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Paula Mota
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Há certamente, no edifício onde trabalho, muitos outros leitores, gente que gosta de ler, que encontra na literatura uma companhia silenciosa e que define alguns critérios de exigência literária para escolher um livro. Porém, só eu e o rapaz das arcadas gostamos de mostrar os livros que lemos. Mostramo-los um ao outro, num jogo diário, absurdo e inconsequente.
Nov 08, 2021 04:24PM
Ana de Amsterdam

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Paula’s Previous Updates

Paula Mota
Paula Mota is on page 208 of 224
"Li duas novelas do Stefan Zweig, e um estudo da Ana Luísa Amaral sobre escrita feminina. Passava pouco das duas da manhã quando apaguei a luz. Durante a noite comi duas gelatinas de ananás, três laranjas e cem gramas de chouriço fatiado."
Nov 10, 2021 02:38AM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
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"Habituei-me à tristeza, que é como a solidão, fere, mas deixa em nós qualquer coisa, bela e única, que não se sabe explicar. Quem não tem dentro de si alguma tristeza e solidão não é gente. É personagem de anúncio de televisão. (...) Hoje, não sei explicar porquê, voltei a acordar triste. Não me importo que a tristeza volte. Se vier, abro-lhe a porta, deixo-a instalar-se dentro de mim. É o desespero que me assusta."
Nov 06, 2021 04:42PM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
Paula Mota is on page 109 of 224
"Espreito dentro da terrina chinesa colocada no centro da mesa da sala de jantar. Espanto-me sempre com a quantidade de coisas que a minha mãe consegue guardar dentro dos bibelots lá de casa: lápis de pintura estalada, canetas, clips, papéis, corta-unhas, alfinetes, agulhas de crochet, cadeados, porcas e parafusos, fotografias, elásticos, brincos, pulseiras, batons do cieiro, bulas de medicamentos (...)."
Nov 04, 2021 05:07PM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
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"Durante a noite, quando as luzes se apagam, a mulher arranca os drenos. Sai da enfermaria, cruza-se com os espectros dos padres jesuítas (..). Procura o aquário da entrada principal. Olha os peixes por serem como ela. Serenos e sem lembranças. A mulher da cama nº 39, se pudesse, transformar-se-ia num enorme peixe prateado e nadaria para sempre entre cardumes de atuns e robalos."
Nov 03, 2021 04:59PM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
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"Trago ao pescoço um lenço de lã preto, velho, que herdei da minha avó.É um dos lenços que ela costumava usar na cabeça.(.)Toco no lenço e lembro que,durante a adolescência,tive vergonha da minha avó, do seu ar provinciano do seu lenço de luto, sobretudo das suas mãos.Mãos de bruxa, mãos em garra,nodosas, ásperas, mãos de terra,de tanto e tanto que passou.Saber-me assim,ainda que num passado distante,é coisa que dói.
Nov 02, 2021 05:55PM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
Paula Mota is on page 56 of 224
"A minha depressão é crónica. A tristeza em mim é um estado latente. Conheço-a desde sempre. Cresceu comigo. É uma espécie de melhor amiga que se impõe nos meus dias. (...) É uma dor invisível, de tal forma intensa que se sobrepõe a tudo e a todos. Como se mata uma amiga, a melhor, que vive dentro de nós?"
Nov 02, 2021 05:16AM
Ana de Amsterdam


Paula Mota
Paula Mota is on page 21 of 224
"Quero trocar de corpo", digo à imagem que o espelho reflecte. "Este não me serve. Está morto." A imagem olha-me enquanto repito gestos matinais. Lavar o rosto. Esfregar os dentes. Espalhar o creme hidratante. (..) Volto a olhar a imagem do espelho. Tem os olhos rasos de água. Uma escuridão dentro deles. Estende os braços. (...) Fujo-lhe. (...) Era o que mais faltava. Detesto cenas de comiseração logo pela manhã."
Nov 01, 2021 04:46AM
Ana de Amsterdam


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