Luís’s Reviews > Nadar na Piscina dos Pequenos > Status Update
Luís
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Faróis, vitrinas e vadias,
ruídos alastrados:
o escuro não sabe outra marcha.
A última das chamas
assalta sombras, atiça vultos,
assusta tantos rostos.
Perto dos espelhos,
os signos tocam missas.
É altura de encurtar a trela - penso -
e de sair batendo com a porta,
mas não antes de tirar uma nota de cinco euros do bolso
e de apanhar este cócó do chão.
Anda, Pirusca, que está a ficar tarde e, olha, há gente a ver.
— Mar 31, 2024 02:11PM
ruídos alastrados:
o escuro não sabe outra marcha.
A última das chamas
assalta sombras, atiça vultos,
assusta tantos rostos.
Perto dos espelhos,
os signos tocam missas.
É altura de encurtar a trela - penso -
e de sair batendo com a porta,
mas não antes de tirar uma nota de cinco euros do bolso
e de apanhar este cócó do chão.
Anda, Pirusca, que está a ficar tarde e, olha, há gente a ver.
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Luís
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Fiquei de molho mais um mês,
emagreci um pouco,
deixei crescer a barba
como os artistas de teatro
ou coisa pior,
penteei o cabelo para trás e
pedi licença para entrar na fama
sem sapatos.
Esperava ver pessoas que não reciclam o lixo,
como o velho Baudelaire
(não tão velho, desistiu disto aos 47.)
(...)
— Mar 31, 2024 01:28PM
emagreci um pouco,
deixei crescer a barba
como os artistas de teatro
ou coisa pior,
penteei o cabelo para trás e
pedi licença para entrar na fama
sem sapatos.
Esperava ver pessoas que não reciclam o lixo,
como o velho Baudelaire
(não tão velho, desistiu disto aos 47.)
(...)
Luís
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Como sempre, nestes lugares, o lanche foi frugal:
uma laranja e uma fatia de pão.
A mistura caiu-me mal.
Adormeci num canto, sonhei horrores.
Depois da sesta, tentei fugir.
A fuga exigia velocidade
e eras tu quem abria sempre a porta.
Quem apertava a corda.
Quem preparava a cicuta.
Por tua causa é que o Inverno começou e se repete.
Estavas em tudo o que ruía.
Muros e pontes,
meteoritos, governos, fortunas.
(...)
— Mar 31, 2024 11:07AM
uma laranja e uma fatia de pão.
A mistura caiu-me mal.
Adormeci num canto, sonhei horrores.
Depois da sesta, tentei fugir.
A fuga exigia velocidade
e eras tu quem abria sempre a porta.
Quem apertava a corda.
Quem preparava a cicuta.
Por tua causa é que o Inverno começou e se repete.
Estavas em tudo o que ruía.
Muros e pontes,
meteoritos, governos, fortunas.
(...)
Luís
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Devia escrever coisas mais divertidas,
entreter as massas.
Evitar, ao menos, cenas tristes,
mudar de roupa uma vez por mês.
Podia, decerto, afastar-me, sair do corpo,
dos seus humores.
Entrar na biopolítica, usar os seus métodos.
Engravidar uma ideia alegre.
Enfim, nada contra os suicidas de carreira
e os demais performers do além.
Não é que não me apeteça largar-te
num eléctrico sem travões.
(...)
— Mar 31, 2024 09:42AM
entreter as massas.
Evitar, ao menos, cenas tristes,
mudar de roupa uma vez por mês.
Podia, decerto, afastar-me, sair do corpo,
dos seus humores.
Entrar na biopolítica, usar os seus métodos.
Engravidar uma ideia alegre.
Enfim, nada contra os suicidas de carreira
e os demais performers do além.
Não é que não me apeteça largar-te
num eléctrico sem travões.
(...)

