Luís’s Reviews > Os Anos > Status Update
Luís
is on page 183 of 200
Tudo parecia opressivo. Os EUA eram os donos do tempo e do espaço que ocupavam à sua vontade, segundo as suas necessidades e interesses. Por todo o lado, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Havia gente a dormir em tendas ao longo da circular periférica para entrar em Paris. Os jovens gozavam — "bem-vindos a um mundo de merda" — e insurgiam-se passageiramente. (...)
— Aug 21, 2026 12:54AM
5 likes · Like flag
Luís’s Previous Updates
Luís
is on page 159 of 200
Vivíamos rodeados de explicações sobre nós próprios, fornecidas incansavelmente na televisão por Mireille Dumas e Delarue, pelas revistas femininas e pela leitura mensal da revista Psychologies - saberes que não ensinavam muito, mas que autorizavam cada um de nós a ajustar contas com os seus pais, que nos ofereciam a consolação de permitirem que juntássemos a nossa experiência de vida à dos outros.
— Aug 20, 2026 11:44PM
Luís
is on page 130 of 200
(...) Gostaríamos de ter visto capacetes azuis por todo o lado, para fazer reinar a paz eterna. Éramos civilizados, cada vez mais preocupados com a higiene e os cuidados do corpo, utilizadores de produtos para neutralizar os nossos cheiros e os da nossa casa. Dizíamos piadas: «Deus está morto, Marx também, e eu não me sinto lá muito bem.» Tínhamos sentido de humor.
— Aug 19, 2026 11:31AM
Luís
is on page 99 of 200
Ler o Charlie Hebdo e o Libération alimentava-nos a ideia de que pertencíamos a uma comunidade de prazer revolucionário e de que trabalhávamos, apesar de tudo, para um novo Maio.
— Aug 19, 2026 01:07AM
Luís
is on page 69 of 200
(...) Mergulhou no existencialismo, no surrealismo, leu Dostoevsky, Kafka, Flaubert de uma ponta a outra, perdeu-se igualmente nas novidades, em Le Clézio e no nouveau roman, como se apenas os livros mais recentes pudessem ter um olhar de maior justeza sobre este mundo aqui e agora.
— Aug 18, 2026 09:34AM
Luís
is on page 35 of 200
Tínhamos tempo para desejar as coisas: os estojos de lápis de plástico, os sapatos «de sola de Ceilão» ou um relógio de ouro. E possuí-los não decepcionava. Expúnhamo-los à admiração dos outros. Continham um mistério e uma magia que não se alterava nem com o olhar nem com o uso. Virando-os e revirando continuávamos, depois de os possuir, a esperar deles qualquer coisa que desconhecíamos.
— Aug 18, 2026 05:26AM

