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Luís
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Depois de doze minutos
Do seu drama O Marinheiro,
Em que os mais ágeis e astutos
Se sentem com sono e brutos,
E de sentido nem cheiro,
Diz uma das veladoras
Com langorosa magia:

De eterno e belo há apenas o sonho.
Porque estamos nós falando ainda?

Ora isso mesmo é que eu ia
Perguntar a essas senhoras ...
Jan 04, 2021 02:19PM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)

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Luís
Luís is on page 319 of 340
Sou vil, sou reles, como toda a gente,
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.

Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.
Jan 06, 2021 05:31AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 299 of 340
Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se ninguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.

O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.

Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
(...)
Jan 05, 2021 01:55PM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
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Reticências

(...)
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem - um antes de ontem que é sempre ...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir ...
Produtos românticos, nós todos ...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
(...)
Jan 05, 2021 12:17PM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
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Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram.
Jan 05, 2021 10:07AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 240 of 340
Jan 05, 2021 07:49AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
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Jan 04, 2021 01:02PM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 161 of 340
(...)
Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que não as coisas,
Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.
(...)
Jan 03, 2021 09:51AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 124 of 340
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelas no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Jan 03, 2021 07:34AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 97 of 340
Contudo, contudo,
Também houve gládios e flâmulas de cores
Na Primavera do que sonhei de mim.
Também a esperança
Orvalhou os campos da minha visão involuntária,
Também tive quem também me sorrisse.

Hoje estou como se esse tivesse sido outro.
Quem fui não me lembra senão como uma história apensa.
Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo.
(...)
Jan 02, 2021 01:31PM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


Luís
Luís is on page 85 of 340
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
(...)
Jan 02, 2021 09:40AM
Poesias de Álvaro Campos (Obras Completas de Fernando Pessoa #2)


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