do indivíduo que é infiel por apego.” (pg. 36)
“O futuro pode ser maravilhoso se soubermos legitimar também nossas transgressões” (pg. 43)
“Surpreender-se é, na realidade, a maior prova de poder de um ser humano. Surpreender os outros é fazer uso de nossos truques já dominados; surpreender a si mesmo é ser um mago diante daquele que nos julgavamos ser.” (pg. 46)
“Todos nós deparamos com lugares que se tornam estreitos em determinado momento. Estes lugares, que outrora serviram para nosso desenvolvimento e crescimento, se tornam apenados e limitadores.” (pg. 47)
“Quando resolvemos sair do lugar estreito, ocorre um processo semelhante com o corpo. O corpo não gosta de sair, de mudar. São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe outra saída. Mas para onde ir se o corpo não conhece nada diferente de si mesmo?” (pg. 47)
“Aquele que propõe o retorno reconhece o poder do lugar estreito. Esse lugar do hábito é tão poderoso que foi uma ilusão se deixar levar pelo sonho de sair. Tudo estava errado desde o início e a proposta de voltar pressupõe uma vida estreita e em conformidade com a realidade e as limitações que esta impõe.
Lutar, por sua vez, é a crença de que se poderá fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo. Se o lugar estreito é poderoso para impor-se como realidade, o que resta é desafiá-lo, como se a estreiteza fosse externa e não um processo de relação entre o mundo externo e o interno. Jamais devemos esquecer que o lugar estreito um dia não o foi.” (pg. 48)
“Jogar-se ao mar é a atitude do desespero. É a entrega do corpo na descoberta de que a alma propiciou um limbo insuportável em que não há mais o passado que o definia nem lhe é permitido um novo futuro que o redefina. Na busca de um novo "bom", não se encontra um novo "correto" e a única saída é pagar o preço de não se ter bancado o "correto" do passado mesmo que o "bom" fosse inadequado. Desse desespero surge a resignação de que, apesar de não se voltar ao lugar estreito, jamais se podera atingir um novo lugar amplo.
Orar é um recurso de fazer da situação do "novo" uma reprodução do lugar estreito.
Numa aparente resolução das demandas da alma, o corpo exige que a realidade seja "compassiva" com ele, permitindo que o novo lugar não exija dele uma nova definição de si. O novo lugar é o velho sem parecer-lhe estreito.” (pg. 49)
“Esse profundo ato de confiança em si e no processo da vida garante a passagem pelo vazio que magicamente se concretiza em chão sob nossos pés. O que não existia passa a existir e um novo lugar amplo se faz acessível.” (pg. 50)