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Mateus Mendes
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Dickens parece não se compadecer da causa revolucionária, apesar de retratar graficamente problemas do antigo regime. Penso que A Tale of Two Cities é menos “uma história sobre duas cidades”. E mais “A Revolução francesa do ponto de vista inglês”.
— Jan 26, 2024 06:15AM
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Dessa forma Dickens se mantém fiel a si mesmo pois os personagens e os caminhos pelos quais os leva retratam exatamente o que ele pensa. O problema é que a revolução francesa é uma causa muito maior e mais dolorosa. Colocar as aventuras dos seus personagens nesse contexto é o mesmo que torná-los insignificantes. Assim a obra fica dividida, e não da pra se envolver mais profundamente ou se compadecer dos personagens ingleses.


Embora é possível se compadecer dos sufocos passados pelos Manette, e Darnay — que tem suas virtudes apesar do passado que o condena — é difícil exigir que os revolucionários se compadeçam e façam exceção nesse momento. Dickens sabia disso, logo teceu a trama de dr Manette como a arma de Chekhov que iria poder salvar Darnay de seu suplício inesperado.
Assim, apesar do elemento gótico e tom sinistro, é alto nível de perigo que os personagens estão passando, eles se colocaram lá por volição. Isso me faz sentir que de fato o que lemos no terceiro ato são aventuras de ingleses de nariz empinado, que se consideram acima de julgamento e capazes de meter o bedelho onde quiserem, trafegando livremente por uma França em guerra consigo mesmo enquanto pintam e bordam.