Paula Mota’s Reviews > A Mulher do Meio > Status Update

Paula Mota
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Ontem vi uma romãzeira carregada e as romãs acetinavam em vários tons de vermelho. A exuberância contida das romãs salvou-me a tarde. Eu não tinha tido como me esquivar a uma conversa maçadora onde alguém falava do dom da escrita. Respondi ai o dom (...)Pensei que tinha de fugir dali. Depois vi a romãzeira e procurei um verbo que dissesse a lisura da casca polida a amadurar. E disse que as romãs acetinavam. (...)
Dec 11, 2024 12:40AM
A Mulher do Meio

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Paula’s Previous Updates

Paula Mota
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Fico às vezes à espera de um texto com um desprendimento dissimulado. Escrevo uma frase curta como se fora uma ponta de um novelo e espero que ele se me desdobre com uma ânsia que nunca deixo transparecer. Quem me olhasse haveria de ver-me imóvel debruçada apenas da luz baça do dia. Sem suspeitar quando uma alegria secreta me chega por fim.
Dec 11, 2024 12:41PM
A Mulher do Meio


Paula Mota
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(...) Uma delas veste uma túnica em verde fundo. Nunca me vesti de verde porque a Agustina diz algures que uma mulher tem de ser muito bela para se vestir de verde. Isto não é uma coisa que se possa explicar mas é-se da Agustina como de uma religião. À mulher lá fora na esplanada coube apenas um escasso quinhão de beleza mas o verde fica-lhe bem. Talvez eu procure qualquer coisa verde para usar neste Inverno(...)
Dec 10, 2024 03:19AM
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A mulher senta-se e começa a falar-me de um tempo que escorria gota a gora com uma lentidão que lhe dava cabo dos nervos. Sabe filha diz ela depois aprendi mas há coisas que se aprendem quando já há pouco tempo para as aplicar. (..) Por cima das palavras da mulher eu retomo o meu silêncio.
Dec 09, 2024 04:31AM
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Paula Mota
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(...) Desenho a minha tarde como uma casa pronta a ser habitada.

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A mulher que se sentiu mal na bicha do supermercado e a manicura russa são os rostos do meu dia. Também os alunos em frente das pautas de exame. A alegria e o choro. Depois vi a magnólia das grandes flores brancas e pensei estou em paz e por isso comecei a sentir-me em paz. Porque nada existe antes de ser nomeado.
Dec 07, 2024 04:07AM
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Estou imóvel e finjo que escrevo mas apenas penso e sigo o fio dos meus pensamentos Ariadne de mim mesma a procurar-me um caminho por entre as páginas por entre a tarde. Como se nada pudesse chegar ou perturbar uma paz suficiente alcança-me por fim.
Dec 06, 2024 02:49AM
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"A vida é o que nem sempre corre bem e acaba sempre mal mas eu tenho dentro do frigorífico uma grande taça de morangos comprados com desconto e ainda não ouvi hoje nenhuma das vozes que me agastam. Desprendo-me por isso da consciência das inevitabilidades. Passam na rua alguns carros apressados e aqui eu disponho à minha volta os objectos da tarde. Prendo o cabelo e inspiro demorada o ar do meio-dia."
Dec 03, 2024 05:12AM
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Em algumas noites - nos frios do Inverno ou nas crueldades de Abril -vou para o quarto sentar-me na cama com um xaile e um chá. Trago um livro ou um trabalho a que atalhar. Na parte de cima da minha casa vivo como num farol ao cimo de uma escarpa rochosa. (...) Aqui no quarto porém toda a vida dos apartamentos adjacentes se me desdobra. (...) A proximidade é sempre uma violência.
Nov 29, 2024 07:39AM
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Afinal li melhor a embalagem e o meu chá novo é de frutos da floresta. (...) Sim há amora e arónia preta e framboesa e groselha e mirtilo e também hibisco e raiz de alcaçuz. Continua a saber-me a norte e a frio. A longas viagens num comboio que atravessa as estepes. Enfim. À sexta-feira qualquer chazinho que esteja em promoção no supermercado me põe a delirar.
Nov 28, 2024 11:07PM
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"Mas o tempo é inapreensível. Escorre por entre os dedos e não há bordado inglês que o reponha. Isso não me incomoda: do tempo quero apenas que as minhas horas não coincidam com as alheias. Posso assim continuar neste sossego onde não há vozes e todos os objectos configuram uma presença propícia."
Nov 27, 2024 06:11AM
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No café das mulheres tristes os sonhos são enormes. Quando lá parei hoje por volta das 7 horas já havia grandes tabuleiros com azevias coscorões filhoses rabanadas. E sonhos. (...)

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(...) Tenho comigo alguns pensamentos desagradáveis mas também pequenas alegrias que consumo com moderação para que não se gastem depressa.
Nov 25, 2024 12:49PM
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Vítor Leal Segunda leitura, Paula? :D


Paula Mota Não, Vítor, ainda não tinha este e aproveitei logo a reedição. Umas migalhinhas enquanto não publica nada novo. :-)


message 3: by Cláudia (new) - added it

Cláudia Azevedo Lindo!


Paula Mota A beleza das coisas simples, não é, Cláudia?
(Mudaste de foto. Eu a pensar: "Quem é esta giraça que apareceu aqui de repente?"


message 5: by Cláudia (new) - added it

Cláudia Azevedo Hahaha! Mudei a foto, sim! Na outra tinha menos 10 anos! Estou a assumir o passar dos anos. Beijinhos


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