Miguel’s Reviews > Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos > Status Update
Miguel
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Com estas pernas subi dez andares
para assim te poder olhar de frente.
Alguém se atreve ainda a falar de posteridade?
Eu só penso em como regressar a casa;
e que bonito me fica a esperança
enquanto apresento em directo
a autópsia da minha glória.
— Jan 17, 2025 08:40AM
para assim te poder olhar de frente.
Alguém se atreve ainda a falar de posteridade?
Eu só penso em como regressar a casa;
e que bonito me fica a esperança
enquanto apresento em directo
a autópsia da minha glória.
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Miguel
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e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Maria do Rosário Pedreira
— Jan 17, 2025 08:51AM
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a cair da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.
Maria do Rosário Pedreira
Miguel
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Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo
por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
— Jan 17, 2025 08:50AM
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo
por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
Miguel
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O poema é
a única
a verdadeira mão que o poema estende
E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta
— Jan 17, 2025 08:31AM
a única
a verdadeira mão que o poema estende
E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta
Miguel
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Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio
Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isto foi antes
de aprender a álgebra
— Jan 17, 2025 08:19AM
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio
Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isto foi antes
de aprender a álgebra
Miguel
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Gente que, na incerta travessia, foi esquecendo,
nome a nome, todos os nomes.
— Jan 17, 2025 08:07AM
nome a nome, todos os nomes.
Miguel
is on page 55 of 192
Morte
em ambos os lados da porta
dando entrada
e súbito o dia
e depois
mais nada.
— Jan 11, 2025 03:35AM
em ambos os lados da porta
dando entrada
e súbito o dia
e depois
mais nada.
Miguel
is on page 23 of 192
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que casa um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
— Jan 09, 2025 09:28AM
à pequena dor que casa um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Miguel
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onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
Ou serei sempre somente esta instabilidade?
— Jan 09, 2025 09:27AM
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
Ou serei sempre somente esta instabilidade?

