Katya’s Reviews > Do Prazer de Odiar e Outros Ensaios > Status Update
Katya
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A popularidade dos escritores mais bem-sucedidos opera no sentido de nos repelir pelo falatório e espalhafato em torno deles,pela repetição perpétua dos seus nomes e pelo número de admiradores ignorantes e indiscriminados que arrastam atrás de si(.)Nada há a dizer a respeito de um autor sobre o qual toda a gente tem já uma opinião: e é uma empresa tão ingrata como inútil recomendar um de q ninguém tenha ouvido falar.
— Oct 10, 2026 02:28AM
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Katya’s Previous Updates
Katya
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(...)nada se conserva tão bem como uma decoação de amargura. Vamos ficando cansados de tudo menos de ridicularizar os outros e de nos congratularmos pelos seus defeitos.
Começamos a desgostar-nos dos nossos livros favoritos, ao cabo de algum tempo, pela mesma razão. Não conseguimos ler as mesmas obras para sempre.
— Oct 07, 2026 11:54PM
Começamos a desgostar-nos dos nossos livros favoritos, ao cabo de algum tempo, pela mesma razão. Não conseguimos ler as mesmas obras para sempre.
Katya
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As velhas amizades são como carnes servidas repetidamente, frias,desagradáveis e insonsas.O estômago revolta-se contra elas.Ou as relações constantes e a familiaridade geram despeito e desassossego;ou então, se nos encontramos de novo, depois de um intervalo de ausência,já não parecemos os mesmos.Um está demasiado esperto,outro demasiado néscio para nosso gosto; e perguntamo-nos porque não o tínhamos percebido antes.
— Oct 07, 2026 05:29AM
Katya
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O prazer de odiar, como um mineral venenoso, corrói o cerne da religião e transforma-a numa úlcera biliosa e carrancuda; faz do patriotismo uma desculpa para transportar o fogo, a peste e a fome para outras terras: não deixa à virtude mais do que o espírito de censura e uma vigilância estreita, ciosa e inquisitorial sobre as acções e os motivos dos outros.
— Oct 06, 2026 04:44AM
Katya
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O espírito de malevolência sobrevive ao seu exercício prático. Aprendemos a vergar a vontade e a manter as nossas acções manifestas dentro dos limites da humanidade muito antes de conseguirmos submeter os sentimentos e imaginações ao mesmo tom anódino.
— Oct 05, 2026 03:22AM
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Paula wrote: "Pode ser ingrato mas não inútil recomendar um autor de que ninguém, - ou poucos, para não ser pretensiosa - tenha ouvido falar. Vivo para os conhecer! :-)Acrescento este excerto da Vivian, que est..."
Paula, também sou pessoa de autores obscuros (e de aceitar recomendações de autores obscuros), como sabes, e de edições perdidas pelos alfarrabistas. Posso reconhecer que "falem bem ou falem mal, mas falem de mim" é um excelente mantra publicitário. Mas não resisto a esta comunhão com o Hazlitt: se vir duas pessoas a ler o mesmo livro que eu, o mais certo é abandonar a leitura (não quero perder o estatuto de original que acho que tenho). Tal como, quando chego a um livro com 15 000 resenhas, sei que, se ler meia dúzia, li todas. Há exceções, felizmente. Mas nem eu, nem aqui o senhor Hazlitt, vamos por aí, porque não gostamos de entrar em contradição ;)


Acrescento este excerto da Vivian, que estou a ler: "E o público terá visto tantas vezes a capa do teu livro ao longo da tua semana de promoção que o dará por lido. Ouvi Julio Ortega dizer certa vez: "O excesso de presença trará a maior ausência." Por outras palavra: a saturação da imagem, a sobre-exposição, substituirá a experiência solitária do leitor."