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A alma imoral: Traição e tradição através dos tempos (Edição comemorativa de 25 anos) (Portuguese Edition)

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message 1: by Carol (last edited Jul 27, 2026 05:55AM) (new) - rated it 4 stars

Carol “Temo muito mais as boas ações que me acomodam do que as más ações que me horrorizam!” (pg. 66)

“O rabi Nahum quer frisar a importância de se "horrorizar", que é um dos sinais de percepção dos lugares estreitos. Quem não se horroriza perde a capacidade de detectar a estreiteza.” (pg. 66)

“Existe em nós uma tendência de querer agradar a nós, aos outros e à moral de nossa cultura. Com isso vamos gradativamente nos perdendo de nós mesmos. E o despertar é a capacidade de perceber situações horríveis em nossas vidas, tanto no plano particular como no social e cultural.” (pg. 66)

“Aqueles que se permitem as transgressões da alma com certeza são vistos e recebidos pelos outros como estrangeiros. Os que mudam de emprego radicalmente, os que refazem relações amorosas, os que abandonam vícios, os que perdem medos, os que se libertam e os que rompem experimentam a solidão que só pode ser quebrada por outro que conheça essas experiências.” (pg. 68)

“É a pessoa acomodada que muitas vezes experimenta a depressão, pois ela sim se descobre solitária. Para aquele que está parado em relação à própria vida, de repente todos terão se deslocado.” (pg. 68)

“Transformar o lugar estreito em amplo é preferir mudar o mundo em vez de a nós mesmos. Nessa tarefa insana, acabamos por não encontrar a nós mesmos.” (pg. 70)

“Satã - sua origem remonta ao folclore hebraico, mas sua condição "satânica" é uma invenção do Ocidente. Em sua concepção original, Satã aparece como um "obstáculo" à vida ou algo que "desencaminha". Poderia ser compreendido simplesmente como uma limitação, mas foi ganhando força como um símbolo de "tentação" ou como uma entidade que "joga contra" a vida. Com a tradição cristã veio a simbolizar a própria ideia do "traidor", que de forma sub-reptícia quer nos levar à transgressao." (pg. 72)

“Satã é a própria dificuldade que temos de distinguir a luz da escuridão. Muitas vezes a luz não está nem naquilo que promove a preservação, nem no que promove a transformação.
Por interesses naturais à cultura e à moral, no entanto, nossa sociedade resolveu transformar Satã num espantalho que realmente nos afasta da mudança. É por medo dele que se obteve um instrumento a mais para manter as pessoas ocupadas em seus próprios padrões sem se permitir ousar e descobrir novas possibi- lidades da própria vida.” (pg. 74)

“A mediocridade é a tentativa de permanecer acampado, não reconhecendo ou legitimando o mar que existe para ser transposto." (pg. 77)

“Uma das formas que o mar que nos impossibilita de caminhar assume em nosso imaginário é a da perversidade. "Não posso fazer isso" é uma expressão que nos paralisa e nos faz acampar. Magoar outras pessoas ou agır de maneira imoral para com nossa formação e educação são argumentos usados pelo corpo constantemente. Não há, no entanto, nenhuma maneira de ultrapassar o mar sem enfrentar a possibilidade de nossa perversidade." (pg. 78)

“A vida saberá nos julgar não apenas pelas "perversidades" que acreditamos poder evitar, mas também pelas "tolices" que nos permitimos." (pg. 79)

“"Na semana do Ano Novo muitos peregrinos vieram até a Casa de Estudos em Vorki. Alguns estavam nas mesas estudando enquanto outros, que não puderam achar um lugar para passar a noite, arrumaram um canto para dormir. Justamente nesta hora de grande agitação, o rabino de Vorki entrou e, por conta do burburinho, ninguém notou sua presença. Primeiro olhou os que estudavam e depois os que estavam estirados pelo chão. 'A maneira como esses indivíduos dormem', disse ele, 'me apraz mais do que a maneira como esses outros estudam."
A honestidade do sono era maior do que a honestidade do estudo, e, mesmo que para um rabino o estudo seja um "correto" melhor do que o ato de dormir, ele soube dar preferência ao "bom" que se expressava na honestidade. Para ele, não há qualquer dúvida de que o "perverso" dos que dormem é irrelevante diante da "tolice" dos que estudam sem verdadeira intenção." (pg. 79 & 80)

“O rabino de Lizensk dizia: "Quando uma pessoa deixa de ficar satisfeita com seu negócio ou com sua profissão, é certamente um sinal de que não o está conduzindo honestamente." (pg. 81)

“Quando não se é "honesto", ou seja, quando formas de hipocrisia vão ganhando espaço e a conduta é marcada por dissimulações, paramos de sentir satisfação." (pg. 81)

“O rabi Bunan adverte que os "pecados" que um indivíduo comete não são o pior crime realizado por ele. O verdadeiro grande crime do ser humano é que ele pode dar-se "uma simples volta" a qualquer momento, mas não o faz." (pg. 83)

“Duas coisas ficam comprometidas pela ausência de transgressão: a qualidade de vida e a possibilidade de continuidade. A qualidade da vida coletiva é prejudicada cada vez que um indivíduo não exerce todo o seu potencial transgressivo. A vida poderia ser melhor, produzir maior satisfação, mas os indivíduos se abstêm de seus direitos e com isso afetam o direito de todos.
Conta-se que um homem rico veio certa vez ao maguid de Koznitz.
"O que você costuma comer?", perguntou o maguid.
"Sou bastante modesto em minhas demandas", disse o homem rico. "Pão, sal e água é tudo de que necessito."
"O que você pensa que está fazendo?", o rabino reagiu em reprovação. "Deve comer carne e beber vinho como uma pessoa rica."
Mais tarde, seus discípulos questionaram a reação do mestre, e este explicou: "Até que ele coma carne e beba vinho, não vai compreender que o homem pobre precisa de pão. Enquanto ele se alimentar de pão, vai achar que o pobre pode alimentar-se de pedras." (pg. 83)

“Aquele que não faz uso de todo o potencial de sua vida, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais." (pg. 84)


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